Dom Quixote: por amor às causas perdidas
Hoje estava ouvindo uma música em meu carro dos Engenheiros do Hawaii, a música dom Quixote, cujo refrão me acompanhou, com suas palavras de poder, durante o dia inteiro. “Tudo bem! Até pode ser que os dragões sejam moinhos de vento. Muito prazer, ao seu dispor se for por amor às causas perdidas...” No exato momento começou a chover muito, e pela janela eu vi um besourinho minúsculo caminhando, caminhando, subindo pelo vidro. No entanto, a chuva o derrubava de sua jornada alguns centímetros, mas ele continuava a caminhar, em sincronia com o “por amor às causas perdidas”. A fantástica coincidência destes eventos me fez, juntamente com o barulho da chuva, perceber estar diante de um daqueles raros momentos de inspiração, nos quais respiramos mais fundo e entramos em contato com nosso Verdadeiro Ser, ampliando nossa qualidade de presença.
Lembrei-me da conversa que tive
ontem com o amigo Jade, na qual ele me falou um maravilhoso haikai zen, uma
poesia que sintetiza em poucas palavras o espírito da mente dos mestres zen
iluminados. Era algo como: “chove à cântaros/ alguém é levado
para dentro de si mesmo”.
Assim como o besouro, a natureza
está sempre buscando níveis mais elevados, sempre buscando realização. Quando
paramos para observar, contemplar, entrar em sintonia com a natureza, somos
levados a ter contato com o mais íntimo de nós, para além do ego, até nosso Verdadeiro
Ser. É então que nos sentimos, nestes momentos ímpares, conectados.
Hoje também dançamos e celebramos
os quatro elementos, e a união deles em nós, formando o símbolo das mãos
entranhadas em prece, é o que deixamos para o mundo em que vivemos, tão necessitado
de reencontrar o sagrado no agora. Deixamos nossa prece de gratidão e
satisfação pelo dom da vida.
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