Atravessando as tempestades da vida
Todos nós temos momentos difíceis, momentos tempestuosos, nos quais temos que atravessar a escuridão da vida ou a escuridão de nosso próprio interior. Nestes momentos parece que vivemos num universo hostil, e que se há algum Deus, este não mais estaria olhando para a gente.
Certo dia, numa aula de técnicas psicológicas, a professora nos pediu que realizássemos uma tarefa de arteterapia que expressasse como estávamos naquele momento. Lembro-me de ter imaginado e desenhado um barco, que navegava num mar revoltoso, em uma grande tempestade. As ondas ameaçavam o barco, ele balançava, parecia até que não poderia resistir. No entanto, mais além da tempestade, havia mares tranquilos, onde o barco novamente navegaria abençoado pela luz do sol.
Lembro-me de Stanislav Grof, que junto à sua esposa Christina Grof, escreveram um livro chamado a tempestuosa busca do Ser. Para atingirmos nosso Ser, para vivermos níveis de consciência mais elevados, temos que passar às vezes por momentos de crises. Eles são também oportunidades de analisarmos onde ainda estamos errando, em quais aspectos ainda estamos inconscientes, nos afastando de nosso verdadeiro ser mais profundo.
A Tanatologia nos ensina que para evoluirmos temos que passar por muitos ciclos, de morte e renascimento psicoespiritual, nos quais temos que abrir mão de nosso passado, de nossas atitudes, de nosso orgulho e egoismo, para podermos evoluir, renascer, iniciando um novo ciclo de desenvolvimento. Ao contrario da visão exclusivamente evolucionista, que diz que a meta da vida é apenas crescer e crescer, a Tanatologia ensina que devemos nos transformar, morrer para poder renascer, devemos atravessar as tempestades interiores até chegarmos em mares tranquilos. No entanto, mesmo que na mais forte tempestade, o sol do Ser verdadeiro continua a brilhar, apenas nós não percebemos, afastados que ainda estamos de sua luz. As marés mudam, tudo se transforma. No entanto o Ser, o sol, é o mesmo, apenas muda nosso modo de nos relacionar com ele, o modo de consciência no qual estamos vivendo.
Apenas as ilusões morrem. O que é forma, o que pertence ao mundo manifesto, está sujeito a infinitas transformações, que são morte e renascimento. O Absoluto, que está além de nossa compreensão, tão longe quanto o sol está de nossas mãos, este não passará, é a única coisa que está além da lei da mudança.
Dizia um mestre que os velhos navegantes aprenderam esta lei da transformação, e por isso eles podem se entregar, fluindo sem se abalar nas tormentas e, nos dias de sol, fluindo sem acreditar que sempre terão mares tranquilos. Aprenderam a navegar com fé inabalável no fluxo da vida.
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