Mostrando postagens com marcador Tanatologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tanatologia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de agosto de 2013

O valor das mudanças




A Tanatologia é um caminho na ciência ocidental através do qual podemos estudar como o ser humano reage em situações de mudança. Muitas vezes o processo de sair de um antigo nível de existência e entrar em um novo nível pode se tornar um processo difícil, pois a pessoa acaba por não conseguir aceitar abrir mão do que passou para poder abraçar os novos momentos com que a existência vem brindá-la. Por causa do apego, muitas vezes deixamos de nos abrir para o novo, e acabamos estagnados e infelizes em uma situação de vida que pode se tornar uma bola de neve, cada vez mais sem saída.

No entanto, acompanhando pessoas em processo de luto, pude perceber muitas vezes que no interior da psique todos nós possuímos os recursos necessários para atravessar os momentos difíceis e abraçar os novos caminhos e as novas maravilhas com as quais a vida vem nos encontrar. Sabedoria é justamente este aprendizado, aprender a saborear o momento presente. No budismo, uma das temáticas principais é justamente a impermanência  como sendo a principal característica do mundo dos fenômenos. Na sabedoria chinesa, berço da acupuntura, do taoismo e de muitas artes marciais, aprendemos que a sabedoria está em perceber que tudo na natureza muda o tempo todo, e a mudança é a única constante. Então os antigos sábios chineses, contemplando a natureza, aprenderam em seus processos interiores que a mudança possui um valor fundamental para aquele que deseja entrar em harmonia com a natureza, com a essência da vida.

Vamos agora a um exercício. Lembre-se de um momento no passado no qual você passou por mudanças difíceis. Certamente, ali, na hora, você não poderia acreditar que aquele processo imediatamente doloroso e sem sentido levaria você a novos caminhos, a viver todas as coisas positivas e significativas que vieram depois. Eu quero que você se dê conta justamente disto, que todos os infinitos recursos de transmutação da nossa qualidade de vida está agora mesmo em nós. É assim, de um modo mais ou menos inconsciente, que vamos nos transformando, pois infinitamente maior do que nós é a Grande Vida Viva que vai nos levando na valsa de seus mistérios.

Dentro de nós existe esta grande fonte de vida que nos leva, de transformação em transformação, às vezes mais lentamente outras vezes bruscamente, a viver os novos níveis do nosso ser. E é justamente o conhecimento de nós mesmos, quem nós realmente somos, o que nós ganhamos com toda esta mudança. Digo tudo isto porque tem pessoas que acreditam que estabilidade é o sonho da vida delas, mais logo a estabilidade se transforma em pesadelo, sofrimento, insatisfação. A vitória está em ir além, transcender, superar-se a cada nova situação difícil que a vida nos trás. Aprender a cada passo, fazer de cada curva da vida um caminho novo.

O despertar da nossa criatividade é outro presente que recebemos neste processo. Diante do novo, do desconhecido, somos obrigados a acessar em nós aquela dimensão a partir da qual novas respostas são exigidas, novos recursos devem ser criados a partir dos antigos, novos propósitos nos aparecem como uma possibilidade de dar sentido à vida. Assim, vamos redesenhando, reescrevendo a história de nossa vida, redescobrindo quem nós verdadeiramente somos.

Desejo a vocês as melhores e mais significativas mudanças, que levem vocês à autodescoberta mais profunda, aos novos níveis de prazer e de criatividade. Que nossas mudanças e transformações nos levem aos níveis mais elevados de realização! Que nós possamos celebrar o maravilhoso momento presente, com o qual nos brinda a infinita Vida Viva!    

quinta-feira, 8 de agosto de 2013


Rituais de passagem




Às vezes de pequenas em pequenas mudanças vamos dando passos que vão transformando nossas vidas. Outros momentos são de grandes transformações, nos tornamos confusos, sentimos medo do desconhecido do que está porvir. A sociedade moderna tem cada vez mais dessacralizado todos os momentos de nossas vidas, e, assim, perdidos de nossa matriz espiritual, ficamos sem saber muitas vezes o que fazer diante dos momentos de mudança. O mesmo não acontecia com os ancestrais que, celebrando a beleza da vida em cada uma de suas passagens, apresentavam uma vida espiritual rica de mitos e rituais para a puberdade e entrada na vida adulta, para o casamento e para a passagem pela porta escura da morte.

A Tanatologia ensina que devemos escolher viver sob um dos dois paradigmas: o da quantidade de dias ou o da qualidade de vida. Dentro da visão da quantidade, a vida se torna uma acumulação de bens, de posses, de dias, mas o desprazer de viver é uma característica marcante que vai gerando dissociação e psiconeuroses, doenças da alma de uma vida cada vez mais sem sentido. Dentro da visão da qualidade de vida devemos procurar viver com o mais profundo Ser, com o mais profundo amor em nós. Devemos viver o nosso chamado pessoal.

O ponto chave é que, para isso, devemos muitas vezes nos arriscar, passar por perdas profundas, momentos de grandes transformações, verdadeiras mortes em vida, as chamadas mortes simbólicas. Assim, nestes momentos de sofrimento e de dor, é importante não desistir de nosso eu mais profundo, do ser em nós que está sempre nos apontando um caminho novo, uma possibilidade de nos reencontrar com nosso caminho de cura, transformação e evolução. É preciso meditar e orar, e observar nossos sonhos e visualizações, ver o que o verdadeiro ser aponta para nós.

Não nascemos prontos, não somos perfeitos e não podemos ser completamente e eternamente felizes nesta vida. A mudança, as mortes e as mudanças são parte importante. Deixar morrer, para poder renascer. Poder se renovar e viver os novos níveis com os quais a vida quer nos presentear. Assim, seguir nosso caminho, viver nossos próprios rituais de passagem, marcando cada era, cada época significativa de nossas vidas com mais qualidade de presença, de ser. Abraçar a mudança, encontrar nosso caminho novo, renovar-se, seguir, acolher o que o verdadeiro ser mostra para nós em sua vastidão e mistério. Assim seja!


quinta-feira, 23 de maio de 2013


A negação da totalidade




A Tanatologia, ao estudar sobre a morte e as perdas, nos trás a grande lição da negação. A negação é a primeira fase do processo de luto. Na negação, resistimos ao que acontece, resistimos à ideia de que somos nós passamos por esta perda, por este luto. Deve ser elaborada e superada, passando pela raiva, barganha, depressão, até a fase da aceitação, para que enfim possamos seguir a vida. No entanto, o que percebi é que vivemos em uma sociedade que não nos prepara para lidar com perdas. Negamos a dor, negamos a morte, negamos a vida. E assim negamos a totalidade do ser, que passa a habitar em nosso inconsciente.

Negamos a nós mesmos, negamos a pior parte de nós, a nossa sombra psicológica. Os outros? Os outros são mentirosos, os outros são covardes, os outros são desonestos, os outros nos enganam, os outros são traidores, os outros são mentirosos. Negamos que somos mentirosos, ou traidores, ou covardes, ou desonestos em algum nível. Negamos uma parte de nós, e, assim, projetamos nossas sombras nos que estão à nossa volta. Negamos o aqui e agora, evitamos contatos sociais mais profundos pelo medo, ou rancor, ou pela mágoa, o que consiste na negação da diferença que o outro representa. Negamos tudo o que é diferente de nós, de nosso ego, de nossas identificações, por medo de nos abrir para o diferente, por medo de crescimento, por medo de mudanças.


O pior é que negamos também a nossa luz. Dedicando ela a apenas os grandes seres que uma vez por século passariam pela terra. Nós não podemos lutar, somente os grandes homens podem. Quem sou eu? Apenas um humano comum, um grãozinho de areia entre milhões de galáxias. Não podemos transformar a nossa realidade, somente os gigantes do passado é que puderem. A culpa é do governador, dos políticos, das igrejas, do time que o outro torce, do egoísmo dos outros. É claro que eu nunca sou aquela pessoa egoísta que eu secretamente pensaria ser. É claro que eu sou a vítima, meus problemas se resolveriam se ele mudasse, se ela mudasse, se eles fizessem isso ou aquilo, se os outros mudassem. 


E também toda a nossa criatividade é projetada para fora de nós. Somente os artistas, somente os jogadores do meu time, somente os lideres religiosos ou políticos poderiam me apresentar a salvação. A mim, resta assistir ao jogo, a novela, o big isso, a casa daquilo, as noticias. E vou para mais um show, para mais uma festa, que eu quero é curtir a vida. Toda nossa luz é jogada na lata do lixo, esperando que de um alto imaginário desça uma mágica salvação.



Os sábios, mestres da espiritualidade, se é que ainda entre nós eles vivem, parece que resolveram fazer silêncio. Eles estão de luto, pela nossa insistente escolha: a de permanecer inconscientes, delegando a responsabilidade de nossas vidas, de nossa felicidade, de nossa realização ao outro. E assim permanecemos num estado de infância psicológica, como nos contos de princesas adormecidas, esperando até que o príncipe venha nos salvar. Eles esperam o nosso despertar para voltar a nos ensinar.

Devemos nos dar conta de que a nós cabe a responsabilidade por nossas vidas, por nossas escolhas. Sou Eu o único responsável pela MUDANÇA em minha vida! É preciso curar os traumas do passado para viver o aqui e agora. Abandonar a parte de nós que nos convence a correr do passado com medo da dor e a correr para um futuro de promessas imaginárias, porém falsas. É preciso viver o presente. Quando isto é doloroso, trazendo ansiedade, medos, vergonha, depressão, há algo que precisa ser trabalhado e curado. Alguma perda, algum luto, alguma frustração que nos fixa em nossa consciência infantil. Talvez muitas.

Podemos atravessar a dor de viver e aceitar a maravilha de viver, mas para isso é preciso aceitar a dor e a maravilha de morrer. Pois morte e vida são uma totalidade, e não há transformação sem perdas. Morrer significa passar por perdas, a assim poder renascer. O caminho sábio está em aprender com a dor e seguir a vida, ao encontro de nosso templo da realização máxima. Precisamos aceitar o que nós somos, aceitar o que o outro é, aceitar o que a vida é, aceitar o que a morte é. Isso não parece nada fácil, mais parece o grande desafio, como a arte de manipular uma grande espada afiada. Assim, seguiremos pelo caminho mais difícil de todos: o caminho da simplicidade. Aceitar que o que é, simplesmente é. Aceitar a totalidade. Assim caminhamos para nossa mudança, para nossa transformação, para nossa realização.




Acesse nosso site: pedropossidonio.wix.com/terapeuta
Sugestões e dúvidas? Mande-nos uma mensagem para pedropossidonio.psi@gmail.com

terça-feira, 14 de maio de 2013


Atravessando as tempestades da vida




Todos nós temos momentos difíceis, momentos tempestuosos, nos quais temos que atravessar a escuridão da vida ou a escuridão de nosso próprio interior. Nestes momentos parece que vivemos num universo hostil, e que se há algum Deus, este não mais estaria olhando para a gente. 

Certo dia, numa aula de técnicas psicológicas, a professora nos pediu que realizássemos uma tarefa de arteterapia que expressasse como estávamos naquele momento. Lembro-me de ter imaginado e desenhado um barco, que navegava num mar revoltoso, em uma grande tempestade. As ondas ameaçavam o barco, ele balançava, parecia até que não poderia resistir. No entanto, mais além da tempestade, havia mares tranquilos, onde o barco novamente navegaria abençoado pela luz do sol.

Lembro-me de Stanislav Grof, que junto à sua esposa Christina Grof, escreveram um livro chamado a tempestuosa busca do Ser. Para atingirmos nosso Ser, para vivermos níveis de consciência mais elevados, temos que passar às vezes por momentos de crises. Eles são também oportunidades de analisarmos onde ainda estamos errando, em quais aspectos ainda estamos inconscientes, nos afastando de nosso verdadeiro ser mais profundo.

A Tanatologia nos ensina que para evoluirmos temos que passar por muitos ciclos, de morte e renascimento psicoespiritual, nos quais temos que abrir mão de nosso passado, de nossas atitudes, de nosso orgulho e egoismo, para podermos evoluir, renascer, iniciando um novo ciclo de desenvolvimento. Ao contrario da visão exclusivamente evolucionista, que diz que a meta da vida é apenas crescer e crescer, a Tanatologia ensina que devemos nos transformar, morrer para poder renascer, devemos atravessar as tempestades interiores até chegarmos em mares tranquilos. No entanto, mesmo que na mais forte tempestade, o sol do Ser verdadeiro continua a brilhar, apenas nós não percebemos, afastados que ainda estamos de sua luz. As marés mudam, tudo se transforma. No entanto o Ser, o sol, é o mesmo, apenas muda nosso modo de nos relacionar com ele, o modo de consciência no qual estamos vivendo.

Apenas as ilusões morrem. O que é forma, o que pertence ao mundo manifesto, está sujeito a infinitas transformações, que são morte e renascimento. O Absoluto, que está além de nossa compreensão, tão longe quanto o sol está de nossas mãos, este não passará, é a única coisa que está além da lei da mudança.

Dizia um mestre que os velhos navegantes aprenderam esta lei da transformação, e por isso eles podem se entregar, fluindo sem se abalar nas tormentas e, nos dias de sol, fluindo sem acreditar que sempre terão mares tranquilos. Aprenderam a navegar com fé inabalável no fluxo da vida.



Acesse nosso site: pedropossidonio.wix.com/terapeuta
Sugestões e dúvidas? Mande-nos uma mensagem para pedropossidonio.psi@gmail.com

sábado, 11 de maio de 2013


Por que precisamos de problemas: uma leitura em Tanatologia




Neste momento, em virtude de certos acontecimentos, veio-me a ideia de escrever um texto sobre a necessidade dos problemas em nossas vidas. Assim, espero, posso dar voz à Tanatologia, ciência que estuda as perdas e o luto, bem como o processo de morrer e suas lições para o bem viver. Espero também que este seja o primeiro de outros textos para o blog sobre esta visão em Tanatologia.

Todos nós passamos por momentos difíceis, os quais tiram o nosso fôlego. Somos tomados pela raiva, pela tristeza, e começamos a nos perguntar "por que acontece isso comigo?".

A Tanatologia ensina que todos nós passamos por processos de luto, por muitas mortes simbólicas ao longo de nossa vida, de nosso processo de desenvolvimento. Primeiro vem o choque, ficamos sem ação, não sabemos o que fazer. A seguir, vem a negação, não, não, não pode estar acontecendo isso comigo. Depois vem a raiva, que horrível, a culpa é minha! a culpa é de Deus! ou do fulano! Entramos em uma depressão, sentimos tristeza pelo que perdemos ou ainda vamos perder. Por fim vem a aceitação, quando integramos as perdas e seguimos em frente, tocando nossa vida e abraçando nosso caminho.

As perdas afetam as vidas de muitas pessoas e, quando não são elaboradas, geram situações crônicas como depressões, raivas constantes, ansiedade crônica, ainda que mude o foco da emoção e a pessoa não lembre mais de onde vem este sentimento ruim, normalmente de acontecimentos traumáticos no passado, mas que afetam ainda o presente. Por exemplo: a pessoa passa por várias perdas, não as elabora, e passa a vida sentindo raiva, ressentimento, mas não sabe de quê ou de quem, pois muda sempre o foco, a família, o trabalho, o vizinho. Ou as emoções mal elaboradas geram ansiedade, medo de sofrer, medo de viver e de morrer, o que acaba gerando uma série de fugas, de defesas, de afastamento das pessoas e da vida, e o pior ainda: um afastamento de si mesmo, de nosso processo de evolução, um afastamento de nossa verdade interior.

É preciso um trabalho interior de autoconhecimento para caminharmos para a cura e a libertação destes traumas, seja com terapias como constelação familiar, visualização dirigida, terapia regressiva evolutiva, seja com um processo de escuta psicológica. Caso você sinta um alarme tocando interiormente ao ler este artigo,   fique alerta: as perdas podem ser elaboradas, o sofrimento crônico pode passa por um processo de cura, mas depende de você assumir a dor interior e desejar se trabalhar.

Por fim, numa visão Transpessoal, é importante adicionarmos que as perdas são fundamentais para nosso autoconhecimento e evolução espiritual. Tudo que perdemos eram identificações, partes do nosso ego que já não nos serviam mais, apenas nos afastavam de nosso ser mais profundo. No caso das pessoas queridas, o verdadeiro amor nunca se perde, ainda que se modifique na forma. É preciso limpar a casa, para a luz do céu poder entrar. A impermanência, a sabedoria divina da vida, faz então com que soframos para poder aprender a evoluir, como dizia um mestre, para aprendermos a amar, valorizando cada momento, abrindo os nossos corações para níveis mais elevados de amor.





Conheça nosso trabalho: pedropossidonio.wix.com/terapeuta
Sugestões e dúvidas? Mande-nos uma mensagem para pedropossidonio.psi@gmail.com