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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

EFT Emotional Freedom Techniques

A Técnica de Liberação Emocional
Acupuntura emocional sem agulhas


Apesar de ter uma longa caminhada no campo da espiritualidade e do autoconhecimento, muitas vezes pude me perceber estagnado devido a questões emocionais do passado ou do presente. Memórias de infância quando sofre bullying por ser gordinho, Memórias de relacionamentos que não deram certo, memórias de coisas ruins que amigos me fizeram ou disseram, ou mesmo experiências negativas vividas com minha família. Estas foram algumas das experiências às quais pude limpar e tratar através da EFT, a técnica de liberação emocional sem agulhas.

Quando passamos por uma experiência emocional forte, negativa ou carregada, de alguma forma acumulamos esta experiência em nosso corpo. Nossos canais energéticos, aqueles mesmos utilizados pela acupuntura, ficam bloqueados, e nossa energia vital não pode circular, deixando emoções acumuladas que são transformadas em cansaço, ansiedade e desequilíbrio emocional.

Pelo caminho da EFT, podemos transformar os bloqueios emocionais em saúde e energia disponível, para o nosso desenvolvimento e evolução, para nossas relações e trabalho. Assim, não carregamos emoções negativas connosco, não seremos mais bloqueados nos momentos mais importantes de nossa vida pessoal ou profissional. Podemos viver com mais Liberdade e paz pessoal.

A Acupuntura emocional sem agulhas também pode trabalhar a cura de traumas, perdas e luto, medos e fobias, compulsões e vícios, ansiedade e depressão, agitação e cansaço, fazendo melhorar nossa saúde e qualidade de vida. Podemos trabalhar nossa prosperidade, gratidão, satisfação, bem como a transformação de crenças negativas em crenças positivas e apoiadoras. Podemos viver uma vida melhor, de muito mais qualidade e liberdade emocional para ser o que realmente somos. Por favor, dê este presente para você! Realizamos também ATENDIMENTO ON-LINE! Consulte-nos como e marcamos.

VOCÊ PODE VIVER MAIS ENERGIA E EQUILÍBRIO!






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Florais de Saint Germain

A terapia com os Florais de Saint Germain é uma forma de trabalhar a nossa integralidade humana através da Sabedoria das Flores. Desde a antiguidade os povos procuravam na natureza aquilo que poderia trazer a cura, a saúde e o equilíbrio. Na modernidade, foram desenvolvidas novas formas de aproveitar essa sabedoria da natureza de modo a proporcionar bem-estar, equilíbrio e qualidade de vida.

A Terapia com Florais é feita sob medida para cada pessoa trabalhando em seus corpos energético, físico, sutil e emocional. O potencial curativo das Flores é utilizado para promover a saúde, a cura e o equilíbrio de uma maneira integral.

Os Florais de Saint Germain contém Essências para trabalhar cada um dos chacras, bem como situações de desequilíbrio como ansiedade, medos, insônia, estados depressivos, preocupações, angústia, dentre outros estados emocionais. Promovem a transformação integral e o desenvolvimento das potencialidades pessoais visando a evolução do ser e o desenvolvimento de sua essência. 

Experimente, o melhor da natureza espera por você! 




VOCÊ PODE VIVER MAIS SAÚDE E EQUILÍBRIO!


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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Radiestesia



Vivemos atravessados por forças que às vezes são imperceptíveis aos nossos sentidos. Somos, sem o saber, atravessados por ondas de formas magnéticas, impulsos elétricos, tensões geopáticas, além de interferências desconhecidas de nossas dimensões emocional, espiritual ou mesmo física, seja pelo que comemos, o lugar onde moramos ou os traumas que vivemos. Mas podemos encontrar a harmonização e o melhor caminho para a cura.



A Radiestesia é uma ferramenta através da qual o terapeuta interage através do campo magnético de seu cliente, sendo capaz de investigar desequilíbrios de ordem física, emocional, espiritual e também da ordem de campos elétricos e magnéticos invisíveis que nos rodeiam. Pode servir para indicar, também, o tratamento mais adequado. A análise é feita à distância, e o resultado pode ser trabalhado presencialmente ou através do meio de comunicação mais conveniente, como email, SMS, Whatsapp, etc.



A Radiestesia pode inferir se apresentamos desequilíbrios emocionais e por que são causados, pode apontar para tendências de desequilíbrios físicos para nos cuidarmos preventivamente, pode descobrir a raiz de doenças desconhecidas. Para quem acredita na dimensão espiritual, pode indicar traumas de vidas passadas, fenômenos de obsessão, trabalhos de magia conscientes ou inconscientes. Mais importante: indica tratamento, cura e caminhos para equilíbrio e harmonização. Pode indicar também as chamadas geopatias, desequilíbrios e tensões magnéticas da casa em que moramos, objetos, eletrônicos ou mesmo do local de trabalho, leitura que pode ser utilizada para uma melhor disposição da mobília, e também indicativa de meios para sanar os ambientes. 


No atendimento, podemos indicar tratamento através de Florais de Bach e de Saint Germain, Terapia com Cristais, Aromaterapia, Fitoterapia e Homeopatia. Fazemos visitas (em Fortaleza) para analisar ambientes domésticos e profissionais. Realizamos também ATENDIMENTO ON-LINE! Consulte-nos como e marcamos. 



VOCÊ PODE VIVER MAIS HARMONIA!


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domingo, 8 de junho de 2014

Projeto Meditações Dirigidas


Olá, eu sou Pedro Possidonio, sou Psicólogo e Terapeuta.


Estou desenvolvendo este novo projeto que consistirá em publicar vídeos de meditação ou visualização dirigida. Estes são exercícios para o desenvolvimento pessoal, e sua base está principalmente nas técnicas da Hipnose, PNL, Coaching, Psicologia, Constelações Familiares, Terapias Holísticas, dentre outras disciplinas para a transformação da consciência.


A Meditação Dirigida (ou visualização dirigida, dentre outros nomes), diferente da meditação oriental, é uma técnica para ocidentais, a qual consiste em trazer imagens de metáforas terapêuticas que vão despertando nossos recursos inconscientes para desenvolver nossa consciência, nos alinhando para viver a transformação pessoal, interiormente e exteriormente, inconsciente e conscientemente, nos fazendo despertar recursos para a cura, transformação e evolução, para viver mais qualidade de presença, de inteireza em nossas vidas.

ATENÇÃO: Estes exercícios NÃO substituem o trabalho de médicos, psicólogos, terapeutas e demais profissionais de saúde.


Por mais que seja interessante vivenciar estas experiências em vídeo, elas não se comparam a um processo vivencial de transformação acompanhado por um profissional qualificado. Estes videos são apenas um convite para que você possa sentir o gostinho de viver a transformação internamente e possa investir muito mais em você. Um processo terapêutico vai muito além destes vídeos, além de ser individualizado e mais adequado a cada necessidade e personalidade. Só para termos uma ideia: enquanto que numa sessão personalizada temos no mínimo 50 minutos, estes vídeos tem cerca de 15 a 20 minutos, não se comparando portanto a tudo aquilo que você possa viver em um processo terapêutico de or exemplo quatro ou oito sessões. 


O propósito destes exercícios é nos fazer despertar para a possibilidade de vivermos uma vida de mais qualidade, presença, plenitude, uma vida de significado onde você possa desenvolver seus potenciais e viver sua realização!


A proposta de vídeos de meditação, visualização ou hipnose no Youtube não é nova. Pretendemos com este projeto, no entanto, contribuir para que mais pessoas possam vivenciar um gostinho destas experiências de transformação e para promover experiências para os que queiram saber como funciona este processo. Além disso, destacamos a importância destes vídeos para o próprio desenvolvimento do autor e divulgação de nosso trabalho. Indicamos, para quem quiser se aprofundar ou ver mais vídeos (que nos inspiram e dos quais somos imensamente gratos), canais do Youtube como os de Laércio Fonseca, André Pércia, Luiz Gasparetto, Flávia Melissa, Arly Cravo, Paulo Vieira, Eckhart Tolle, Osho, Prem Baba, dentre outros.

Este autor é completamente apaixonado por autodesenvolvimento e transformação humana. Espero que você possa se apaixonar também por viver sua mudança interior, e que sua vida possa cada vez mais se transformar significativamente. Desejo a você os mais belos níveis de expansão e de realização. Que o Amor possa triunfar em nossas vidas e em nossas consciências. Que a luz do Verdadeiro Ser possa brilhar em nossas vidas!







Para ver todos os videos, acesse
nosso canal no YOUTUBE: clique aqui!

Para conhecer melhor nosso trabalho, acesse nosso site:
http://pedropossidonio.wix.com/terapeuta.



ACESSE AQUI NOSSO NOVO BLOG,
REALIZAÇÃO HUMANA:
http://realizacaohumana.blogspot.com.br/




segunda-feira, 12 de maio de 2014

Palestra sobre Psicologia, Espiritualidade e Realização Humana



Este texto é um breve resumo de nossa palestra sobre Psicologia, Espiritualidade e Realização Humana, realizado no espaço Criar no dia das mães, 11 de maio de 2014. Videos mais abaixo.


Em nossa apresentação, trazemos inicialmente a relação entre Psicologia, Espiritualidade e Realização Humana.

Quando eramos apenas estudantes no curso de Psicologia na UFC, sempre tivemos o interesse de pesquisar a relação entre Psicologia e espiritualidade, e já no final do curso despertamos para as implicações destas pesquisas para nossa vida, para que possamos viver uma vida de mais plenitude, de relacionamentos significativos e de níveis mais elevados de realização. 

Muitas vezes, colocamos fora de nós a nossa realização, deixando para depois, quando eu tiver as formações certas, o trabalho certo, as pessoas certas ao meu lado, etc. Não percebemos que este momento, aqui e agora, é rico de plenitude e de infinitas possibilidades de viver nossa realização. A caminhada para a construção da realização humana deve ser feita passo a passo, a cada dia, a partir do que temos hoje, sempre percebendo que nossa realização na verdade se trata de encontrar dentro de nós aquilo que procuramos. O que procuramos fora devemos encontrar dentro de nós. Neste olhar para dentro poderemos despertar recursos para desenvolver nosso potencial e viver nosso caminho de autorrealização.

E são muitos os caminhos de autoconhecimento, as terapias, as jornadas de transformação, pois cada pessoa é diferente, cada um de nós é um universo. Devemos encontrar aquele caminho e seguir o exemplo daqueles mestres que fazem vibrar nosso coração, que fazem despertar em nós a nossa capacidade de amar, que fazem despertar em nós o entusiasmo e a motivação de realizar nosso potencial, nossa plenitude, a totalidade de nosso Verdadeiro Ser.


Assista mais a seguir.


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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Das flores ocultas

Certo dia, um homem retornou a seu jardim. E foi então que ele percebeu que, passados vários meses em alegre esquecimento, tinha-se tornado indolente, o que permitiu que várias ervas daninhas crescessem. Ele teve então de dedicar-se ao exigente trabalho de arrancá-las uma por uma, e foi um longo trabalho, o que exigiu dele preciosos dias.

Quando o sofrimento e a dor atingir o jardim de sua alma, saiba que é uma oportunidade de retirar as ervas daninhas como o orgulho, o medo, a auto-importância, as ilusões dos falsos caminhos.

Os antigos diziam que o sofrimento é uma forma de Deus modificar nossa vida, em vez de pedir para que Ele mude seu destino. 

Cada sofrimento que a vida nos trás é uma oportunidade de despertarmos das ilusões que criamos para encontrar nossa verdade mais profunda, como flores ocultas a iluminar os caminhos de nossas vidas. O sofrimento é como o fogo transformador, a aperfeiçoar as preciosidades de nossas almas. 

Não tratamos aqui de apostar na infelicidade ou na felicidade, mas sim de procurar a integração entre os opostos, os dessabores e as alegrias da vida: podemos viver a cada momento o desenvolvimento de nossa consciência, de nossa presença, podemos utilizar ABSOLUTAMENTE TUDO o que nos acontece como uma oportunidade de cultivar nosso Verdadeiro Ser.

Continue a caminhada.




Deitar-me faz em verdes pastos.
Somente a Ti cultivarei os jardins de minha alma.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Eu e Tu: A Alquimia dos Relacionamentos

Atualmente, tenho pensado na psicoterapia como uma arte do encontro humano. Entretanto este encontro, vivo e verdadeiro, acontece para além da psicoterapia. Quando duas pessoas verdadeiramente conseguem se encontrar, acolhendo sua igualdade na diversidade, a transformação, o crescimento acontece. Para falar deste tipo de relação vamos utilizar o suporte do autor e filósofo Buber. Martim Buber foi um filósofo judeu alemão que escreveu uma obra fantástica, leitura recomendada a todos: o livro "Eu e Tu", uma grande obra, um convite ao relacionamento humano vivo e verdadeiro.

Buber nos ensina que há dois tipos de relações, as relações Eu-Isso e as relações Eu-Tu. As relações Eu-Isso acontecem quando nos relacionamos com a nossa perspectiva mais categórica, classificando, rotulando, significando o mundo, as experiências e as pessoas. Acabamos por reificar ou coisificar o mundo para que ele se torne passível de um interpretação, para que nós tenhamos alguma elaboração do que foi vivido. Sem este tipo de relação, jamais nenhum conhecimento seria possível, nunca saberíamos, por exemplo, que o dedo na tomada pode nos dar choque, nem jamais teríamos descoberto a eletricidade. O problema é quando passamos a tratar as pessoas e a vida como um Isso: a vida nada mais é que Isso, seja qual for o dogma ou interpretação. E o fulano? Lá vem ele, eu já sei que ele é Isso... Perdemos a magia, o encantamento, o desconhecido do Ser que se revela na relação viva com a vida.

As relações Eu-Tu, por sua vez, acontecem quando estamos verdadeiramente abertos ao outro, ao mistério que ele pode representar... Eu-Tu é sempre um encontro, vivo, verdadeiro, significativo e transformador. Eu-Tu acontece quando não estamos julgando e rotulando, mas sim estamos abertos ao que o outro tem a dizer, a revelar, a expressar, abertos à magia do Ser e da Vida que se expressa através do outro. O mais interessante é que Buber nos trás a ideia de que Tu é sempre algo que nos faz abrir para a dimensão do encontro: assim, Tu podia ser, para o filósofo, outra pessoa, a natureza ou o sagrado.

Isto me faz pensar na perspectiva de Jung sobre o relacionamento. Para ele, a alquimia era capaz de simbolizar de maneira fantástica a jornada interior do Ser em direção a Si-mesmo. No entanto Jung também utilizava a alquimia para simbolizar o que acontecia no relacionamento humano. Quando duas personalidades reagiam, dizia ele, os dois se transformavam, atingindo níveis mais elevados de consciência, o que é a essência do processo terapêutico na sua abordagem clínica. Duas almas humanas se encontram, duas personalidades crescem e se transformam.

Voltando a Buber e a sua ideia de Tu como outro ser humano, como natureza e como sagrado: isto nos faz pensar sobre um simbolismo da sabedoria chinesa que é muito apreciado por nós, do qual sempre estamos falando mas cujo paralelo só foi percebido justamente num encontro com um amigo, Ricardo Ribeiro. 

A sabedoria chinesa dividia o ser humano e o cosmos em três dimensões: céu, terra e homem, conforme nos mostra, por exemplo, o livro Em busca de uma Psicologia do Despertar, de John Welwood. Também aprendemos sobre este simbolismo na escola de PAKUA, onde praticamos Tai Chi Chuan, com Mestre Lairton. Céu é a dimensão dos sonhos, da imaginação, da intuição, da fantasia e dos pensamentos. Terra é a dimensão do trabalho, dos resultados, do processo em devir, do exercício e da realização humana. E homem é a dimensão do coração, a dimensão humana por excelência, onde vivemos relacionamentos significativos e amorosos, a integração, a ponte, a comunhão. Assim, percebemos o paralelo de Buber e do simbolismo chinês: Tu como o relacionamento com a natureza(terra), como o relacionamento com o divino(céu) e como o relacionamento com outro ser humano(coração).

Assim, para viver nossa totalidade humana, devemos viver estas três dimensões em nós. Podemos viver a dimensão Terra: viver nossa profissão, nossos projetos, nosso trabalho, nosso caminho de realização e nossa relação contemplativa com a natureza, com uma vida plena e saudável, com exercícios físicos, alimentos vívidos e em contato com a natureza como nas praias, no mar, nas serras, nas águas das cachoeiras.

Podemos viver em nós também a dimensão do Céu: descobrir o sagrado em nós, o mistério desconhecido do qual fazemos parte, o sonho, a fantasia, a meditação, a arte, a música, a filosofia perene, a poesia e a dança. Viver um relacionamento mais profundo e mais espiritual com nosso verdadeiro Ser, descobrir o que Ele quer de nós, qual é a nossa missão, qual é o Sentido, o propósito mais profundo de nossas vidas.

E podemos investir a viver, por fim, a integração no coração: amar as pessoas, viver relações significativas e construtivas, investir no desenvolvimento pessoal e de nossa capacidade de amar e de nos relacionar com mais consciência. Viver o perdão, a cura e a libertação, viver o amor e a gratidão, aprender a nos conectar com nossa essência amorosa, nosso verdadeiro eu amoroso que habita em nosso coração. 

Sejamos Amor!

Viver Relações Significativas



Ultimamente tenho refletido sobre a importância dos relacionamentos em nossas vidas. Não é à toa o que eu estou pensando, haja vista que talvez 90% das pessoas que passam por nós quando escolhemos o caminho da Clínica com Psicologia ou Terapias estão direta ou indiretamente trabalhando questões ligadas aos seus relacionamentos.

Acredito verdadeiramente que viver relacionamentos humanos mais vivos e mais significativos seja possível. Acredito que a Terapia realmente oferece inúmeros caminhos para, na medida em que vamos nos aprofundando em nosso desenvolvimento pessoal, aprofundarmo-nos nos nossos relacionamentos. Quanto mais somos verdadeiros e transparentes com nós mesmos, mas o somos com os outros. Quanto mais aprendemos a nos amar, a amar e reconhecer nosso Verdadeiro Ser, nossa essência amorosa, mais vamos encontrando pessoas, situações e relações significativas. O mundo exterior é sempre um espelho do mundo interior.

A grande jornada interior de autoconhecimento nos ensina que somos parentes de todo o universo. Nosso Verdadeiro Ser, ou nossa essência, é uma dimensão profunda em nós que está além de nosso ego, e só pode ser descoberta e vivenciada a partir de um processo interior de autoexploração, o qual pode acontecer com a arte, com os ensinos da sabedoria perene e de todos os mestres que passaram pela Terra, com a religiosidade viva e verdadeira ou com processos terapêuticos, jornadas de autoconhecimento. Nosso papel como facilitadores, psicólogos, terapeutas é, além de estar sempre caminhando neste processo de descoberta interior, possuir a capacidade de guiar as pessoas por estes desconhecidos caminhos nas abissais profundezas humanas.

Para aprendermos a viver relações significativas, primeiro devemos iniciar um processo profundo e sincero de relacionamento conosco mesmos. Explorar a escuridão interior, limpar as feridas até descobrir a dimensão mais profunda do Ser em nós, criativa, amorosa, espiritual e cósmica. A jornada tem apenas inicio, não há final, pois ao aprendermos a nos relacionar com o Ser, percebemos a Ele como sempre um Outro, um desconhecido se revelando continuamente, se recriando, se expressando criativamente, criando símbolos, vivendo novas experiências como uma criança a sempre desbravar um mundo encantado.

Ao encontrarmos o Outro em nós, encontramos o Outro também no outro. Ao aprendermos, aos poucos, a nos relacionar conosco, ampliando nossa consciência de nosso cosmos interior, vamos aprendendo a nos relacionar com as pessoas, e cabe a cada um em seu processo escolher o quanto quer viver relacionamentos significativos e amorosos, o quanto quer investir nesta jornada de autoexploração interior. Gosto da ideia de viver uma vida com fervor, com devoção, de fazer com que cada um de nossos relacionamentos se torne sacramentado, sacralizado, sagrado, na medida em que vemos o ser divino que em cada pessoa habita, mesmo estando este mais adormecido ou mais desperto. 

Cada pessoa é um espelho, e nossas relações são um espelho de nós mesmos. Cada situação é um professor. Quanto mais avançamos na nossa jornada de individuação, de nos tornar nós mesmos, mais aprendemos a interdependência de tudo com tudo, de que eu sou conectado a todas as coisas, de que eu sou todo o universo. Nós não nascemos humanos, nós nos tornamos humanos; e nossa humanidade está justamente em aprendermos o caminho do relacionar consciente, viver o amor e a conexão amorosa, viver relacionamentos de crescimento, relações significativas e de qualidade com o maior número de pessoas que nos seja possível. Fazer triunfar o amor, fazer florescer o amor. Love is all we need!


domingo, 5 de janeiro de 2014

Como tudo deve SER!

As experiências que tenho vivido ultimamente têm feito vir constantemente à cabeça a frase "Como tudo deve ser"! É que às vezes, em nossa vida, não entendemos os caminhos pelos quais nossa realização interior vai acontecendo. Lembro de uma vez, no inicio da faculdade, quando quis entrar em um grupo na Psicologia e não fui aceito, fiquei chateado, mas, a seguir, nos seis meses seguintes, foi criado o grupo ao qual pertenci pelo resto da faculdade, o COSMOS, onde pude desenvolver meus estudos e vivências em Psicologia e espiritualidade e, mais que isso, encontrar, realizar, desenvolver quem eu verdadeiramente sou. Se eu tivesse passado pro grupo que eu egoisticamente queria entrar, provavelmente não teria desenvolvido meu potencial, vivido aquilo que tinha de ser. Mas o que acontece em nossas vidas leva-me a afirmar que é "Como tudo deve ser"! 

Assim, nos fracassos do nosso ego, nos momentos de crise, nos quais nossa vida momentaneamente perde o sentido, temos a maravilhosa oportunidade de descobrir na escuridão uma nova luz, atravessar o deserto em busca de si mesmo, nosso Verdadeiro Ser. E é então que encontramos as pessoas certas, os livros certos, os cursos certos, os lugares certos que nos podem fazer evoluir, prosperar, viver nosso caminho de cura, de autodescoberta e de realização. 

A palavra chave de nosso texto hoje é, então, ACEITAÇÃO! Não como uma resignação fatalista da vida, mas sim com a colaboração da nossa parte com o que deve ser, com os planos da vida que são maiores do que nós e nos atravessam. Devemos desenvolver, sim, a percepção de que existe uma inteligência infinita governando nossas vidas, uma harmonia oculta, uma ordem implícita. Devemos aprender a colaborar, aprender a escutar aquilo que a vida quer de nós e a nos desenvolver em níveis mais elevados de consciência, em níveis mais elevados de amor. E existe uma harmonia, uma magia, uma beleza, todo um mistério a ser por nós descoberto! É como se afirmássemos: "vem Espírito! vem realizar-se na minha vida!", assim nos entregando a este fluxo, a esta dança do oceano de amor que nos envolve, que podemos entender como Deus, como Energia, como Vida, como Mistério, ou como melhor for da sua interpretação. 

Assim, passo a passo, vamos encontrado tudo aquilo que vai nos fazendo descobrir a nós mesmos, descobrir nossa essência amorosa, quando escolhemos nos abrir e dizer Sim! aos projetos da Vida que nos atravessa. Então, tudo acontece exatamente "Como tudo deve SER"!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Transformar o sofrimento em Realização!

Encerrando este longo ano de 2013, há um antigo conto samurai que gostaria de compartilhar com vocês para iniciarmos nosso diálogo de hoje.

Na velha China, contava-se que um samurai, depois de ter sido derrotado numa importante provação, vagou sem rumo pela floresta, apresentando ansiedade, pensamentos confusos, enfurecido e sem querer aceitar a derrota.

Em certo momento, ele parou frente a um lago que encontrou no seu caminho e lançou violentamente uma pedra contra as suas águas, que se agitaram violentamente. O samurai ainda com raiva e ressentido, percebeu algo e refletiu:

- “Mesmo ofendido e perturbado com a pedra a qual atirei, em instantes o lago recompôs sua serenidade, retornando a um estado de tranquilidade que talvez pareça maior que o inicial."
Guardando em seu coração o ocorrido, certa feita foi ter com seu velho mestre espiritual, com o qual pode compartilhar o ocorrido, ao que o mestre lhe respondeu: 

- “O Lago faz com que a pedra se perca na sua grandeza e profundidade, logo, é como se tivesse sido atingido por nada. O lago conserva em si o silêncio, e não as queixas. Eis o segredo de sua serenidade”. 
 
O Samurai curvou respeitosamente em gratidão para o mestre e declarou: 
- “Hoje aprendi um grande ensinamento com as águas silenciosas daquele lago”!


Certos momentos de nossa vida são desafiadores, e quando chegamos ao final do ano, tenho a certeza de que todos podem olhar para trás e perceber os muitos desafios os quais tiveram de enfrentar para chegar até aqui. Da mesma forma que o samurai, precisamos aprender a vivenciar momentos em que nossa mente possa silenciar através da total entrega, da música, da arte, da dança, da meditação, da oração, da contemplação da natureza, dos ensinamentos dos antigos mestres. Creio, porém, que o ensinamento mais precioso para o qual este velho conto aponta é o de que podemos transformar criativamente qualquer situação difícil em uma oportunidade de realização do nosso ser por inteiro, situação chamada pelo psicólogo Viktor Frankl de otimismo trágico. Frankl ressaltava que podemos transformar sofrimento em realização, na medida em que encontramos um sentido pelo qual viver.

Em nossa sociedade atual, muitas vezes somos puxados para fora de nós, para viver as necessidades de adaptação exterior. Porém, quando nos esquecemos de nossa alma, adoecemos. Fazemos isso muitas vezes procurando viver apenas o útil, o trabalho, a correria e todos os subprodutos de nossa mente lógica e racional. Esquecemos, no entanto, da nossa mente criativa, que está além do ego e da dimensão racional. Afastamo-nos daquilo que pode alimentar a alma sob o pretexto de que é inútil: é inútil a música, é inútil a poesia, é inútil a filosofia, é inútil a espiritualidade, é inútil a dança. E assim, aos poucos, vamos morrendo em vida, deixando de lado todas as coisas as quais mais amamos, as que alimentam nossa alma.

Jung afirmava que o ser humano de nosso tempo perdeu a capacidade de autorregulação psíquica, de naturalmente reequilibrar-se nas situações difíceis da vida. Queremos tudo para já, e, no entanto, a vida exige de nós que possamos aprender a paciência para deixar as sementes que plantamos amadurecer. Tudo que acontece sob o céu tem seu tempo e, quando aprendemos a nos sintonizar com as leis inconscientes da vida, como dizia Jung, podemos aprender a esperar o momento certo de tudo, e podemos aprender que os momentos difíceis da vida podem ser transformados em crescimento e realizações.

E o mais importante, talvez, seja encontrarmos um lugar em nós que independa de nossos momentos difíceis ou tranquilos, nosso centro. No contato com a nossa alma, aprendendo a escutar, a dialogar consigo mesmo, podemos aprender a guardar aquele silêncio do qual fala o mestre da nossa história, aprender a encontrar um sentido pelo qual viver, como dizia Frankl, transformando todas as dificuldades em incentivo para nossa realização. Podemos aprender a estar mais em contato conosco mesmos, descendo simbolicamente um tanto da cabeça para o coração, fazer a passagem da consciência de nosso eu limitado para nosso Ser ilimitado. Depois nos resta, mais uma vez, seguir nosso caminho. Aprendendo, ensinando, amando, caminhando, sendo o que se é.



Desejamos a você um excelente ano de 2014! 
Que seja repleto de realizações a partir de seu Verdadeiro Ser!
Que você possa seguir o fluxo de amor em seu coração!

domingo, 15 de dezembro de 2013

A Unidade Corpo e Psique



A mente de um sábio é aquela que vive na unidade, somático e psíquico, corpo e alma, numa sagrada ioga, numa unidade e totalidade. A palavra hindu ioga significa união, no ensinamento do Professor Hermógenes (s.d.). O mesmo podemos dizer de Tai Chi, termo chinês para união dos opostos. Muitos são os estudos da psicologia ocidental para estabelecer a relação entre mente e corpo, e escolas como a Bioenergética e a Gestalt apontam para a unidade psicossomática. Também estudos junguianos foram feitos no sentido de estudar a unidade entre corpo e psique.

O objetivo destas nossas breves considerações é estabelecer uma relação existente entre psique e corpo, tendo em vista que estas dimensões do ser humano são marcadamente constituídas quando ele encontra-se em relação, em sociedade. Assim, falamos que o ser humano possui uma multidimensionalidade que é corporal e biológica; social, cultural e histórica; psicológica, emocional e mental; e, também, simbólica, arquetípica, espiritual. Estamos propondo um ser bio-psico-socio-espiritual, acreditando que nenhuma destas dimensões pode ser excluída ao querermos analisar e compreender as multidimensões do fenômeno humano. Nós analisaremos esta multidimensionalidade a partir da interrelação corpo e espírito, formando estes dois, simbolicamente, uma totalidade, e, para isto, traremos considerações da Gestalt-terapia, da Psicologia Analítica e da Bioenergética.

A princípio, quando analisamos a unidade corpo-psique pela Gestalt-terapia, encontramos em PONCIANO (1994) que a relação terapêutica é uma relação que ocorre dentro da multidimensionalidade que são tanto o terapeuta como o cliente. Assim, terapeuta e cliente encontram-se tanto em suas dimensões corporais como psicológicas, trazendo também suas dimensões sociais e espirituais para a relação, uma totalidade humana indissociável. A relação se daria em todo um campo energético que envolveria dimensões visíveis e conscientes e também dimensões invisíveis e inconscientes. Para o autor, o corpo traria em si o inconsciente do paciente, através de uma linguagem corporal que expressaria aquilo que o cliente é, por mais que ele não tome consciência disso. Assim, para além de considerar o discurso, a fala, a dimensão consciente, a visão holística que busca a Gestalt-terapia pretende integrar também o corpo, na dimensão da terapia individual, e o grupo como um todo, na terapia de grupo, sendo que cada membro constituinte poderia servir de reflexo das dimensões inconscientes daquele cliente que está em terapia. O grupo funcionaria como um campo energético de multirrelações com o objetivo de trazer à luz da consciência aspectos até então inconscientes e dissociados. Nesta perspectiva, a doença seria a perda ou afrouxamento dos laços dinâmicos entre estas multidimensões do humano, e acura estaria na recuperação destes laços, o que faz do ser humano um amante, consciente ou inconsciente, de sua totalidade.

Para a Psicologia Analítica, desenvolvida por Carl Gustav Jung, corpo e psique são ambos dimensões do inconsciente. Segundo ZIMMERMANN (2009), o trabalho com a corporalidade pode ser uma forma de trazer à consciência aspectos do inconsciente, que se manifestam no corpo. Ao realizar um trabalho corporal como dança, Ioga, Tai Chi Chuan e tantas outras formas, são produzidos símbolos que tem como objetivo integrar consciente e inconsciente, corpo e psique, promovendo assim maior saúde e conexão com o processo de individuação, tornar-se um, integrar-se com a nossa totalidade. Quando isto não ocorre, o corpo expressa a dissociação e a doença na forma de sintomas. O corpo é capaz de carregar nossos estados afetivos, nossas vivencias, e conectar-se com o corpo é conectar-se também com o núcleo mais profundo da psique, ao qual Jung chamou de Self ou Si-mesmo. O Si-mesmo é psique e é corpo, e a integração do eu com o Si-mesmo, da nossa realidade mais superficial com nossas dimensões mais profundas, pode acontecer através deste diálogo do corpo com a psique, através da expressão corporal.

A Bioenergética é uma abordagem em Psicologia Transpessoal desenvolvida por Alexander Lowen, discípulo de Wilhelm Reich, a partir de estudos sobre a relação entre o corpo e a mente. Em seu “A função do orgasmo”, REICH (2004) postula que há no ser humano uma só energia, o orgônio, que se expressa na corporalidade e no psiquismo. Dizendo de outra forma, corpo e psique seriam expressões da mesma energia vital, a bioenergia. As emoções acumuladas, não vividas e não expressas, tenderiam a se acumular no corpo na forma de tensões, as chamadas couraças de caráter, que impedem o ser humano de se conectar com seu próprio fluxo de energia e de vida. O trabalho da bioenergética, segundo LOWEN (1984), seria combinar exercícios de movimento, meditação e respiração com o objetivo de dissolver estas tensões e restaurar o fluxo da vida, que acontece no corpo e se expressa como movimento, vibração, respiração profunda, flexibilidade, harmonia, leveza e graça. Este fluxo de bioenergia, ao ser restaurado, também encontra expressões cada vez mais elevadas na psique, se manifestando como maior criatividade, autoconhecimento, autoexpressão, afetividade, amor, prazer de viver, integridade e autorrealização.

Seja qual for a abordagem, muitos trabalhos nos mostram que corpo e psique são um só, que a totalidade humana pode ser almejada e passo a passo conquistada através da vivência corporal, com seus afetos, símbolos, com sua energia que pode fazer de nós seres humanos mais vibrantes e realizados, mais integrados e em conexão com a vida. 

Concluímos, então, incentivando nossos irmão de caminhada a cuidar do corpo, nosso templo, nossa casa, onde habita nossa energia de vida. Incentivamos práticas como a dança, as artes marciais, os esportes, principalmente em contato com a natureza, além de práticas respiratórias e meditativas como a Ioga e o Tai Chi Chuan. Aproveite: cuidar de si é cultivar a própria qualidade de vida!



Referências Bibliográficas
HERMÓGENES, José. Autoperfeição com Hatha Yoga. Rio de Janeiro: Record, s.d.
LOWEN, Alexander. Prazer: Uma abordagem criativa da vida. São Paulo: Summus, 1984.
PONCIANO RIBERIO, J. Gestalt-terapia, o processo grupal. São Paulo: Summus, 1994.
REICH, Wilhelm. A função do orgasmo. São Paulo: Brasiliense, 2004.
ZIMMERMANN, Elisabeth. Corpo e Individuação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Como uma prece...

Nesta postagem, gostaria de colocar algumas citações e frases que são como uma oração:


“Cinzenta, amigo, é toda teoria / E verde somente é a árvore/ De dourados frutos/ Que é a vida” (Goethe)

“Assim como é acima, abaixo; Assim com é fora, dentro.” (Tabula Smaradigna Hermetis)

“Conhece a ti memso” (oráculo de delfos)

“Rir muito e com freqüência; ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças; merecer a consideração de críticos honestos e suportar a traição de falsos amigos; apreciar a beleza, encontrar o melhor nos outros; deixar o mundo um pouco melhor, seja por uma saudável criança, um canteiro de jardim ou por uma redimida condição social; saber que ao menos uma vida respirou mais fácil porque você viveu. Isso é ter tido sucesso.” (Ralph Waldo Emerson)

“Amados, se Deus assim no amou, também nós devemos amar uns aos outros.” (I JO 1:11)

“E a tua vida mais clara se levantará do que o meio dia; ainda que haja trevas, será como a manhã”.
“E terás confiança, porque haverá esperança; olharás em volta, e repousarás seguro”.
(JÓ 11:17-18)

“Possa eu estar preparado para tomar nas mãos o sofrimento dos outros; possa eu dar a eles meu bem-estar e minha felicidade” (Livro Tibetano do Viver e do Morrer, p.282)

“E tudo quanto fizerdes, fazei de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens.” (Colossenses 3:23)

“Apaixonar-se por Deus é o maior dos romances; procurá-lO, a maior aventura; encontrá-lO, a maior de todas as realizações” (S. Agostinho)

“Em verdade eu te digo que aquele que Me vê em tudo e todo o universo em Mim, nunca Me abandonará e nunca será por mim abandonado. Para sempre estará ligado a Mim, pelos laços preciosos do AMOR”. (Bhagavad Gita, c.30)

Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda.” (C.G.Jung)

“Para nós, tratar com o inconsciente é uma questão vital – uma questão de ser ou não ser espiritual.” (JUNG, CW vol.IX/1)

“A verdade é uma só. Os sábios falam delas por muitas palavras.” (VEDAS).


UMA REFLEXÃO SOBRE A PACIÊNCIA

Um dia, o discípulo encontrou-se com seu mestre aos pés de um belo riacho. O mestre parecia mergulhado no silêncio, enquanto que a turbulenta alma do discípulo estava preocupada com o dia de amanhã, na incerteza do que poderá trazer o futuro. Decidiu interrogar ao mestre sobre qual conduta tomar para acalmar seu coração.

- Uma parte de nós deseja que as nossas questões se resolvam logo, que a vida ande para frente. Mas parece que o Universo anda em outro ritmo, bem devagar, no seu próprio tempo, o que faz com que criemos sofrimento com a impaciência. Então, Mestre, como ter mais paciência?

- A paciência é a confiança no Verdadeiro Ser. Na prática de tiro com arco, você pode visualizar um arqueiro que puxa a flecha, mas não a solta, pois deseja controlar os resultados. Assim tem sido na vida de muitas pessoas, e na sua também. Como a criança que não deixa a plantinha crescer por estar sempre abrindo o buraco para olhá-la, vocês não deixam a vida germinar, o que demanda tempo, pois não dão o espaço apropriado para que a velha semente possa morrer e para que a nova planta possa surgir. A vida surge da morte, e esse jamais poderá ser um processo indolor.

O Verdadeiro Ser vai surgindo reluzente na medida em que a escuridão e o ego vão morrendo. Mas, para o ego, abrir mão é morrer, e ele não fará isso. É somente no Verdadeiro Ser que podemos experimentar a paciência. E o caminho para se ter paciência é sentir gratidão por cada etapa do processo.

A mãe carrega com paciência o bebê no útero, e ainda assim ela vive saudavelmente o processo de espera, na medida em que sente gratidão por cada etapa. A árvore tem paciência, e somente produz frutos no momento propício, expressando sua gratidão pela vida. A natureza é sábia, pois é símbolo de harmonia e perfeição Daquela Inteligência Infinita que a criou, o Grande Mistério inominável. Mesmo os que não acreditam em um deus, devem observar que há na Vida uma Inteligência Suprema que nos ultrapassa. Observar o milagre da vida e sentir gratidão nos harmoniza novamente com o fluxo do Universo, e sentir gratidão por cada uma das mais simples manifestações da Natureza Sagrada nos faz sentir conectados com o que verdadeiramente somos, aqui e agora, pois nós somos um só com a Natureza Sagrada.

A paciência é como fruto desta sublime conexão, quando, com as mãos em prece, dizemos GASSHO, NAMASTÊ ou AMÉM, eu me entrego à Vontade que é maior que minha vontade, eu saúdo o que há de mais sagrado na vida, dentro, fora e através de mim, eu me entrego à não ação, a wu wei, pois esvazio-me de mim mesmo, e permito que somente a ação inspirada pelo Verdadeiro Ser possa surgir através de mim.

Cada um de nós é como um canal do Verdadeiro Ser, como o vazio do bambu, a serviço do amor e da vida. Podemos resistir ao fluxo de amor e nadar contra a corrente, feito ego impaciente, mas também podemos conscientemente nos entregar ao fluxo de TAO, ao fluxo de energia e de vida, e nos sentir gratos na medida em que participamos deste mistério que nos ultrapassa, sentir gratidão por sermos os canais da energia universal que nos quer utilizar sempre e cada vez mais para espalhar sabedoria, paciência, gratidão, cura, presença, todos os frutos, enfim, de uma vida com bases bem fundamentadas no transpessoal AMOR.


UMA REFLEXÃO SOBRE A SOLIDÃO

Certa vez, um discípulo caminhava pela floresta que conduzia ao templo de seu mestre. Sua alma estava dolorida pelo período de solidão ao qual enfrentava. Ao receber o discípulo, o mestre conduziu-o por uma meditação para suavizar e acalmar sua mente, e seguiu-se o diálogo:

- Mestre, parece-me que às vezes agimos baseado no medo da solidão. Atuamos utilizando máscaras, as quais estão mais de acordo com o que os outros esperam de nós do que o que realmente nos indica a voz de nossa intuição, o chamado de nosso Ser mais profundo. Como a sabedoria pode nos ajudar a atravessar o medo da solidão?


- Meu filho, a sabedoria de toda uma vida é como uma flor que nasce dos pântanos da alma. Enquanto a solidão alimenta-se e brota justamente da mesma substância que alimenta as nossas sombras interiores, a gratidão pela vida na contemplação do Ser verdadeiro transmuta em luz de amor todos os medos. Onde habita a gratidão e o amor, não pode haver espaço para o medo. O medo é fruto do egoísmo, a prisão do ego que nos acorrenta e nos impede de dar um passo no rumo de nossa felicidade. Quando estamos no espaço interior a partir do qual sentimos gratidão, estamos como fosse no olho do furacão. Há muito movimento, causado pela mente, pelo ego e pelas sombras. Há o movimento de nossa própria vida encarnados na matéria, que ruge qual a mitológica Babilônia, o grande furacão da inconsciência coletiva, também chamada Maya. Mesmo assim, em meio ao medo, em meio à incerteza ou em meio à dor, podemos conscientemente nos sintonizar com a gratidão, agradecendo os aprendizados do passado e do presente, e desenvolvendo confiança de que nos próximos passos a vida nos trará novos caminhos, afinal de contas tudo é mutação. A vida é rio que corre sempre em frente, então podemos expressar gratidão e fluir junto com o rio, observando sua passagem. As águas do rio não podem ficar presas àquela bela montanha ou àquelas belas pradarias que ficaram no passado, que ficaram para trás. Às vezes as águas do rio devem ser levadas às regiões áridas, representação daquilo que habita em nosso interior e não queremos enxergar. De qualquer forma, elas devem permanecer correndo no fluxo da vida, para desaguar no oceano e cumprir sua meta, culminando assim na autorrealização, no cumprimento de seu propósito mais profundo. A meta da vida é o aprendizado constante, através do desenvolvimento da consciência até que culminemos com nossa entrada consciente de volta a TAO, o que representa a salvação ou a iluminação, como mergulho de dissolução num Oceano de Amor que já está em nós, mas que ainda não conseguimos perceber. A gratidão, a compaixão e o amor é o caminho dos sentimentos nobres que nos sintonizam com o fluxo da Vida, e é a amorosidade de nosso ser essencial um caminho como bálsamo salutar que nos facilita o retorno ao fluxo de TAO, a ser aquilo que nós verdadeiramente somos.

sábado, 9 de novembro de 2013

NADA IRÁ NOS PREENCHER


Nada irá nos preencher. Sim, pois o preenchimento é interno. Pelo menos esta é a tese que quero apresentar neste texto de hoje. A plenitude a qual nós tanto aspiramos só pode vim de dentro de nós, da descoberta e do contato com nosso Ser interior. Muitas vezes tentamos mudar os outros, tentamos mudar a nós mesmos, tentamos mudar o que é. Eu também faço e fiz isso muitas e muitas vezes. Este tipo de atitude caracteriza, no entanto, uma não aceitação do que é, uma desconexão do fluxo da vida. Causa dor e sofrimento para nós e para os outros. E, paradoxalmente, a mudança somente acontece na plena aceitação, quando podemos silenciar nossa mente ou nosso ego e nos assentar na presença de nossa amorosidade essencial. Aceitar o que somos, aceitar este momento. Fluir com o que é. Amar o que é. Amar os outros e ter paciência com os seus limites. Amar o que somos e ter paciência com nossos limites.

Nada vai preencher este vazio que caracteriza nosso ego. Esta sede interior, que vem da desconexão com o verdadeiro Ser, não pode ser saciada com as águas do mundo fora de nós, mas somente com a aqua doctrinae dos alquimistas, a fonte de água viva dentro de nós. Na superfície da vida e do eu, tudo é mudança, tudo é passagem. No verdadeiro ser, nas profundezas do oceano de amor que nós verdadeiramente somos, tudo É, o constante, ilimitado, além do eu, além da forma. "Não se trata de estar amando alguém, mas sim de SER AMOR!" nos aponta o caminho o sábio Osho.



AS FERIDAS DA ALMA

Dentro de nós existe uma criança ferida. Muitas vezes temos vergonha de nossa imaturidade, mas, justamente quando não a percebemos, ela puxa nosso tapete, clamando nossa atenção. Esta criança ferida em nós exige atenção, respeito, dependência dos outros, ser importante ou indispensável. Às vezes, fugimos de nossa dor procurando construir uma auto-imagem idealizada de poder, de serenidade inabalável ou de bonzinho ou boazinha. O que acontece aí, na verdade, na linguagem do Pathwork de Eva Pierrakos, é que estamos procurando falsos substitutos para o amor. O que nossa criança quer mesmo é ser aceita, ser amada, e de alguma forma acreditamos que sendo "alguém melhor" seremos amados, mas não sendo o que eu sou.  

Como eu posso curar minhas feridas? Perguntei e a minha intuição respondeu: "Curando a ferida dos outros"...  É como diz aquela famosa lei: buscai e achareis. Quem fere, fere a si mesmo, quem cura, cura a si mesmo. O que você quer receber da vida, procure dar... Todo o universo é uma interconexão entre dar e receber. Não tenho certeza se esta é uma resposta certa ou definitiva, nem tampouco acredito que seja um caminho universal, mas acredito mesmo que o importante é escutar o chamado de nosso eu interior. Ele fala conosco justamente através de nossa intuição. Eu sei que este é meu chamado, para minha vocação de ser terapeuta... E o seu chamado qual é? Aposto que sua intuição já respondeu... Escute... o silêncio...



OLHAR PARA DENTRO

Nossa sociedade nos faz procurar fora de nós momentos de grandes realizações: reconhecimento, segurança, poder, cursos, viagens, aparências, títulos, o relacionamento com a pessoa ideal, etc. No entanto, o caminho para a saúde e a cura no sentido integral está em nos harmonizar com nossa alma na comunhão com o fluxo da vida, nos harmonizar com aquilo que nós verdadeiramente somos e viver o equilíbrio entre o que a vida exterior nos pede e ao mesmo tempo atender à vocação a qual nossa alma chama em nosso interior. É disso que trata toda a jornada de autoconhecimento: dentro de nós é possível retornar a ser o que se é.

Outro dia num sonho um mestre me disse que procurasse guardar silêncio. Justamente eu que tanto falo e escrevo? Justamente por isso, talvez. No silêncio, na meditação, na oração, encontramos a porta estreita que nos leva à comunhão com nosso verdadeiro Ser. Apenas no silêncio podemos encontrar as respostas para nossa alma, a diretriz do nosso caminho. Assim, no interior do templo, na silenciosa presença do Ser, poderemos nos reconectar a quem nós somos. É uma questão de parar de procurar fora, e passar a olhar para dentro de nós. "Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda" já dizia Jung. Dentro de nós estão todos os segredos da vida. Dentro de nós está todo o mistério, toda a magia. Dentro de nós está tudo o que procuramos fora, nossa realização, nossa totalidade, nossa plenitude. Assim, aprendiz do mestre silêncio, percebi o novo mito pelo qual eu vivo: o COSMOS interior, encontrar e realizar este universo no interior do que eu sou. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A jornada terapêutica: uma visão Holística Transpessoal

Este texto é o resumo de uma palestra que fizemos na UFC, em uma parceria entre NUPLIC (núcleo de Psicologia Clínica) e Instituto Sherpa. O objetivo da palestra era apresentar o valor das práticas terapêuticas, e pudemos contar com um psicanalística e com um psicólogo humanista-existencial, além de nossa presença, representando a visão Holística Transpessoal. Aqui, abordamos os principais pontos do que foi explorado por nós nesta apresentação.


Visão Holística e Psicologia Transpessoal

Visão Holística é um termo que dá conta da multidimensionalidade do ser humano, enxergando-o como um ser energético, corporal, relacional e espiritual. As terapias holísticas surgem da sabedoria dos povos antigos, como a tradicional medicina Ayurveda indiana, a Medicina Tradicional Chinesa e os ensinamentos de tradições como o Xamanismo. Nós trabalhamos mais especificamente com a Sabedoria Chinesa, de onde surgem práticas para uma saúde integral como Ioga Chinesa, Tai Chi Chuan, Kung Fu e Acupuntura. Nós trabalhamos, por exemplo, com a Massagem Chinesa, o Reiki Taoista, a Reflexologia, dentre outros.

Terapia Transpessoal, por sua vez, surge a partir do movimento transpessoal, que está na base dos novos paradigmas científicos que passaram a ser discutidos a partir do século XX, quando a física moderna nos postula um novo modelo de realidade, onde energia é matéria e matéria é energia. Um movimento multidisciplinar começa então a repensar e a refazer o modo de se fazer ciência, o que vai ter reflexos em todas as disciplinas, como na Ecologia, na Medicina, na Educação e na Psicologia. A Psicologia Transpessoal surge em 1968, neste contexto de efervescência cultural de grandes transformações como a contracultura, o movimento hippie e as lutas sociais. Busca criar um novo modelo de entendermos o homem e o universo, dialogando com as tradições espirituais da humanidade, incluindo a dimensão espiritual como fundamental para o entendimento do ser em sua totalidade. Conta com os trabalhos de Abraham Maslow, Bert Hellinger, Stanislav Grof, Alexander Lowen, Roberto Assagioli, Pierre Weil, dentre outros. Alguns exemplos de Terapias Transpessoais: Bioenergética, Respiração Holotrópica, Constelações Familiares, Psicossíntese, dentre outras.  

Terapias Holísticas e Terapias Transpessoais, portanto, dialogam na medida em que entendem o ser humano como uma totalidade bioenergética e espiritual, conectado a  toda a natureza, a toda a vida, a todo o cosmos. Surgem de caminhos de conhecimentos diferentes e apresentam práticas diferentes, entretanto  sempre visando a saúde e a cura como um resgate da conexão com a totalidade, a consciência, a amorosidade essencial do nosso Ser infinito.


A jornada terapêutica

Ser terapeuta significa convidar a pessoa que chega até nós para uma jornada rumo ao seu Ser interior. As várias escolas dentro da psicologia, dentro do movimento transpessoal e nas tradições espirituais da humanidade apresentam inúmeros mapas, cartografias da consciência. Entretanto, ressaltamos, o mais importante mesmo é a viagem, explorar o desconhecido de si mesmo numa fabulosa aventura de autodescoberta, autoexpressão, criando e recriando a si mesmo, vivendo a arte de viver a vida.

Assim, um aspecto de importância fundamental na Terapia Transpessoal é a vivência. Vivenciamos os aspectos profundos do ser, vivenciamos níveis mais profundos de consciência, vivenciamos, conhecemos, descobrimos e expressamos cada vez mais novas dimensões do mistério de ser humano, buscando equilibrar a feiura da vida, a dor, o sofrimento de ser humano, com as belezas da vida, a arte de viver, a maravilha de ser humano. Stanislav Grof apontava que as experiências transpessoais, vividas dentro de um processo de terapia experiencial, promoviam a cura, a transformação e a evolução, pois a nossa consciência mais profunda despertaria seu potencial terapêutico natural. Cura, assim, seria um resgate da consciência mais ampla, além do ego e suas defesas, de nosso modos usuais de viver uma vida sem sentido. Cura seria buscar um caminhar em direção à nossa totalidade. Seria viver além do ego, no verdadeiro Ser, com plenitude de sentido, presença, vida, amorosidade.

Cura, nesta nossa visão holística transpessoal, é descobrir e expressar nosso verdadeiro Ser, o mistério que habita além da identidade usual, daquilo que acreditamos que somos. É habitar na silenciosa presença do infinito em nós, vivendo assim, a cada passo, um caminho rumo à realização desta totalidade do Ser de amor em nós. 

O terapeuta e o cliente sempre sairiam transformados desta jornada, crescidos, acrescidos, modificados pela própria viagem. Ambos deixariam de ser meros habitantes do planeta, números insignificantes numa sociedade doente, e passam a se tornar parceiros da existência, desbravadores, artesãos da arte de viver a vida em plenitude. 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O valor da clínica numa visão Transpessoal



Escrevemos este texto com o objetivo de nos preparar para uma apresentação sobre o valor da terapia na visão da Psicologia Transpessoal, a quarta força em Psicologia, desenvolvida no final da década de sessenta por pioneiros como Maslow, Sutich, Fadiman, e que conta com a  participação de autores como Stanislav Grof, Pierre Weil, Alexander Lowen, dentre outros. Ressaltamos que parte do que aqui escrevemos é adaptado e atualizado de nosso livro "Sobre Psicologia e espiritualidade" (POSSIDONIO, 2013).

O nosso principal apontamento é que o objetivo de uma terapia transpessoal é viver uma vida plena de sentido e significado, viver relações significativas onde uma verdadeira conexão e crescimento possa ser estabelecida entre as pessoas, viver uma vida de plenitude, de satisfação, de comunhão com a natureza e com o universo. Acreditamos que, assim, o ser humano estaria realizando sua totalidade, vivendo laços cada vez mais significativos de amor, nosso verdadeiro Ser. 



A TOTALIDADE DO SER HUMANO



Há, na totalidade do Ser, a inteireza humana, o que é expresso na Psicologia Transpessoal em termos do pressuposto psico-somático-noético-pneumático, onde a totalidade do SER nos pode ser representada em suas dimensões psicológicas, corporais/materiais, existenciais e espirituais. Esta dimensão inclui o Mistério, com m maiúsculo, onde podemos apontar para o sagrado, para o Absoluto que nos ultrapassa, que nos transcende. Nestes pressupostos encontramos a autorrealização, e também, principalmente, a autotranscendência, ambas interconectadas como necessárias para se atingir a totalidade da realização humana. É no pressuposto do ser humano psico-somático-noético-pneumático que a dimensão espiritual do Ser pode ser integrada. Citamos o autor Roberto Crema, da UNIPAZ:



“Numa singela e bela lição, Buda perguntou a seus discípulos: “O que é o oposto da morte?”Com a mente binária, todos responderam: “Vida”. Ao que o mestre sentenciou: “Não; é o nascimento, pois a Vida é eterna!” E Cristo afirmava ser o doador de Vida, de Vida em abundância: “EU SOU o Caminho, eu sou a Verdade, eu sou a Vida”. Nosso composto trinitário existencial é atravessado pelo Mistério da Vida e, agora, estamos diante do pressuposto antropológico que dá guarida à vastidão do fenômeno humano: psico-somático-noético-Pneumático” (CREMA, 2002, p.33).



Roberto Crema continua sua exposição do profundamente humano nos falando das diversas estações do AMOR: segundo ele, “aprender a amar é a primeira e derradeira lição na escola da existência” (CREMA, 2002, p.35). 

Para ele há uma última direção e meta importante na visão Transpessoal que precisa ser apontada, pois em nós evoca a etapa suprema na arte de amar: o amor pneumático, transumano, transpessoal. É, para o autor, o amor em seu modo de ser ontológico, que é gratuito e incondicional, está além da forma, transbordando da profundidade do Ser. Amor, desta forma, é amor espiritual, por tudo o que existe e mais além, pelo que é transcendente. Amar, nesta perspectiva, é um estado de abertura da dimensão do coração, e de atenção, de cuidado, de acolhida e de escuta. É respeitar a totalidade que habita em nós, nos outros, na natureza, em todo o universo, e em tudo o que existe. “É o amor que transcende a criatura, o amor da fonte, o amor da Vida por Ela mesma” (CREMA, 2002, p.37).





A TERAPIA NUMA VISÃO TRANSPESSOAL



De acordo com Manoel Simão, a terapia de orientação Transpessoal visa promover ao cliente a possibilidade de ele se encontrar, o que pode consistir em mapear os seus “problemas” e a situá-los no ambiente social, cultural, familiar, profissional, afetivo, espiritual, etc., o que por si só já é altamente terapêutico e ainda possibilita a diminuição da ansiedade e a potencialização da autoconfiança, requisitos necessários e importantes ao início do processo de auto-cura. Isto porque, dentro desta perspectiva, é a psique quem se cura, através de seus mecanismos de busca do próprio equilíbrio.

O terapeuta que situa suas práticas dentro desta nova abordagem deve ser encarado como um facilitador, que acompanha amorosamente o desenvolvimento psicoespiritual de seus clientes, como se faz, metaforicamente, ao apresentar o solo correto para que possam florescer os botões em um jardim. Ou como na metáfora de um guia que conduz o viajante sem apontar qual é o caminho correto, deixando que ele siga o seu próprio processo, cuidando para que a jornada seja significativa.

Na terapia Transpessoal, nosso dever consistiria, segundo o autor, em conscientizar os clientes acerca da sua natureza e a extensão do seu desalinho emocional, bem como pontuar e passar informações sobre a possibilidade de desenvolver suas potencialidades e capacidades inatas, as acolhendo em seu incipiente surgimento, sendo estas formas trans-convencionais de ser, de recriar-se, de expressar-se, oferecendo recursos para viabilizar seu florescimento.

Para o autor, quando uma pessoa procura a terapia, quase sempre seu objetivo é a diminuição e até a eliminação de um estado de sofrimento decorrentes de dificuldades de ordem emocional e, acrescenta, espiritual. No caminho que faz para o interior de si mesma, ela tem a chance de adquirir mais conhecimento de seu verdadeiro modo de SER e de desenvolver-se como pessoa, buscando sua plenitude e realização

No contato consigo mesma, seja para descobrir os recursos pessoais para a evolução, seja para encarar seus “estados de consciência”, como sintomas ou processos defensivos, um guia ou orientador experiente apresenta-se como necessário. Ai está o que parece ser uma das funções básicas do trabalho terapêutico. Sabemos o quanto o acompanhamento de uma ajuda acolhedora e gentil, porém firme e determinada ao apontar para os aspectos corretos do processo é fundamental para que se possa executar os mergulhos nas profundezas do SER mais profundo de cada um de nós. 

De acordo com o artigo de Fátima Corga, “Psicologia Tranpessoal”, o que caracteriza um terapeuta transpessoal não é o seu conteúdo, mas sim o contexto. O conteúdo é determinado pela relação terapêutica em si, entre cliente e terapeuta, como, segundo ela, bem o estabeleceu Carl Rogers. Para a autora, um terapeuta transpessoal deve aprender a lidar com os problemas que emergem durante o processo terapêutico, incluindo acontecimentos mundanos, fatos biográficos e problemas existenciais e até espirituais. Contudo o que realmente define a orientação transpessoal é um modelo mais amplo da psique humana, que seja capaz de reconhecer a importância das dimensões espirituais e o potencial que esta dimensão apresenta para a evolução da consciência. 

O terapeuta transpessoal, assim, deve ser consciente do espectro total das experiências psíquicas de que é capaz o ser humano, deve ter vivenciado um processo interior e encontrado estas experiências com a consciência mais elevada, deve estar em uma busca constante de viver esta consciência, e deve sempre acompanhar o cliente em sua exploração de novos campos de experiências, quando há oportunidade, não importando qual o nível em que o processo terapêutico esteja focalizando.

O próprio Rogers, ainda segundo Fátima Corga, referiu-se muitas vezes em suas últimas obras às percepções transpessoais e fenômenos congêneres de estados sutis de consciência, e estabeleceu ele que estes são eventos observáveis e inerentes ao trabalho bem sucedido com Grandes Grupos e Workshops:



“O outro aspecto importante do processo de formação de [Grandes Grupos] com que tenho tido contato é a sua transcendência e espiritualidade. Há alguns anos eu jamais empregaria estas palavras. Mas a extrema sabedoria do grupo, a presença de uma comunicação profunda quase telepática, a sensação de que existe "algo mais", parecem exigir tais termos” (Rogers apud CORGA, in: “Psicologia Transpessoal”).



Ainda Rogers: “Tenho a certeza de que este tipo de fenômeno transcendente às vezes é vivido em alguns grupos com que tenho trabalhado, provocando mudanças na vida de alguns participantes. Um deles colocou de forma eloquente: "Acho que vivi uma experiência espiritual profunda, senti que havia uma comunhão espiritual no grupo. Respiramos juntos, sentimos juntos, e até falamos uns pelos outros. Senti o poder de força vital que anima cada um de nós, não importa o que isso seja. Senti sua presença sem as barreiras usuais do 'eu' e do 'você' - foi como uma experiência de meditação, quando me sinto como um centro de consciência, como parte de uma consciência mais ampla, universal” (idem).



De certa forma, de acordo com a autora, Rogers parecia estar indicando que a ACP por ele elaborada, junto com seus colaboradores, estaria se desenvolvendo a ponto de incluir as dimensões transpessoais em seu arcabouço teórico, mas a sua morte o impediu de levar adiante seus insights:



“Tenho a certeza de que nossas experiências terapêuticas e grupais lidam com o transcendente, o indescritível, o espiritual. Sou levado a crer que eu, como muitos outros, tenho subestimado a importância da dimensão espiritual ou mística” (ROGERS, idem).




UMA CONCLUSÃO


Toda conclusão é sempre um recomeço, todo fim é sempre o principio, todo passo é sempre o primeiro passo, e, por isso, expressamos este momento como uma conclusão. Na verdade, no nosso ser mais profundo, não há começo, não há fim, só há este momento. Todo fim é recomeço, e todos os passos são passagem. Tudo o que existe é o caminho, o caminhante, o caminhar.

Ser terapeuta numa visão transpessoal é estar a serviço do verdadeiro Ser que habita em cada pessoa. Este nosso ser mais profundo se expressa em nossas vidas como amor, como uma expressão criativa, como mudanças significativas, transformações que levam a níveis mais elevados de saúde e cura. 

Ser terapeuta numa visão transpessoal é ser capaz de guiar o outro numa jornada de autodescoberta na qual terapeuta e cliente saem transformados, crescidos e acrescidos, aperfeiçoados em sua sensibilidade, em sua amorosidade e presença. 

Resgatar a totalidade, resgatar e desenvolver nosso potencial de amar, viver a vida como artistas da existência, como uma jornada de auto-descoberta, de auto expressão criativa da beleza do Ser, caminhando num processo contínuo de auto-transcendência, de conexão e comunhão, de autorrealização,  estes são os objetivos das jornadas terapêuticas numa visão transpessoal.






REFERÊNCIAS


CORGA, Fátima. Psicologia Transpessoal. Fonte: http://www.institutoluz.com.br/?p=artigo16. Acesso em 2011-02-18 às 15h45min.

CREMA, Roberto. ANTIGOS E NOVOS TERAPEUTAS. Abordagem transdisciplinar em terapia. Petrópolis: Vozes, 2002.

SIMÃO, Manoel. Psicologia Transpessoal e Espiritualidade. Artigo publicado na Revista Saúde - Universidade São Camilo Ano 34. Fonte: www.alubrat.org.br. Acesso em 2011-02-19 às 16h40min.

POSSIDONIO, P. Sobre Psicologia e espiritualidade. Fortaleza, s. e. 2013. Disponível em www.pedropossidonio.wix.com/terapeuta.