O ZÉ-NINGUÉM E O SER HUMANO PLENAMENTE VIVO
Diante
da crise civilizacional em que vivemos, respostas são necessárias para que
possamos ampliar nossa visão do que é o ser humano e de como podemos fazer com
que nossas vidas tenham sentido, como se pudéssemos pintar com cores e
vibrações de níveis mais elevados de amor e de vida as vidas cinzentas,
aprisionadas pelos medos e pelos caminhos tradicionais sob as leis do
consumismo e da moralidade punitiva que faz as vidas humanas se apequenarem em
subvidas acinzentadas, uma verdadeira morte em vida.
Em
1947 uma obra de profundo significado para a experiência humana foi enviada
para a publicação. No prefácio de seu livro “Escuta, Zé ninguém”, foram apontadas
as condições que levaram Wilhelm Reich a fazer este apelo humano para que nós
possamos buscar a nossa cura deste grande mal que é a ausência de sentido de
nossas vidas.
Ao
longo dos anos, Reich observou, primeiramente com humor, depois com horror, o
Zé Ninguém, assim chamado homem comum a viver uma vida comum e vazia de
significado, adoecida, e que, em seu sofrimento, fere seus amigos e reforça
seus inimigos, em sua cegueira costuma cair no totalitarismo quando detém o
poder político seja de esquerda seja de direita, ou nos fundamentalismos
religiosos de quaisquer credos. O ser humano bom, que ama a vida, acredita que
todos são igualmente bons, corre perigo em uma sociedade adoecida, onde
predominam os Zés Ninguém. O Zé Ninguém, infectado pela virulência de seu
sofrimento e vazio, pela peste emocional que contagiou nossa sociedade,
acredita que todos mentem, roubam, enganam e buscam desenfreadamente o poder, o
que justificaria sua iniquidade.
O
apelo de Reich é para que nós possamos abraçar a nossa força vital, Orgone, que
se manifesta por meio do amor, do trabalho e do conhecimento. Seu desejo era o
de que os educadores e os terapeutas verdadeiramente vivos pudessem ser fieis à
força vital que reside nas crianças e nos pacientes. Ele acreditava
profundamente que há em nós enterrados imensos tesouros de energia vital,
prontos a serem retirados e para que os utilizássemos em nossas buscas pela
realização. Seu trabalho é um canto de amor à verdadeira vida e à profundidade
humana.
Zé Ninguém
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Ser Humano Plenamente
Vivo
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Valoriza inimigos e mata amigos
|
Assume responsabilidades
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Utiliza mal e cruelmente o poder
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Preservação da vida
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Obsessão por autoridade
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Proteção das crianças
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Exaltam o estado (fascistas)
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Exaltam a justiça
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Adoecido pela peste emocional
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Usa tesouros ocultos para realização
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Acredita que todos mentem enganam e tem sede de
poder
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Encouraçado, tem medo da vida
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Resistência à peste emocional e entusiasmo pela
vida
|
Quadro comparativo das
características do Zé ninguém (Anomia ou Heteronomia) e do Humano Verdadeiramente
Vivo (Autonomia).
Descaminhos do Zé Ninguém e sua vida sem sentido
A ilusória liberdade
O
primeiro aspecto que o Zé ninguém desconhece de si mesmo é o caráter histórico
e, portanto, construído, de todas as suas ações, desde sua apatia e sua
ausência de sentido na vida até seu modo alienado de trabalhar apenas ou em
grande parte para consumir objetos que estão para além de suas verdadeiras
necessidades. E, ainda quando tem certo nível de consciência política, utiliza
a política como mais uma forma de dominação humana, em vez de utilizá-la como
instrumento de libertação, o que faz Reich apontar que tanto há Zés Ninguém de
esquerda como de direita.
“Eles o chamam
de Zé-Ninguém ou Homem Comum. Dizem que esta é a alvorada do seu tempo, a “Era
do Homem Comum”. Não é você quem diz isso, Zé-ninguém. São eles, os
vice-presidentes de grandes nações, os lideres operários e os filhos
arrependidos da burguesia, os estadistas e os filósofos. Eles lhe dão o futuro,
mas não fazem perguntas Sobre o seu passado. Você herdou um passado terrível.
Sua herança é um diamante em brasa em suas mãos. É isso que eu preciso lhe
dizer.”
O
Zé Ninguém é aquele ser humano desumanizado, preso em suas máscaras, que
acredita no discurso midiático de que é livre, pois pode consumir o que quer,
acredita que pode trabalhar onde quer e fazer o que quiser de sua vida. Com
este tipo de discurso, o Zé Ninguém não consegue perceber a principal ausência
de liberdade que é a falta em relação ao conhecimento de si mesmo, o autoconhecimento.
“Um médico, um
sapateiro, um mecânico ou um educador terá de conhecer suas deficiências se
quiser realizar seu trabalho e com ele ganhar a vida. Já há algumas décadas
você vem assumindo o controle, em todas as partes do mundo. O futuro da espécie
humana dependerá dos seus pensamentos e atos. No entanto, seus mestres e
senhores não lhe dizem como você realmente pensa e o que você realmente é,
ninguém ousa confrontá-lo com a única verdade que poderia fazer de você o
senhor inabalável do seu destino. Você é “livre” apenas sob um aspecto: livre
da autocrítica que poderia ajudá-lo a governar sua própria vida. Nunca o ouvi
queixar-se: ‘Vocês me exaltam como futuro senhor de mim mesmo e do meu mundo.
Mas não me dizem como um homem se torna senhor de si mesmo e não me dizem o que
há de errado comigo, o que há de errado com o que penso e faço’.”
O
Zé ninguém é escravo, e não livre como acredita ser. Além disso, ele não sabe
quando é um Zé Ninguém, enquanto que os grandes seres humanos sabem quando são
pequenos, mas estão sempre lutando para ir além dos seus limites, estão sempre
fazendo algo grande em significado. O Zé Ninguém, por sua vez, não sabe de sua
estreiteza de pensamentos, e tem medo de saber. Esconde-se em máscaras de
grandeza e poder que verdadeiramente não possui, a não ser nesta
superficialidade, o que caracteriza suas conversas, os meios de comunicação,
seu grau de (ausência de) reflexão sobre a vida.
O trabalho improdutivo
É
muito claro que, no ambiente de trabalho, o Zé Ninguém é aquele que não quer
assumir responsabilidades, mas odeia o patrão e odeia o trabalho por que no
fundo odeia a si mesmo, não tem autoestima e não tem consciência do seu valor
para a vida, por que não foi ensinado a amar a vida. O Zé Ninguém tem medo da vida, e, portanto,
foge do amor. O Zé Ninguém trabalha por que o disseram que tem de trabalhar,
mas o faz apenas para ganhar sua miséria ao final do mês para comprara as
coisas de que não precisa, as quais ele vê na televisão ou, mais atualmente, na
internet. A ausência de sentido de sua vida, sua peste emocional, infecta
também, portanto, o ambiente de trabalho, onde ele produz cada vez menos para
si e para o mundo. O mesmo ocorre quando o Zé Ninguém frequenta cursos e
universidades buscando como único objetivo ganhar diplomas que certifiquem
externamente que ele é alguma coisa, já que internamente ele não tem nada para
mostras. Assim, temos levas de estudantes em universidades e em cursos que
estão ali mas sua presença é morta e sua participação é vazia, estando eles
mais preocupados com as festas que visitarão em sua superficialidade consumista
a cada final de semana.
Nossa
sociedade nos ensina que devemos estudar para trabalhar e trabalhar para ganhar
dinheiro. Poucos, no entanto, são os de nós que vão trabalhar ou estudar com
aquilo que verdadeiramente amam e se interessam. Os que fazem escolhas baseadas
neste amor vocacional estão sempre buscando crescer como seres humanos, sempre
buscando ser plenamente vivos, enquanto que o Zé Ninguém não entende como
alguém possa gostar de trabalhar ou estudar. Daí, o Zé Ninguém aqui no nosso
contexto cultural, aqui no Brasil, deseja, em significativa parte das vezes,
passar num concurso público que o pague aquilo que supostamente ele precisa,
para depois ele nunca mais ter de trabalhar ou estudar.
“Eu digo: Só
você mesmo pode ser seu libertador! A esta altura, hesito. Afirmo lutar pela
pureza e pela verdade. Agora, porém, depois de decidir contar-lhe a verdade sobre
você mesmo, hesito, por temor a você e à sua atitude para com a verdade. A
verdade é perigosa quando diz respeito a você. A verdade pode ser saudável, mas
qualquer turba pode se apoderar dela. Se não fosse assim, você não estaria na
situação em que está. Minha razão diz: Fale a verdade a qualquer preço. O
zé-ninguém em mim diz: Seria tolice pôr-se à mercê do zé-ninguém. O zé-ninguém
não quer ouvir a verdade sobre si mesmo. Não quer a enorme responsabilidade que
lhe caiu sobre os ombros, que é dele, goste ou não. Quer continuar sendo um
zé-ninguém, ou se tornar um grande zé-ninguém. Quer enriquecer, tornar-se líder
de partido, chefe da associação dos veteranos de guerras internacionais ou
secretário de uma sociedade pelo aprimoramento moral. Não quer, porém, assumir
a responsabilidade pelo seu trabalho, pelo abastecimento alimentar, pela
construção, mineração, transportes, educação, pesquisa científica,
administração ou seja lá o que for.”
Buscar a cura
O
Zé Ninguém está muito doente, e não o sabe. A culpa de estar doente não é dele,
mas o Zé ninguém tem a responsabilidade de buscar sua cura. Cada um de nós tem
a responsabilidade de buscar a cura, pois o Zé Ninguém habita o interior de
cada um de nós. Reich teme, pois aponta que o futuro da humanidade está nas
mãos do Zé Ninguém. No entanto, o Zé apoia diretamente seus opressores, do
mesmo modo como aconteceu também aqui, no Brasil, onde os Zés Ninguém apoiaram
uma ditadura militar sanguinária em nome da suposta ordem e segurança nacional.
Os seres humanos verdadeiramente grandes, que buscam a liberdade e o amor
verdadeiramente, são estranhos à natureza do Zé Ninguém, o que o impede de
distingui-los e sempre optar pelos seus opressores, que antes eram de classes
dominantes, mas que hoje também são da mesma classe, tão Zés Ninguém como o Zé
Ninguém que votou neles. O grande ser humano, por sua vez, é rotulado de
criminoso em potencial ou de louco, doente ou transtornado mentalmente, como
ainda acontece e com mais intensidade no momento atual em que vivemos, de
profunda medicalização da sociedade. A própria espiritualidade é medicada e
tratada com supressão, sendo interpretada quando não de modo subversivo ou com
ironia crítica e vazia, sem argumentos, pelo menos como um caminho para loucos
ou pessoas excêntricas, mas nada que um ser humano comum tenha com o que se
meter. Devemos deixar de querer ser seres humanos comuns e normais em uma
sociedade adoecida, devemos viver nossa loucura criativa e nossa busca no
interior de nós mesmos.
“Por isso,
porque ele é diferente de você, você o chama de “gênio” ou de “doido”. Ele, por
sua vez, está perfeitamente disposto a admitir que não é nenhum gênio, mas
apenas uma criatura viva. Você o chama de a-social porque ele prefere ficar só
com seus pensamentos a ouvir a tagarelice vazia dos seus encontros sociais.
Você afirma que ele é maluco, por que gasta dinheiro em pesquisa científica em
vez de investi-lo, como você, em ações. Na sua degradação infinita, zé-ninguém,
você ousa chamar um homem simples e franco de “anormal”. Compara-o consigo
mesmo, com seus medíocres padrões de normalidade e o considera deficiente. Você
não percebe, zé-ninguém, você se recusa a reconhecer que está afastando esse
homem, que o ama e que só quer ajudá-lo, de toda vida social porque tanto no
salão de festas quanto nos bares você a tornou insuportável. Quem o transformou
no que ele é hoje depois de décadas de sofrimento desesperado? Foi você, com
sua falta de escrúpulos, sua mentalidade tacanha, seu raciocínio deturpado e suas
“verdades eternas”, que não conseguem sobreviver a dez anos de desenvolvimento
social.”
O Zé-Ninguém é aquela pessoa que, atormentada por sua impotência sexual,
não consegue trabalhar bem durante o dia, somente pensando em sexo. Mas, quando
o trabalho de Reich aponta para uma economia sexual, uma possibilidade de cura
para o problema do Zé-Ninguém, ele o ataca em nome da moralidade pública e diz
que sexo não é tudo nesta vida. “Quando, depois de anos de trabalho árduo, o
pesquisador afinal chega a entender por que você é incapaz de dar à sua mulher
felicidade no amor, você vai e diz que ele é um depravado sexual Você diz isso
porque você é um depravado sexual e, portanto, incapaz de amar, mas isso nunca
chega a lhe ocorrer.”
Assim, os companheiros continuam se separando por somente viver o sexo
sem sentido e por não saberem amar, as crianças continuam adoecendo e
empalidecendo por falta da nutrição do amor que não recebem dos pais nem de
ninguém, e tudo isto afeta, além das outras esferas da vida, a esfera do
trabalho, que é vivida na completa dissociação, sem amor, sem inteireza, sem
vida. O Zé-Ninguém não compreende, mas é no trabalho realizado com verdadeiro
amor que o grande homem encontra a força vital, geradora de valores
verdadeiros, de vida verdadeira, mas o Zé-Ninguém esmaga a liberdade da verdade
e prefere a falsa segurança de suas ilusões. Reich comenta, acidamente: “Agora
você compreende por que a felicidade lhe escapa? A felicidade quer que se
trabalhe para alcançá-la e quer ser conquistada. Você, porém, apenas deseja
devorar a felicidade. Ela foge por não querer ser devorada”.
Cultivar a Verdadeira Vida
Quando o pesquisador inicia sua pesquisa, a qual não tem lucros e
resultados garantidos, o Zé-Ninguém o esquece, na melhor das hipóteses, ou, na
pior, o atrapalha, o chama de louco ou psicótico, ainda que não saiba o que é
psicose, o critica por ameaçar a moralidade ou o saber instituído, o declara
como delinquente em potencial ou pervertido sexual, fazendo de tudo para o
desmerecer e para que ele decline em seu propósito. Mas quando a descoberta
científica finalmente sai no jornal, o Zé-Ninguém a proclama grande descoberta,
ainda que não a entenda. E o cientista, motivado pela vitalidade que reside em
seu interior à qual ele teve de batalhar para permanecer como uma chama viva,
agora passa a ser chamado de gênio, pelos mesmos Zés Ninguém que o chamaram
louco, e que também não sabem o que significa ser um gênio.
O Zé Ninguém não é e não quer ser capaz de se desenvolver, de ter uma
nova ideia que possa contribuir verdadeiramente com o mundo. O Zé Ninguém
somente deseja devorar e consumir tudo a sua volta, inclusive as novas
descobertas dos que ele proclama gênio. É incapaz, contudo, de dar, de
entregar-se, de amar, e, fundamentado em seu vazio interior apenas busca entupir-se
de comida, dinheiro, sexo, conhecimento ou até mesmo trabalho, buscando nestas
suas ilusões alguma plenitude idealizada que sempre escapa, que sempre exige
mais, que sempre consome mais. Mas a verdade, e o risco que ela tem de
despertar no Zé-Ninguém o amor, essa não é importante, e, portanto, ele foge da
verdade e do amor.
Será, por fim, que o Zé-Ninguém é um perfeito inútil, que não tem valor
e não tem jeito? Será que sempre escolherá a morte em vida em vez da verdadeira
vida? Será que o Zé-Ninguém preferirá sempre o poder ao invés de escolher o
amor? Reich acredita que não, que ele pode ser grande e pode aprender a amar,
que pode curar-se e responsabilizar-se para enfim viver a verdadeira vida. É
por isto que ele escreve este apelo. Amor, trabalho e conhecimento são as
fontes da verdadeira força vital, que deverá ser cultivada em nós.
“Tudo o que fiz
foi desnudar o zé-ninguém que existe em você, que vem desgraçando sua vida há
milhares de anos. Você é grande, zé-ninguém, quando não é mesquinho e pequeno.
Sua grandeza, zé-ninguém, é a única esperança que nos resta. Você é grande
quando se dedica amorosamente ao seu oficio, quando tem prazer em entalhar,
construir e pintar; em semear e colher; no céu azul, nos cervos e no orvalho da
manhã, na música e na dança; no crescimento dos seus filhos e no belo corpo da
sua mulher ou do seu marido; quando vai ao planetário estudar as estrelas, à
biblioteca ler o que outros homens e mulheres pensaram acerca da vida. Você é
grande quando seu neto se senta no seu colo e você lhe fala de tempos remotos e
examina o futuro incerto com sua doce curiosidade infantil. Você é grande, mãe,
quando embala seu bebê para ele dormir; quando, com lágrimas nos olhos, você
ora com fervor pela felicidade futura dele; e quando, hora após hora, ano após
ano, você constrói essa felicidade no seu filho. Você é grande, zé-ninguém,
quando canta as canções folclóricas, boas e calorosas, ou quando dança as
velhas danças ao som do acordeão, pois as canções folclóricas fazem bem à alma
e são as mesmas no mundo inteiro.”
Concluímos com as palavras de Reich sempre encontradas ao início de suas
obras, uma ode de amor à verdadeira força vital, a qual devemos descobrir
dentro de nós em nossas caminhadas: “Amor, trabalho e conhecimento são as
fontes de nossa vida. Deveriam também governá-la”.
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