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domingo, 8 de junho de 2014

Projeto Meditações Dirigidas


Olá, eu sou Pedro Possidonio, sou Psicólogo e Terapeuta.


Estou desenvolvendo este novo projeto que consistirá em publicar vídeos de meditação ou visualização dirigida. Estes são exercícios para o desenvolvimento pessoal, e sua base está principalmente nas técnicas da Hipnose, PNL, Coaching, Psicologia, Constelações Familiares, Terapias Holísticas, dentre outras disciplinas para a transformação da consciência.


A Meditação Dirigida (ou visualização dirigida, dentre outros nomes), diferente da meditação oriental, é uma técnica para ocidentais, a qual consiste em trazer imagens de metáforas terapêuticas que vão despertando nossos recursos inconscientes para desenvolver nossa consciência, nos alinhando para viver a transformação pessoal, interiormente e exteriormente, inconsciente e conscientemente, nos fazendo despertar recursos para a cura, transformação e evolução, para viver mais qualidade de presença, de inteireza em nossas vidas.

ATENÇÃO: Estes exercícios NÃO substituem o trabalho de médicos, psicólogos, terapeutas e demais profissionais de saúde.


Por mais que seja interessante vivenciar estas experiências em vídeo, elas não se comparam a um processo vivencial de transformação acompanhado por um profissional qualificado. Estes videos são apenas um convite para que você possa sentir o gostinho de viver a transformação internamente e possa investir muito mais em você. Um processo terapêutico vai muito além destes vídeos, além de ser individualizado e mais adequado a cada necessidade e personalidade. Só para termos uma ideia: enquanto que numa sessão personalizada temos no mínimo 50 minutos, estes vídeos tem cerca de 15 a 20 minutos, não se comparando portanto a tudo aquilo que você possa viver em um processo terapêutico de or exemplo quatro ou oito sessões. 


O propósito destes exercícios é nos fazer despertar para a possibilidade de vivermos uma vida de mais qualidade, presença, plenitude, uma vida de significado onde você possa desenvolver seus potenciais e viver sua realização!


A proposta de vídeos de meditação, visualização ou hipnose no Youtube não é nova. Pretendemos com este projeto, no entanto, contribuir para que mais pessoas possam vivenciar um gostinho destas experiências de transformação e para promover experiências para os que queiram saber como funciona este processo. Além disso, destacamos a importância destes vídeos para o próprio desenvolvimento do autor e divulgação de nosso trabalho. Indicamos, para quem quiser se aprofundar ou ver mais vídeos (que nos inspiram e dos quais somos imensamente gratos), canais do Youtube como os de Laércio Fonseca, André Pércia, Luiz Gasparetto, Flávia Melissa, Arly Cravo, Paulo Vieira, Eckhart Tolle, Osho, Prem Baba, dentre outros.

Este autor é completamente apaixonado por autodesenvolvimento e transformação humana. Espero que você possa se apaixonar também por viver sua mudança interior, e que sua vida possa cada vez mais se transformar significativamente. Desejo a você os mais belos níveis de expansão e de realização. Que o Amor possa triunfar em nossas vidas e em nossas consciências. Que a luz do Verdadeiro Ser possa brilhar em nossas vidas!







Para ver todos os videos, acesse
nosso canal no YOUTUBE: clique aqui!

Para conhecer melhor nosso trabalho, acesse nosso site:
http://pedropossidonio.wix.com/terapeuta.



ACESSE AQUI NOSSO NOVO BLOG,
REALIZAÇÃO HUMANA:
http://realizacaohumana.blogspot.com.br/




segunda-feira, 12 de maio de 2014

Palestra sobre Psicologia, Espiritualidade e Realização Humana



Este texto é um breve resumo de nossa palestra sobre Psicologia, Espiritualidade e Realização Humana, realizado no espaço Criar no dia das mães, 11 de maio de 2014. Videos mais abaixo.


Em nossa apresentação, trazemos inicialmente a relação entre Psicologia, Espiritualidade e Realização Humana.

Quando eramos apenas estudantes no curso de Psicologia na UFC, sempre tivemos o interesse de pesquisar a relação entre Psicologia e espiritualidade, e já no final do curso despertamos para as implicações destas pesquisas para nossa vida, para que possamos viver uma vida de mais plenitude, de relacionamentos significativos e de níveis mais elevados de realização. 

Muitas vezes, colocamos fora de nós a nossa realização, deixando para depois, quando eu tiver as formações certas, o trabalho certo, as pessoas certas ao meu lado, etc. Não percebemos que este momento, aqui e agora, é rico de plenitude e de infinitas possibilidades de viver nossa realização. A caminhada para a construção da realização humana deve ser feita passo a passo, a cada dia, a partir do que temos hoje, sempre percebendo que nossa realização na verdade se trata de encontrar dentro de nós aquilo que procuramos. O que procuramos fora devemos encontrar dentro de nós. Neste olhar para dentro poderemos despertar recursos para desenvolver nosso potencial e viver nosso caminho de autorrealização.

E são muitos os caminhos de autoconhecimento, as terapias, as jornadas de transformação, pois cada pessoa é diferente, cada um de nós é um universo. Devemos encontrar aquele caminho e seguir o exemplo daqueles mestres que fazem vibrar nosso coração, que fazem despertar em nós a nossa capacidade de amar, que fazem despertar em nós o entusiasmo e a motivação de realizar nosso potencial, nossa plenitude, a totalidade de nosso Verdadeiro Ser.


Assista mais a seguir.


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terça-feira, 6 de maio de 2014

A Lei do Equilíbrio

UMA REFLEXÃO EM CONSTELAÇÕES FAMILIARES

Quando trabalhamos com Constelações Familiares podemos perceber que uma família ou um sistema está, quase sempre, procurando estabelecer o seu equilíbrio. Neste sentido, os sintomas que aparecem na vida de uma pessoa podem ser interpretados como tentativas da natureza de equilibrar-se, de reencontrar o caminho para a cura e para o natural fluxo de amor. 

Sem nos darmos conta vivenciamos padrões de consciência que pertencem a nosso grupo familiar ou cultural. O interessante é que, trazendo à tona estes padrões, podemos curar sintomas de doenças, restaurar o movimento criativo e vivo em uma vida estagnada, viver relações mais significativas, e até mesmo nos aprofundar no conhecimento de quem nós somos, quebrando os padrões desinteressantes que não precisamos repetir e fortalecendo os padrões que nos dão energia, força e vitalidade.

Uma família foi me procurar devido a sintomas de desequilíbrio emocional de sua criança, muito nervosa, ansiosa, a mãe dizendo que ela sentia medo de tudo. Através da Constelação, descobrimos um movimento sutil em que o pai não se interessava pelos filhos, devido a uma doença na sua família de origem. Assim, através de compensação, os filhos acabavam representando o pai como ausente, desenhando a família sem ele. Quem exclui é também excluído. Uma mãe com depressão diz hoje não conseguir mais contato com seu filho, mas reconhece que antes, quando ele era mais jovem, ela somente procurava seu trabalho e não deu atenção a ele em momentos cruciais de sua vida. Quem julga é julgado, quem é injusto é injustiçado. Muitas vezes o que consideramos ser justiça ou injustiça está em movimentos da alma que vão além de nossos olhos, por isso, todos os nossos julgamentos são tão falíveis. Só nos resta honrar a certeza de que nada sabemos.

Uma criança apresentava sintomas de ansiedade. Através do trabalho de Constelação, descobrimos duas crianças abortadas, irmãos de sua mãe, as quais não eram honradas, o que causava o desequilíbrio na família. Estávamos realizando a Constelação apenas com  mãe, enquanto a criança brincava de desenhar afastada de nós. Ao termino da Constelação, a criança inconscientemente fez um movimento de levantar-se  e olhar para a constelação na qual os dois tios natimortos eram incluídos e honrados. Nas semanas seguintes a mãe relatou sua melhora.

Uma mãe com depressão veio pedir ajuda por sentir um vazio no coração e saudade de sua família, pois ela é de origem em outro estado. Ela colocava todo o peso da saudade nos filhos, os quais já iniciavam a afastar-se dela, o qual era seu maior temor. Através da Constelação, descobrimos uma série de perdas em sua família, e realizamos o trabalho de integrar quem estava faltando. Descobrimos uma tia por parte de pai que um dia saiu "para comprar  o pão" e nunca mais apareceu, descobrimos um filho de uma irmã esquizofrênica e adotiva, o qual também foi doado para adoção, e finalmente mais três crianças que sofreram aborto. Ao final do trabalho, a cliente pode respirar profundamente, aliviada, e perguntada sobre como podia fazer algo para incluir o amor da família em sua vida, ela disse querer fazer reuniões com familiares e amigos em sua casa, unindo os vivos em memória dos que se foram.

São muitos os casos, muitas as histórias. Devemos lembrar de incluir e guardar em nosso coração todas as pessoas que trouxeram contribuições significativas em nossas vidas: avós, tios, irmãos, vivos e mortos, e, principalmente, nossos pais, nossos filhos, nossos companheiros e companheiras. Assim, uma vida de mais saúde é possível, em respeito à lei do equilíbrio.

E este equilíbrio é fundamental para que o amor possa fluir em nossas vidas, como um rio que corre em direção ao mar, nós somos parte de um fluxo amor infinito que inicia na nossa árvore familiar e vai culminar no oceano de nossa realização, no despertar para a consciência mais profunda de nossa unidade no Amor, que nos mantém, que nos sustenta, que nos atravessa. 

Inclua seu pai e sua mãe no seu coração. Eles são o pai e a mãe certos, que a vida escolheu para você. Eles são o sagrado masculino e o sagrado feminino para nós, e honrá-los, vivenciando perdão e gratidão, é o mesmo que se reconectar com a vida, com o fluxo de amor que poderá despertar em nosso coração e curar nossas vidas.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Eu fico com o que é meu

Eu fico com o que é meu, eu entrego o que é seu!


Esta é uma frase de libertação e cura das constelações familiares, para nos liberarmos dos pesos que às vezes pegamos, consciente ou inconscientemente, através de nossos relacionamentos.

Muitas vezes adoecemos por carregar pesos e responsabilidades em nossas vidas que não são nossos. Trata-se algumas vezes de uma tentativa inconsciente de agradar aos outros, o que nos leva a nos importar demasiado com a opinião externa e nos faz sentir um peso altamente desconfortável dentro de nós. 

Um amigo estava sendo pressionado para casar-se sem sentir se era a hora certa ou não e veio me perguntar como lidar com o desconforto. Uma estudante vivenciava momentos de profundo e desconfortável estresse às vésperas de uma prova. Um adolescente se sentia mal todas as vezes em que o pai falava de maneira grosseira com ele. Um amigo veio me perguntar como lidar com as opiniões conflitantes da família da namorada. Um profissional de segurança carregava todos os pesos de sua empresa consigo. Uma mãe e uma criança carregavam medo e ansiedade devido a um assalto que assistiram, mas que não foi com eles. Vejo várias pessoas recitando um sarau de atos de violência que coletam da grande mídia todos os dias, até finamente conseguirem se tornar mais uma vítima, afinal, o universo nos dá exatamente aquilo a que damos atenção!

Em todos estes casos, o ideal é que possamos aprender a dizer a frase de liberação: 



Eu entrego o que é seu, eu fico apenas com o que é meu!


Através deste gesto honramos o destino do outro, honramos sua diferença e suas potencialidades de lidar com as próprias dificuldades que a vida lhe trás. Devemos abdicar do movimento interno de salvar o outro.

Eu mesmo tive de passar muitos dias doente por carregar o peso de meus clientes e pacientes comigo, até aprender que cada pessoa é uma obra única, um experimento maravilhoso da vida. Eu aprendi que devo honrar cada pessoa, amar seus problemas e suas potencialidades, amar a jornada de aprendizado de cada alma sobre esta Terra. Não devemos levar conosco o que não é nosso, assim, podemos adoecer e trazer desequilíbrios vários para nossas vidas.

Assim, sempre que uma situação estiver incomodando-o (a) pergunte-se: é realmente minha responsabilidade? ou diz respeito à vida do outro? esta história (opinião, ou crença, ou acidentes, ou atos de violência) é minha ou sua? eu realmente posso fazer algo? devo fazer algo? se não há nada que eu possa fazer, devo entregar a vida do outro, respeitando-o e honrando suas potencialidades.

Como na máxima de São Francisco de Assis: Senhor, dai-me forças de modificar o que eu posso mudar, aceitação para o que não posso mudar, sabedoria para discernir uma situação da outra.

A vida é um sutil equilíbrio entre dar e receber. Quando pegamos o que não nos pertence, adoecemos, nos desequilibramos. Inconscientemente é como se quiséssemos curar ou salvar o outro ao invés de olhar para nossas próprias feridas ou nos responsabilizar pela nossa própria cura. Assumir a responsabilidade pela nossa cura e transformação, além de honrar o destino do outro é nossa proposta através destes esclarecimentos.


Espero que este artigo tenho ajudado a crescermos em autoconsciência, a aos poucos conquistar novos níveis de saúde, cura e de realização no Ser!

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Abrir-se para a cura

Muitas vezes encontro pessoas na minha experiência clínica que não apresentam-se preparadas para a cura. É como se elas chegassem para mim e dissessem que eu é que sou o responsável, eu é que devo ou deveria fazer algo para curá-las, ou pior, queriam saber como é possível que o outro mude, um filho, uma namorada, um marido. Estas pessoas apresentam dificuldade em responsabilizar-se por suas próprias vidas, como se estivessem fechadas para a cura.

Cura é um processo de transformação, no qual escolhemos olhar com amor para nossos problemas, sintomas e dificuldades e integrar suas lições para promover em nós uma mudança de vida, de atitude, estabelecendo a saúde interior a qual muitas vezes se trata de reencontrar o equilíbrio em nossas vidas. Numa sociedade estressante, onde nos alimentamos mal, dormimos pouco e vivemos afastados da natureza, é bem mais difícil, mas não impossível. No final, somente cada um de nós é responsável por encontrar seu próprio caminho. Cabe ao terapeuta, ao psicólogo, com sua visão mais ampla e experiência, ajudar-nos  a descobrir em nós o que nos faz caminhar para a saúde e o que nos causa desequilíbrio, mas no final somente cada um é que tem a responsabilidade de promover mudanças significativas em si e em sua vida. A cura tem de ser conquistada, merecida, através da mudança interior.

Mas são muitas as defesas, o fechamento no ego, as crenças limitantes que impedem que o processo aconteça, o que, para nós facilitadores, faz com que sobrem poucas alternativas: ou caminhamos bem devagar, no ritmo de cada pessoa, ou deixamos o processo para outro momento, quando ela estiver mais preparada. Com isso não quero dizer para não darmos tempo para esta preparação, mas uma situação é quando a pessoa quer mudar e está ganhando forças, outra bem diferente é quando ela quer que o terapeuta a mude, ou que o outro mude, ou que a vida magicamente mude. É como se esta pessoa permanecesse na consciência infantil e imatura, apenas querendo receber da vida sem pagar o preço da mudança.

Deve acontecer, para encontrar a cura, uma mudança de valores, um processo de ressignificação. O que é mais importante em sua vida? O que você realmente quer? O quanto realmente quer? E podemos incluir nestas perguntas questões mais profundas como O que você fará se NÃO conseguir? quer dizer: qual é o verdadeiro SENTIDO da vida? Será que a vida é só obtermos o que a gente quer? É a vida que deve servir a nossos desejos, ou somos nós que devemos estar a serviço da vida? 

Espero que este texto seja uma inspiração para que cada pessoa que precise possa encontrar novos caminhos para a cura e para a transformação. Nos momentos de crise, novos níveis de Ser nos aguardam, e a transformação interior é o caminho.


O que você quer Ser se escolher renascer? Desejo a todos uma feliz páscoa, celebrando este momento como um símbolo de passagem, de transformação em nossas vidas!

segunda-feira, 31 de março de 2014

Constelação Sistêmica Familiar


O trabalho das Constelações Sistêmicas Familiares foi desenvolvido inicialmente por Bert Hellinger, já no século XX. Trata-se de um instrumento terapêutico destinado a identificar sintomas, procurando para eles uma solução significativa gerando o máximo de harmonia possível dentro de um sistema: familiar, profissional ou outro grupo. Originalmente, um sistema era entendido como a família de origem, à qual estamos conectados e sofremos influencia de seus equilíbrios e desequilíbrios, doenças, perdas trágicas, dentre outros. O conceito de sistema é abrangente, iniciando por nossa família de origem, atuando em uma nova família ou relacionamento que se forma, entre casais, e até mesmo quando são geradas questões em sistemas como grupos de amigos, religiosos, profissionais, dentre outros.

Nossos corpos e almas estão interconectados, como numa teia viva ou numa constelação, na qual a posição e inter-relação de tudo com tudo está sempre sendo levada em conta, está sempre nos influenciando e deve ser levada em consideração num trabalho terapêutico. Através de um trabalho de Constelação Familiar, muitas vezes, podemos perceber que a pessoa que chega até nós como cliente está revivenciando uma história de duas ou três gerações passadas, a qual, por não ter sido bem integrada, retorna no sistema familiar por meio de um sintoma. Da mesma forma, levamos nossas raízes para todas as nossas relações, seja num novo relacionamento, afetivo, de amizade ou profissional, e aquilo que somos vai influenciar o modo como vivemos, criando sintomas e gerando mal estar ou com mais saúde e equilíbrio, gerando bem estar e uma vida mais plena e significativa.

A Constelação Familiar tem por base a Fenomenologia, a Psicologia Transpessoal, a Teoria de Campo, o trabalho do Psicodrama de Moreno, o trabalho de base familiar de Virgínia Satir, dentre outros. Em nosso serviço já atendemos com sessões individuais, casais e crianças, trazendo luz às questões em dimensões como doenças e sintomas físicos, psicológicos, espirituais e emocionais, perdas traumáticas e situações de luto, crises de estresse, pânico e ansiedade, problemas escolares, problemas de relacionamentos, estagnação na vida, perda de sentido, depressão, problemas financeiros e profissionais, dentre outros.


Através da Constelação Familiar podemos realizar movimentos de cura, buscando uma reestruturação significativa para a vida de cada pessoa ou sistema, trazendo mais luz para suas relações, para que o natural fluxo de Amor que nós somos possa reencontrar seu caminho e nos curar, para que nosso coração possa pulsar em sintonia com a vida e com a Grande Alma do Universo do qual fazemos parte.


Pedro Possidonio
Psicólogo e Terapeuta
pedropossidonio.psi@gmail.com

Conheça mais sobre nosso trabalho:


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Eu e Tu: A Alquimia dos Relacionamentos

Atualmente, tenho pensado na psicoterapia como uma arte do encontro humano. Entretanto este encontro, vivo e verdadeiro, acontece para além da psicoterapia. Quando duas pessoas verdadeiramente conseguem se encontrar, acolhendo sua igualdade na diversidade, a transformação, o crescimento acontece. Para falar deste tipo de relação vamos utilizar o suporte do autor e filósofo Buber. Martim Buber foi um filósofo judeu alemão que escreveu uma obra fantástica, leitura recomendada a todos: o livro "Eu e Tu", uma grande obra, um convite ao relacionamento humano vivo e verdadeiro.

Buber nos ensina que há dois tipos de relações, as relações Eu-Isso e as relações Eu-Tu. As relações Eu-Isso acontecem quando nos relacionamos com a nossa perspectiva mais categórica, classificando, rotulando, significando o mundo, as experiências e as pessoas. Acabamos por reificar ou coisificar o mundo para que ele se torne passível de um interpretação, para que nós tenhamos alguma elaboração do que foi vivido. Sem este tipo de relação, jamais nenhum conhecimento seria possível, nunca saberíamos, por exemplo, que o dedo na tomada pode nos dar choque, nem jamais teríamos descoberto a eletricidade. O problema é quando passamos a tratar as pessoas e a vida como um Isso: a vida nada mais é que Isso, seja qual for o dogma ou interpretação. E o fulano? Lá vem ele, eu já sei que ele é Isso... Perdemos a magia, o encantamento, o desconhecido do Ser que se revela na relação viva com a vida.

As relações Eu-Tu, por sua vez, acontecem quando estamos verdadeiramente abertos ao outro, ao mistério que ele pode representar... Eu-Tu é sempre um encontro, vivo, verdadeiro, significativo e transformador. Eu-Tu acontece quando não estamos julgando e rotulando, mas sim estamos abertos ao que o outro tem a dizer, a revelar, a expressar, abertos à magia do Ser e da Vida que se expressa através do outro. O mais interessante é que Buber nos trás a ideia de que Tu é sempre algo que nos faz abrir para a dimensão do encontro: assim, Tu podia ser, para o filósofo, outra pessoa, a natureza ou o sagrado.

Isto me faz pensar na perspectiva de Jung sobre o relacionamento. Para ele, a alquimia era capaz de simbolizar de maneira fantástica a jornada interior do Ser em direção a Si-mesmo. No entanto Jung também utilizava a alquimia para simbolizar o que acontecia no relacionamento humano. Quando duas personalidades reagiam, dizia ele, os dois se transformavam, atingindo níveis mais elevados de consciência, o que é a essência do processo terapêutico na sua abordagem clínica. Duas almas humanas se encontram, duas personalidades crescem e se transformam.

Voltando a Buber e a sua ideia de Tu como outro ser humano, como natureza e como sagrado: isto nos faz pensar sobre um simbolismo da sabedoria chinesa que é muito apreciado por nós, do qual sempre estamos falando mas cujo paralelo só foi percebido justamente num encontro com um amigo, Ricardo Ribeiro. 

A sabedoria chinesa dividia o ser humano e o cosmos em três dimensões: céu, terra e homem, conforme nos mostra, por exemplo, o livro Em busca de uma Psicologia do Despertar, de John Welwood. Também aprendemos sobre este simbolismo na escola de PAKUA, onde praticamos Tai Chi Chuan, com Mestre Lairton. Céu é a dimensão dos sonhos, da imaginação, da intuição, da fantasia e dos pensamentos. Terra é a dimensão do trabalho, dos resultados, do processo em devir, do exercício e da realização humana. E homem é a dimensão do coração, a dimensão humana por excelência, onde vivemos relacionamentos significativos e amorosos, a integração, a ponte, a comunhão. Assim, percebemos o paralelo de Buber e do simbolismo chinês: Tu como o relacionamento com a natureza(terra), como o relacionamento com o divino(céu) e como o relacionamento com outro ser humano(coração).

Assim, para viver nossa totalidade humana, devemos viver estas três dimensões em nós. Podemos viver a dimensão Terra: viver nossa profissão, nossos projetos, nosso trabalho, nosso caminho de realização e nossa relação contemplativa com a natureza, com uma vida plena e saudável, com exercícios físicos, alimentos vívidos e em contato com a natureza como nas praias, no mar, nas serras, nas águas das cachoeiras.

Podemos viver em nós também a dimensão do Céu: descobrir o sagrado em nós, o mistério desconhecido do qual fazemos parte, o sonho, a fantasia, a meditação, a arte, a música, a filosofia perene, a poesia e a dança. Viver um relacionamento mais profundo e mais espiritual com nosso verdadeiro Ser, descobrir o que Ele quer de nós, qual é a nossa missão, qual é o Sentido, o propósito mais profundo de nossas vidas.

E podemos investir a viver, por fim, a integração no coração: amar as pessoas, viver relações significativas e construtivas, investir no desenvolvimento pessoal e de nossa capacidade de amar e de nos relacionar com mais consciência. Viver o perdão, a cura e a libertação, viver o amor e a gratidão, aprender a nos conectar com nossa essência amorosa, nosso verdadeiro eu amoroso que habita em nosso coração. 

Sejamos Amor!

Viver Relações Significativas



Ultimamente tenho refletido sobre a importância dos relacionamentos em nossas vidas. Não é à toa o que eu estou pensando, haja vista que talvez 90% das pessoas que passam por nós quando escolhemos o caminho da Clínica com Psicologia ou Terapias estão direta ou indiretamente trabalhando questões ligadas aos seus relacionamentos.

Acredito verdadeiramente que viver relacionamentos humanos mais vivos e mais significativos seja possível. Acredito que a Terapia realmente oferece inúmeros caminhos para, na medida em que vamos nos aprofundando em nosso desenvolvimento pessoal, aprofundarmo-nos nos nossos relacionamentos. Quanto mais somos verdadeiros e transparentes com nós mesmos, mas o somos com os outros. Quanto mais aprendemos a nos amar, a amar e reconhecer nosso Verdadeiro Ser, nossa essência amorosa, mais vamos encontrando pessoas, situações e relações significativas. O mundo exterior é sempre um espelho do mundo interior.

A grande jornada interior de autoconhecimento nos ensina que somos parentes de todo o universo. Nosso Verdadeiro Ser, ou nossa essência, é uma dimensão profunda em nós que está além de nosso ego, e só pode ser descoberta e vivenciada a partir de um processo interior de autoexploração, o qual pode acontecer com a arte, com os ensinos da sabedoria perene e de todos os mestres que passaram pela Terra, com a religiosidade viva e verdadeira ou com processos terapêuticos, jornadas de autoconhecimento. Nosso papel como facilitadores, psicólogos, terapeutas é, além de estar sempre caminhando neste processo de descoberta interior, possuir a capacidade de guiar as pessoas por estes desconhecidos caminhos nas abissais profundezas humanas.

Para aprendermos a viver relações significativas, primeiro devemos iniciar um processo profundo e sincero de relacionamento conosco mesmos. Explorar a escuridão interior, limpar as feridas até descobrir a dimensão mais profunda do Ser em nós, criativa, amorosa, espiritual e cósmica. A jornada tem apenas inicio, não há final, pois ao aprendermos a nos relacionar com o Ser, percebemos a Ele como sempre um Outro, um desconhecido se revelando continuamente, se recriando, se expressando criativamente, criando símbolos, vivendo novas experiências como uma criança a sempre desbravar um mundo encantado.

Ao encontrarmos o Outro em nós, encontramos o Outro também no outro. Ao aprendermos, aos poucos, a nos relacionar conosco, ampliando nossa consciência de nosso cosmos interior, vamos aprendendo a nos relacionar com as pessoas, e cabe a cada um em seu processo escolher o quanto quer viver relacionamentos significativos e amorosos, o quanto quer investir nesta jornada de autoexploração interior. Gosto da ideia de viver uma vida com fervor, com devoção, de fazer com que cada um de nossos relacionamentos se torne sacramentado, sacralizado, sagrado, na medida em que vemos o ser divino que em cada pessoa habita, mesmo estando este mais adormecido ou mais desperto. 

Cada pessoa é um espelho, e nossas relações são um espelho de nós mesmos. Cada situação é um professor. Quanto mais avançamos na nossa jornada de individuação, de nos tornar nós mesmos, mais aprendemos a interdependência de tudo com tudo, de que eu sou conectado a todas as coisas, de que eu sou todo o universo. Nós não nascemos humanos, nós nos tornamos humanos; e nossa humanidade está justamente em aprendermos o caminho do relacionar consciente, viver o amor e a conexão amorosa, viver relacionamentos de crescimento, relações significativas e de qualidade com o maior número de pessoas que nos seja possível. Fazer triunfar o amor, fazer florescer o amor. Love is all we need!


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Transformar o sofrimento em Realização!

Encerrando este longo ano de 2013, há um antigo conto samurai que gostaria de compartilhar com vocês para iniciarmos nosso diálogo de hoje.

Na velha China, contava-se que um samurai, depois de ter sido derrotado numa importante provação, vagou sem rumo pela floresta, apresentando ansiedade, pensamentos confusos, enfurecido e sem querer aceitar a derrota.

Em certo momento, ele parou frente a um lago que encontrou no seu caminho e lançou violentamente uma pedra contra as suas águas, que se agitaram violentamente. O samurai ainda com raiva e ressentido, percebeu algo e refletiu:

- “Mesmo ofendido e perturbado com a pedra a qual atirei, em instantes o lago recompôs sua serenidade, retornando a um estado de tranquilidade que talvez pareça maior que o inicial."
Guardando em seu coração o ocorrido, certa feita foi ter com seu velho mestre espiritual, com o qual pode compartilhar o ocorrido, ao que o mestre lhe respondeu: 

- “O Lago faz com que a pedra se perca na sua grandeza e profundidade, logo, é como se tivesse sido atingido por nada. O lago conserva em si o silêncio, e não as queixas. Eis o segredo de sua serenidade”. 
 
O Samurai curvou respeitosamente em gratidão para o mestre e declarou: 
- “Hoje aprendi um grande ensinamento com as águas silenciosas daquele lago”!


Certos momentos de nossa vida são desafiadores, e quando chegamos ao final do ano, tenho a certeza de que todos podem olhar para trás e perceber os muitos desafios os quais tiveram de enfrentar para chegar até aqui. Da mesma forma que o samurai, precisamos aprender a vivenciar momentos em que nossa mente possa silenciar através da total entrega, da música, da arte, da dança, da meditação, da oração, da contemplação da natureza, dos ensinamentos dos antigos mestres. Creio, porém, que o ensinamento mais precioso para o qual este velho conto aponta é o de que podemos transformar criativamente qualquer situação difícil em uma oportunidade de realização do nosso ser por inteiro, situação chamada pelo psicólogo Viktor Frankl de otimismo trágico. Frankl ressaltava que podemos transformar sofrimento em realização, na medida em que encontramos um sentido pelo qual viver.

Em nossa sociedade atual, muitas vezes somos puxados para fora de nós, para viver as necessidades de adaptação exterior. Porém, quando nos esquecemos de nossa alma, adoecemos. Fazemos isso muitas vezes procurando viver apenas o útil, o trabalho, a correria e todos os subprodutos de nossa mente lógica e racional. Esquecemos, no entanto, da nossa mente criativa, que está além do ego e da dimensão racional. Afastamo-nos daquilo que pode alimentar a alma sob o pretexto de que é inútil: é inútil a música, é inútil a poesia, é inútil a filosofia, é inútil a espiritualidade, é inútil a dança. E assim, aos poucos, vamos morrendo em vida, deixando de lado todas as coisas as quais mais amamos, as que alimentam nossa alma.

Jung afirmava que o ser humano de nosso tempo perdeu a capacidade de autorregulação psíquica, de naturalmente reequilibrar-se nas situações difíceis da vida. Queremos tudo para já, e, no entanto, a vida exige de nós que possamos aprender a paciência para deixar as sementes que plantamos amadurecer. Tudo que acontece sob o céu tem seu tempo e, quando aprendemos a nos sintonizar com as leis inconscientes da vida, como dizia Jung, podemos aprender a esperar o momento certo de tudo, e podemos aprender que os momentos difíceis da vida podem ser transformados em crescimento e realizações.

E o mais importante, talvez, seja encontrarmos um lugar em nós que independa de nossos momentos difíceis ou tranquilos, nosso centro. No contato com a nossa alma, aprendendo a escutar, a dialogar consigo mesmo, podemos aprender a guardar aquele silêncio do qual fala o mestre da nossa história, aprender a encontrar um sentido pelo qual viver, como dizia Frankl, transformando todas as dificuldades em incentivo para nossa realização. Podemos aprender a estar mais em contato conosco mesmos, descendo simbolicamente um tanto da cabeça para o coração, fazer a passagem da consciência de nosso eu limitado para nosso Ser ilimitado. Depois nos resta, mais uma vez, seguir nosso caminho. Aprendendo, ensinando, amando, caminhando, sendo o que se é.



Desejamos a você um excelente ano de 2014! 
Que seja repleto de realizações a partir de seu Verdadeiro Ser!
Que você possa seguir o fluxo de amor em seu coração!

domingo, 15 de dezembro de 2013

A Unidade Corpo e Psique



A mente de um sábio é aquela que vive na unidade, somático e psíquico, corpo e alma, numa sagrada ioga, numa unidade e totalidade. A palavra hindu ioga significa união, no ensinamento do Professor Hermógenes (s.d.). O mesmo podemos dizer de Tai Chi, termo chinês para união dos opostos. Muitos são os estudos da psicologia ocidental para estabelecer a relação entre mente e corpo, e escolas como a Bioenergética e a Gestalt apontam para a unidade psicossomática. Também estudos junguianos foram feitos no sentido de estudar a unidade entre corpo e psique.

O objetivo destas nossas breves considerações é estabelecer uma relação existente entre psique e corpo, tendo em vista que estas dimensões do ser humano são marcadamente constituídas quando ele encontra-se em relação, em sociedade. Assim, falamos que o ser humano possui uma multidimensionalidade que é corporal e biológica; social, cultural e histórica; psicológica, emocional e mental; e, também, simbólica, arquetípica, espiritual. Estamos propondo um ser bio-psico-socio-espiritual, acreditando que nenhuma destas dimensões pode ser excluída ao querermos analisar e compreender as multidimensões do fenômeno humano. Nós analisaremos esta multidimensionalidade a partir da interrelação corpo e espírito, formando estes dois, simbolicamente, uma totalidade, e, para isto, traremos considerações da Gestalt-terapia, da Psicologia Analítica e da Bioenergética.

A princípio, quando analisamos a unidade corpo-psique pela Gestalt-terapia, encontramos em PONCIANO (1994) que a relação terapêutica é uma relação que ocorre dentro da multidimensionalidade que são tanto o terapeuta como o cliente. Assim, terapeuta e cliente encontram-se tanto em suas dimensões corporais como psicológicas, trazendo também suas dimensões sociais e espirituais para a relação, uma totalidade humana indissociável. A relação se daria em todo um campo energético que envolveria dimensões visíveis e conscientes e também dimensões invisíveis e inconscientes. Para o autor, o corpo traria em si o inconsciente do paciente, através de uma linguagem corporal que expressaria aquilo que o cliente é, por mais que ele não tome consciência disso. Assim, para além de considerar o discurso, a fala, a dimensão consciente, a visão holística que busca a Gestalt-terapia pretende integrar também o corpo, na dimensão da terapia individual, e o grupo como um todo, na terapia de grupo, sendo que cada membro constituinte poderia servir de reflexo das dimensões inconscientes daquele cliente que está em terapia. O grupo funcionaria como um campo energético de multirrelações com o objetivo de trazer à luz da consciência aspectos até então inconscientes e dissociados. Nesta perspectiva, a doença seria a perda ou afrouxamento dos laços dinâmicos entre estas multidimensões do humano, e acura estaria na recuperação destes laços, o que faz do ser humano um amante, consciente ou inconsciente, de sua totalidade.

Para a Psicologia Analítica, desenvolvida por Carl Gustav Jung, corpo e psique são ambos dimensões do inconsciente. Segundo ZIMMERMANN (2009), o trabalho com a corporalidade pode ser uma forma de trazer à consciência aspectos do inconsciente, que se manifestam no corpo. Ao realizar um trabalho corporal como dança, Ioga, Tai Chi Chuan e tantas outras formas, são produzidos símbolos que tem como objetivo integrar consciente e inconsciente, corpo e psique, promovendo assim maior saúde e conexão com o processo de individuação, tornar-se um, integrar-se com a nossa totalidade. Quando isto não ocorre, o corpo expressa a dissociação e a doença na forma de sintomas. O corpo é capaz de carregar nossos estados afetivos, nossas vivencias, e conectar-se com o corpo é conectar-se também com o núcleo mais profundo da psique, ao qual Jung chamou de Self ou Si-mesmo. O Si-mesmo é psique e é corpo, e a integração do eu com o Si-mesmo, da nossa realidade mais superficial com nossas dimensões mais profundas, pode acontecer através deste diálogo do corpo com a psique, através da expressão corporal.

A Bioenergética é uma abordagem em Psicologia Transpessoal desenvolvida por Alexander Lowen, discípulo de Wilhelm Reich, a partir de estudos sobre a relação entre o corpo e a mente. Em seu “A função do orgasmo”, REICH (2004) postula que há no ser humano uma só energia, o orgônio, que se expressa na corporalidade e no psiquismo. Dizendo de outra forma, corpo e psique seriam expressões da mesma energia vital, a bioenergia. As emoções acumuladas, não vividas e não expressas, tenderiam a se acumular no corpo na forma de tensões, as chamadas couraças de caráter, que impedem o ser humano de se conectar com seu próprio fluxo de energia e de vida. O trabalho da bioenergética, segundo LOWEN (1984), seria combinar exercícios de movimento, meditação e respiração com o objetivo de dissolver estas tensões e restaurar o fluxo da vida, que acontece no corpo e se expressa como movimento, vibração, respiração profunda, flexibilidade, harmonia, leveza e graça. Este fluxo de bioenergia, ao ser restaurado, também encontra expressões cada vez mais elevadas na psique, se manifestando como maior criatividade, autoconhecimento, autoexpressão, afetividade, amor, prazer de viver, integridade e autorrealização.

Seja qual for a abordagem, muitos trabalhos nos mostram que corpo e psique são um só, que a totalidade humana pode ser almejada e passo a passo conquistada através da vivência corporal, com seus afetos, símbolos, com sua energia que pode fazer de nós seres humanos mais vibrantes e realizados, mais integrados e em conexão com a vida. 

Concluímos, então, incentivando nossos irmão de caminhada a cuidar do corpo, nosso templo, nossa casa, onde habita nossa energia de vida. Incentivamos práticas como a dança, as artes marciais, os esportes, principalmente em contato com a natureza, além de práticas respiratórias e meditativas como a Ioga e o Tai Chi Chuan. Aproveite: cuidar de si é cultivar a própria qualidade de vida!



Referências Bibliográficas
HERMÓGENES, José. Autoperfeição com Hatha Yoga. Rio de Janeiro: Record, s.d.
LOWEN, Alexander. Prazer: Uma abordagem criativa da vida. São Paulo: Summus, 1984.
PONCIANO RIBERIO, J. Gestalt-terapia, o processo grupal. São Paulo: Summus, 1994.
REICH, Wilhelm. A função do orgasmo. São Paulo: Brasiliense, 2004.
ZIMMERMANN, Elisabeth. Corpo e Individuação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A jornada terapêutica: uma visão Holística Transpessoal

Este texto é o resumo de uma palestra que fizemos na UFC, em uma parceria entre NUPLIC (núcleo de Psicologia Clínica) e Instituto Sherpa. O objetivo da palestra era apresentar o valor das práticas terapêuticas, e pudemos contar com um psicanalística e com um psicólogo humanista-existencial, além de nossa presença, representando a visão Holística Transpessoal. Aqui, abordamos os principais pontos do que foi explorado por nós nesta apresentação.


Visão Holística e Psicologia Transpessoal

Visão Holística é um termo que dá conta da multidimensionalidade do ser humano, enxergando-o como um ser energético, corporal, relacional e espiritual. As terapias holísticas surgem da sabedoria dos povos antigos, como a tradicional medicina Ayurveda indiana, a Medicina Tradicional Chinesa e os ensinamentos de tradições como o Xamanismo. Nós trabalhamos mais especificamente com a Sabedoria Chinesa, de onde surgem práticas para uma saúde integral como Ioga Chinesa, Tai Chi Chuan, Kung Fu e Acupuntura. Nós trabalhamos, por exemplo, com a Massagem Chinesa, o Reiki Taoista, a Reflexologia, dentre outros.

Terapia Transpessoal, por sua vez, surge a partir do movimento transpessoal, que está na base dos novos paradigmas científicos que passaram a ser discutidos a partir do século XX, quando a física moderna nos postula um novo modelo de realidade, onde energia é matéria e matéria é energia. Um movimento multidisciplinar começa então a repensar e a refazer o modo de se fazer ciência, o que vai ter reflexos em todas as disciplinas, como na Ecologia, na Medicina, na Educação e na Psicologia. A Psicologia Transpessoal surge em 1968, neste contexto de efervescência cultural de grandes transformações como a contracultura, o movimento hippie e as lutas sociais. Busca criar um novo modelo de entendermos o homem e o universo, dialogando com as tradições espirituais da humanidade, incluindo a dimensão espiritual como fundamental para o entendimento do ser em sua totalidade. Conta com os trabalhos de Abraham Maslow, Bert Hellinger, Stanislav Grof, Alexander Lowen, Roberto Assagioli, Pierre Weil, dentre outros. Alguns exemplos de Terapias Transpessoais: Bioenergética, Respiração Holotrópica, Constelações Familiares, Psicossíntese, dentre outras.  

Terapias Holísticas e Terapias Transpessoais, portanto, dialogam na medida em que entendem o ser humano como uma totalidade bioenergética e espiritual, conectado a  toda a natureza, a toda a vida, a todo o cosmos. Surgem de caminhos de conhecimentos diferentes e apresentam práticas diferentes, entretanto  sempre visando a saúde e a cura como um resgate da conexão com a totalidade, a consciência, a amorosidade essencial do nosso Ser infinito.


A jornada terapêutica

Ser terapeuta significa convidar a pessoa que chega até nós para uma jornada rumo ao seu Ser interior. As várias escolas dentro da psicologia, dentro do movimento transpessoal e nas tradições espirituais da humanidade apresentam inúmeros mapas, cartografias da consciência. Entretanto, ressaltamos, o mais importante mesmo é a viagem, explorar o desconhecido de si mesmo numa fabulosa aventura de autodescoberta, autoexpressão, criando e recriando a si mesmo, vivendo a arte de viver a vida.

Assim, um aspecto de importância fundamental na Terapia Transpessoal é a vivência. Vivenciamos os aspectos profundos do ser, vivenciamos níveis mais profundos de consciência, vivenciamos, conhecemos, descobrimos e expressamos cada vez mais novas dimensões do mistério de ser humano, buscando equilibrar a feiura da vida, a dor, o sofrimento de ser humano, com as belezas da vida, a arte de viver, a maravilha de ser humano. Stanislav Grof apontava que as experiências transpessoais, vividas dentro de um processo de terapia experiencial, promoviam a cura, a transformação e a evolução, pois a nossa consciência mais profunda despertaria seu potencial terapêutico natural. Cura, assim, seria um resgate da consciência mais ampla, além do ego e suas defesas, de nosso modos usuais de viver uma vida sem sentido. Cura seria buscar um caminhar em direção à nossa totalidade. Seria viver além do ego, no verdadeiro Ser, com plenitude de sentido, presença, vida, amorosidade.

Cura, nesta nossa visão holística transpessoal, é descobrir e expressar nosso verdadeiro Ser, o mistério que habita além da identidade usual, daquilo que acreditamos que somos. É habitar na silenciosa presença do infinito em nós, vivendo assim, a cada passo, um caminho rumo à realização desta totalidade do Ser de amor em nós. 

O terapeuta e o cliente sempre sairiam transformados desta jornada, crescidos, acrescidos, modificados pela própria viagem. Ambos deixariam de ser meros habitantes do planeta, números insignificantes numa sociedade doente, e passam a se tornar parceiros da existência, desbravadores, artesãos da arte de viver a vida em plenitude. 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O valor da clínica numa visão Transpessoal



Escrevemos este texto com o objetivo de nos preparar para uma apresentação sobre o valor da terapia na visão da Psicologia Transpessoal, a quarta força em Psicologia, desenvolvida no final da década de sessenta por pioneiros como Maslow, Sutich, Fadiman, e que conta com a  participação de autores como Stanislav Grof, Pierre Weil, Alexander Lowen, dentre outros. Ressaltamos que parte do que aqui escrevemos é adaptado e atualizado de nosso livro "Sobre Psicologia e espiritualidade" (POSSIDONIO, 2013).

O nosso principal apontamento é que o objetivo de uma terapia transpessoal é viver uma vida plena de sentido e significado, viver relações significativas onde uma verdadeira conexão e crescimento possa ser estabelecida entre as pessoas, viver uma vida de plenitude, de satisfação, de comunhão com a natureza e com o universo. Acreditamos que, assim, o ser humano estaria realizando sua totalidade, vivendo laços cada vez mais significativos de amor, nosso verdadeiro Ser. 



A TOTALIDADE DO SER HUMANO



Há, na totalidade do Ser, a inteireza humana, o que é expresso na Psicologia Transpessoal em termos do pressuposto psico-somático-noético-pneumático, onde a totalidade do SER nos pode ser representada em suas dimensões psicológicas, corporais/materiais, existenciais e espirituais. Esta dimensão inclui o Mistério, com m maiúsculo, onde podemos apontar para o sagrado, para o Absoluto que nos ultrapassa, que nos transcende. Nestes pressupostos encontramos a autorrealização, e também, principalmente, a autotranscendência, ambas interconectadas como necessárias para se atingir a totalidade da realização humana. É no pressuposto do ser humano psico-somático-noético-pneumático que a dimensão espiritual do Ser pode ser integrada. Citamos o autor Roberto Crema, da UNIPAZ:



“Numa singela e bela lição, Buda perguntou a seus discípulos: “O que é o oposto da morte?”Com a mente binária, todos responderam: “Vida”. Ao que o mestre sentenciou: “Não; é o nascimento, pois a Vida é eterna!” E Cristo afirmava ser o doador de Vida, de Vida em abundância: “EU SOU o Caminho, eu sou a Verdade, eu sou a Vida”. Nosso composto trinitário existencial é atravessado pelo Mistério da Vida e, agora, estamos diante do pressuposto antropológico que dá guarida à vastidão do fenômeno humano: psico-somático-noético-Pneumático” (CREMA, 2002, p.33).



Roberto Crema continua sua exposição do profundamente humano nos falando das diversas estações do AMOR: segundo ele, “aprender a amar é a primeira e derradeira lição na escola da existência” (CREMA, 2002, p.35). 

Para ele há uma última direção e meta importante na visão Transpessoal que precisa ser apontada, pois em nós evoca a etapa suprema na arte de amar: o amor pneumático, transumano, transpessoal. É, para o autor, o amor em seu modo de ser ontológico, que é gratuito e incondicional, está além da forma, transbordando da profundidade do Ser. Amor, desta forma, é amor espiritual, por tudo o que existe e mais além, pelo que é transcendente. Amar, nesta perspectiva, é um estado de abertura da dimensão do coração, e de atenção, de cuidado, de acolhida e de escuta. É respeitar a totalidade que habita em nós, nos outros, na natureza, em todo o universo, e em tudo o que existe. “É o amor que transcende a criatura, o amor da fonte, o amor da Vida por Ela mesma” (CREMA, 2002, p.37).





A TERAPIA NUMA VISÃO TRANSPESSOAL



De acordo com Manoel Simão, a terapia de orientação Transpessoal visa promover ao cliente a possibilidade de ele se encontrar, o que pode consistir em mapear os seus “problemas” e a situá-los no ambiente social, cultural, familiar, profissional, afetivo, espiritual, etc., o que por si só já é altamente terapêutico e ainda possibilita a diminuição da ansiedade e a potencialização da autoconfiança, requisitos necessários e importantes ao início do processo de auto-cura. Isto porque, dentro desta perspectiva, é a psique quem se cura, através de seus mecanismos de busca do próprio equilíbrio.

O terapeuta que situa suas práticas dentro desta nova abordagem deve ser encarado como um facilitador, que acompanha amorosamente o desenvolvimento psicoespiritual de seus clientes, como se faz, metaforicamente, ao apresentar o solo correto para que possam florescer os botões em um jardim. Ou como na metáfora de um guia que conduz o viajante sem apontar qual é o caminho correto, deixando que ele siga o seu próprio processo, cuidando para que a jornada seja significativa.

Na terapia Transpessoal, nosso dever consistiria, segundo o autor, em conscientizar os clientes acerca da sua natureza e a extensão do seu desalinho emocional, bem como pontuar e passar informações sobre a possibilidade de desenvolver suas potencialidades e capacidades inatas, as acolhendo em seu incipiente surgimento, sendo estas formas trans-convencionais de ser, de recriar-se, de expressar-se, oferecendo recursos para viabilizar seu florescimento.

Para o autor, quando uma pessoa procura a terapia, quase sempre seu objetivo é a diminuição e até a eliminação de um estado de sofrimento decorrentes de dificuldades de ordem emocional e, acrescenta, espiritual. No caminho que faz para o interior de si mesma, ela tem a chance de adquirir mais conhecimento de seu verdadeiro modo de SER e de desenvolver-se como pessoa, buscando sua plenitude e realização

No contato consigo mesma, seja para descobrir os recursos pessoais para a evolução, seja para encarar seus “estados de consciência”, como sintomas ou processos defensivos, um guia ou orientador experiente apresenta-se como necessário. Ai está o que parece ser uma das funções básicas do trabalho terapêutico. Sabemos o quanto o acompanhamento de uma ajuda acolhedora e gentil, porém firme e determinada ao apontar para os aspectos corretos do processo é fundamental para que se possa executar os mergulhos nas profundezas do SER mais profundo de cada um de nós. 

De acordo com o artigo de Fátima Corga, “Psicologia Tranpessoal”, o que caracteriza um terapeuta transpessoal não é o seu conteúdo, mas sim o contexto. O conteúdo é determinado pela relação terapêutica em si, entre cliente e terapeuta, como, segundo ela, bem o estabeleceu Carl Rogers. Para a autora, um terapeuta transpessoal deve aprender a lidar com os problemas que emergem durante o processo terapêutico, incluindo acontecimentos mundanos, fatos biográficos e problemas existenciais e até espirituais. Contudo o que realmente define a orientação transpessoal é um modelo mais amplo da psique humana, que seja capaz de reconhecer a importância das dimensões espirituais e o potencial que esta dimensão apresenta para a evolução da consciência. 

O terapeuta transpessoal, assim, deve ser consciente do espectro total das experiências psíquicas de que é capaz o ser humano, deve ter vivenciado um processo interior e encontrado estas experiências com a consciência mais elevada, deve estar em uma busca constante de viver esta consciência, e deve sempre acompanhar o cliente em sua exploração de novos campos de experiências, quando há oportunidade, não importando qual o nível em que o processo terapêutico esteja focalizando.

O próprio Rogers, ainda segundo Fátima Corga, referiu-se muitas vezes em suas últimas obras às percepções transpessoais e fenômenos congêneres de estados sutis de consciência, e estabeleceu ele que estes são eventos observáveis e inerentes ao trabalho bem sucedido com Grandes Grupos e Workshops:



“O outro aspecto importante do processo de formação de [Grandes Grupos] com que tenho tido contato é a sua transcendência e espiritualidade. Há alguns anos eu jamais empregaria estas palavras. Mas a extrema sabedoria do grupo, a presença de uma comunicação profunda quase telepática, a sensação de que existe "algo mais", parecem exigir tais termos” (Rogers apud CORGA, in: “Psicologia Transpessoal”).



Ainda Rogers: “Tenho a certeza de que este tipo de fenômeno transcendente às vezes é vivido em alguns grupos com que tenho trabalhado, provocando mudanças na vida de alguns participantes. Um deles colocou de forma eloquente: "Acho que vivi uma experiência espiritual profunda, senti que havia uma comunhão espiritual no grupo. Respiramos juntos, sentimos juntos, e até falamos uns pelos outros. Senti o poder de força vital que anima cada um de nós, não importa o que isso seja. Senti sua presença sem as barreiras usuais do 'eu' e do 'você' - foi como uma experiência de meditação, quando me sinto como um centro de consciência, como parte de uma consciência mais ampla, universal” (idem).



De certa forma, de acordo com a autora, Rogers parecia estar indicando que a ACP por ele elaborada, junto com seus colaboradores, estaria se desenvolvendo a ponto de incluir as dimensões transpessoais em seu arcabouço teórico, mas a sua morte o impediu de levar adiante seus insights:



“Tenho a certeza de que nossas experiências terapêuticas e grupais lidam com o transcendente, o indescritível, o espiritual. Sou levado a crer que eu, como muitos outros, tenho subestimado a importância da dimensão espiritual ou mística” (ROGERS, idem).




UMA CONCLUSÃO


Toda conclusão é sempre um recomeço, todo fim é sempre o principio, todo passo é sempre o primeiro passo, e, por isso, expressamos este momento como uma conclusão. Na verdade, no nosso ser mais profundo, não há começo, não há fim, só há este momento. Todo fim é recomeço, e todos os passos são passagem. Tudo o que existe é o caminho, o caminhante, o caminhar.

Ser terapeuta numa visão transpessoal é estar a serviço do verdadeiro Ser que habita em cada pessoa. Este nosso ser mais profundo se expressa em nossas vidas como amor, como uma expressão criativa, como mudanças significativas, transformações que levam a níveis mais elevados de saúde e cura. 

Ser terapeuta numa visão transpessoal é ser capaz de guiar o outro numa jornada de autodescoberta na qual terapeuta e cliente saem transformados, crescidos e acrescidos, aperfeiçoados em sua sensibilidade, em sua amorosidade e presença. 

Resgatar a totalidade, resgatar e desenvolver nosso potencial de amar, viver a vida como artistas da existência, como uma jornada de auto-descoberta, de auto expressão criativa da beleza do Ser, caminhando num processo contínuo de auto-transcendência, de conexão e comunhão, de autorrealização,  estes são os objetivos das jornadas terapêuticas numa visão transpessoal.






REFERÊNCIAS


CORGA, Fátima. Psicologia Transpessoal. Fonte: http://www.institutoluz.com.br/?p=artigo16. Acesso em 2011-02-18 às 15h45min.

CREMA, Roberto. ANTIGOS E NOVOS TERAPEUTAS. Abordagem transdisciplinar em terapia. Petrópolis: Vozes, 2002.

SIMÃO, Manoel. Psicologia Transpessoal e Espiritualidade. Artigo publicado na Revista Saúde - Universidade São Camilo Ano 34. Fonte: www.alubrat.org.br. Acesso em 2011-02-19 às 16h40min.

POSSIDONIO, P. Sobre Psicologia e espiritualidade. Fortaleza, s. e. 2013. Disponível em www.pedropossidonio.wix.com/terapeuta.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Mergulho no Verdadeiro Ser

O encontro consigo mesmo numa visão Transpessoal


   A sociedade em que vivemos está se tornando cada vez mais adoecedora. É uma sociedade normótica, desequilibrada, na qual a norma é fingirmos que somos normais. Todos são felizes, todos são ricos, todos são realizados... mas será que se trata de felicidade e realização verdadeiras? A verdadeira realização está em viver além das máscaras e fingimentos, está em para de mentir para si mesmo somente para agradar os outros, se adaptar, ser "normal", ou, numa visão transpessoal, ser normótico. Saúde mesmo é viver em plenitude, é viver a criatividade de fazer de cada momento de nossas vidas uma obra de arte, na qual nos deslumbramos com o grande mistério da existência. Agora vamos a alguns pontos da Psicologia Transpessoal que são importantes de abordar para esclarecermos estas questões....


NORMOSE – A PATOLOGIA DA NORMALIDADE

Pierre Weil define normose como “um conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir, que são aprovados por consenso ou pela maioria em determinada sociedade e que provocam sofrimento, doença e morte.” (Weil, 2003, p. 22). Podemos dizer, então, que ao falar de normose estamos lidando com um estado patológico onde são seguidas as normas introjetadas pela sociedade mesmo que elas conduzam ao sofrimento e à enfermidade, constituindo, portanto, uma normalidade doentia.
Quando há um estabelecimento de um hábito de pensar, sentir ou agir; quando há um comportamento executado por ser aceito por consenso social; quando há nesse comportamento uma natureza patogênica ou letal e se ele tiver gênese pessoal ou coletiva, mediante processo introjetivo, temos caracterizado um comportamento normótico.
Jean-Yves Leloup pontua que a normose é capaz de gerar sofrimento, como ocorre na neurose e na psicose. “É ela que nos impede de sermos realmente nós mesmos.” (Leloup apud Weil, 2003, p. 25). Ele agrega, então, à discussão, dois novos conceitos, o de pléroma, definido como desejo do Aberto, total presença ou plenitude, e o de kénosis, medo do Aberto, total vacuidade, aniquilamento ou dissolução do ego. A existência do homem, assim, desenvolver-se-ia por meio dos desejos e dos medos, e as transformações ocorreriam quando o desejo de pléroma vence o medo de kénosis. Em nosso processo de transformação, devemos integrar os vários níveis de consciência e, a cada passagem, a cada entrada em um novo estado de consciência, encontramo-nos diante do desejo de pléroma e do medo de kénosis.
Se a resistência diante do Aberto se manifestar na forma de terror, segundo Leloup, temos caracterizada a psicose. Se ela tomar forma de ansiedade e angústia diante do Aberto, temos a neurose. Se tivermos medo diante do Aberto, temos a normose. Na normose, é necessário ser como os outros, agradar, e não há espaço para o próprio desejo, para o próprio ser. É na normose que o ter ultrapassa o ser, e a aparência torna-se imperativo, em detrimento da essência. Leloup ressalta, porém, que se não cumprirmos o que nos pede nossa formação criativa, sem acessarmos nosso próprio pensar, nosso próprio desejo, nosso próprio criar, adoecemos, pois o eu sucumbe diante do conformismo.
Leloup aprecia, então, aspectos do que ele define como chamado do Self, que podemos sentir no interior de cada um de nós. Ele pontua que “existe algo maior do que nós. Algo mais inteligente e mais amoroso do que nós” (Weil, 2003, p. 31), que seria o Self. Podemos, porém, retroceder diante da própria grandeza, da dimensão espiritual do Ser, o que é chamado complexo de Jonas. Temos o dever de nos libertar destes medos para escutar nosso desejo mais íntimo, seguir nosso caminho passando de um plano de consciência para outro, rumo à identidade do puro EU SOU, à união com o Ser que habita dentro de nós.
Podemos pontuar, finalmente, que amplas transformações no plano social poderiam ser vislumbradas com a perspectiva da cura da normose. Às instituições sociais de controle, seja de caráter religioso seja político, nos questionamos se apoiariam a promoção de um pensamento que nos torna livres de suas regras para sermos o que realmente somos. Ao plano da psicoterapia, nós acreditamos que seria possível potencializar as transformações da consciência de cada um no sentido de realização destes íntimos desejos, destes chamados, promovendo a cura, que seria como um direcionamento para a plenitude, para a pura consciência do Ser. Como afirmara Jung, “somente aquilo que somos tem o poder de curar-nos” (Jung, 2008b, p.43). 

CONCLUINDO...

Para além de viver os jogos do ego, das aparências e ilusões desta sociedade adoecedora, somos todos convidados a fazer de nossa passagem pela terra uma obra de arte, de amor, de aprendizado. E isto inclui aceitar e integrar tudo o que nos acontece, de bom e de ruim, pois cada situação é nossa mestra, cada irmão é nosso mestre. A jornada de autodescoberta é, ao mesmo tempo, uma jornada de realização (tornar real) e de criação de nosso Ser, e cada um de nós tem a missão de deixar sua marca única com sua passagem, pois somos todos esplêndidas expressões deste infinto oceano de amor, parte da grande teia da vida!



"APAIXONAR-SE por Deus é o maior dos romances; PROCURÁ-LO, a maior aventura; ENCONTRÁ-LO a maior de todas as REALIZAÇÕES". (Santo Agostinho).



Então finalizamos com este exercício de imaginação: respire fundo agora, tente relaxar e soltar as tenções na expiração, e tomando três ou quatro inspirações profundas... imagine uma luz, a luz do seu verdadeiro ser, percorrendo todo o seu corpo... Imagine esta luz bem mais forte, respirando mais fundo, na região do seu coração... Esta linda luz conecta você novamente com seu ser mais profundo, com sua essência mais amorosa ou espiritual, ou sua inteligencia mais profunda... O importante é usar o termo ou a compreensão que seja mais confortável para você. E cada vez você respira mais e mais fundo, vivenciando um mergulho no seu Verdadeiro Ser... Respire cada vez mais fundo e se pergunte:  o que Deus, em meu interior, o que o Amor Infinito, o que a Vida viva ou a Inteligência Infinita me entregou como dons para que eu possa desenvolver aqui nesta experiência de vida? Qual é meu caminho de realização neste momento? Como posso expressar e viver o amor de modo mais e mais profundo, mais e mais verdadeiro? Como posso encontrar-me mais verdadeiramente comigo mesmo, comigo mesma? Para quem gostar da ideia de viver a sinceridade consigo, espero que sejam vivas e verdadeiras as suas respostas...

Fica aqui o convite para você ser aquela pessoa que você realmente pode ser e sonha ser, aceitando o agora e abraçando seu caminho de realização!






Referências:

JUNG, C. G. O Eu e o Inconsciente. Obras Psicológicas Completas Vol. VII/2. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

WEIL, Pierre. Normose: a patologia da normalidade / Pierre Weil, Jean-Yves Leloup, Roberto Crema. – Campinas, SP: Verus Editora, 2003. 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Qual o mito pelo qual eu vivo?

   Qual o mito pelo qual eu vivo?

Atualização da coluna Realização Humana
Uma parceria com o Instituto Sherpa
www.institutosherpa.com.br


Carl Gustav Jung, o pai da Psicologia Analítica, foi um dos maiores desbravadores da psique humana, comparando as observações que fazia na clínica moderna com a psique de todas as eras, de todos os povos, apontando as semelhanças que nos apresentam um mapa do nosso reino interior, ainda que sua vastidão seja infinita. Ele dava importância fundamental aos símbolos, elementos vivos de nossa psique. Abertos a múltiplos significados e presentes em toda a arte, cultura e religiosidade da humanidade, os símbolos também aparecem no processo analítico, apontando os caminhos de cura para cada pessoa, o mito que é vivo e verdadeiro na alma de cada um.

Jung, nos primeiros anos em que desenvolvia sua Psicologia Analítica, viveu momentos de conflito interior referidos em suas Memórias como o Confronto com o Inconsciente. Este confronto iniciou com uma pergunta fundamental: qual é o mito pelo qual eu vivo? Ele afirmou, mais tarde, que toda sua vida se tratou de realizar as imagens e símbolos interiores que ele descobrira em sua jornada desta época, imagens estas que podem ser observadas no seu Livro Vermelho. Mas, por mais importantes que sejam os mapas, os caminhos exemplares como o de Jung, o importante mesmo é viajar, realizar nossa própria jornada, e, por isso, perguntamos para o leitor: qual é o mito pelo qual você vive?

O grande mitólogo Joseph Campbell também foi notável em seu trabalho ao nos lembrar a importância de resgatar os mitos pelos quais vivemos. A mitologia nos oferece modelos exemplares, estórias extraordinárias que nos ajudam a descobrir as verdades mais profundas de nossa alma. Suas aventuras, seus heróis, suas lendas, deuses e mistérios apresentam o mapa oculto das camadas mais profundas de nossa alma, chaves a serem descobertas para aqueles que escolhem empreender a verdadeira jornada a procura de si mesmo, de seu verdadeiro Ser mais profundo.


Leia o texto na integra em: