terça-feira, 30 de abril de 2013

De qual lugar desejo olhar a lua



Olhei na rua e vi dois mendigos brigando, um deles vestia vermelho, o outro vestia amarelo. O mendigo de amarelo apontava as condições deploráveis do companheiro que se vestia com outra cor.

Conversando com a amiga Ayra, ela me falou que ontem a lua estava cheia, e seu quarto estava metade iluminado e metade não. Ela então pensou que sempre que olhamos a lua, estamos olhando para a mesma lua, mesmo que a vejamos metade lua, uma pequena parte ou vemos a lua cheia. A questão que ela e a vida nos trás é: de que ponto queremos olhar a lua? Complementamos: onde fincamos os nossos pés? Pode ser em areia movediça, ou mesmo em água, e podemos olhar a partir da terra firme, a depender de como fincamos nossas raízes.

Quando estamos aprisionados às cadeias do ego, não podemos enxergar o que está além do que nos prende. Em níveis mais baixos de consciência, somos como mendigos, brigando por um prato vazio o qual não nos matará a fome. Em níveis mais elevados de consciência, quando atingimos o além do ego, o transpessoal, percebemos a lua em sua totalidade. No entanto, percebemos também que não podemos observar o outro lado da lua, e nem tampouco desvendar a vastidão infinita da noite. 

Visão holística é aceitar que não sabemos, que jamais saberemos. Certa vez partiu um louco em busca de tornar-se sábio. Acabou virando rei, político ou senhor de muitas terras, até que a morte o tocasse. O sofrimento da vida começa no ego, e além do ego termina. Termino este texto e todos os outros com a sensação de que está faltando algo. Sempre faltará, pois o Ser sempre escapa, já se foi, sempre transborda para além de nosso pequeno cálice.

Além do ego habita aquele que não tem nome. Bati na porta, e apareceu ninguém.





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