domingo, 21 de outubro de 2012


A EXPERIÊNCIA MÍSTICA 
E A PSICOLOGIA TRANSPESSOAL:

O ÊXTASE SOB A ÓTICA DE PIERRE WEIL





Pierre Weil e a Psicologia Transpessoal


Hoje trabalharemos com as contribuições do autor Pierre Weil. Ele é Frances naturalizado brasileiro e trabalhou até a metade de sua vida na Psicologia organizacional. Daí ele mesmo disse que, um dia, chegou a determinado ponto de sua vida que estava completamente insatisfeito com o que estava vivendo e com o que estava estudando, até que, por uma série de múltiplas coincidências significativas ele foi levado a procurar um sentido mais elevado, ao mesmo tempo mais profundo, para o que estava fazendo de sua vida, o que o levou a fazer a passagem da organizacional para a Psicologia Transpessoal. Ele ocupou e ocupa um lugar de destaque, haja vista ter ele trazido a Psicologia Transpessoal para o Brasil com bastante força, através da sua vasta publicação e da instituição Universidade da Paz, UNIPAZ, na qual reuniu em torno dele vários continuadores, colaboradores e divulgadores, grandes nomes da Transpessoal no Brasil, dentre eles merecendo destaque o francês Jean Yves Leloup e o brasileiro Roberto Crema.

O texto “Antologia do Êxtase” que trabalharemos é muito interessante, pois nele encontramos um primeiro delineamento teórico, falando sobre êxtase, sobre consciência e sobre espiritualidade, mas também podemos encontrar uma série de relatos de experiências de místicos, buscadores e seres humanos iluminados de várias tradições da humanidade, pessoas que atingiram diversos níveis de experiências de realização espiritual, o que foi publicado na forma de antologia, uma coletânea que nos ajuda a compreender o que é a experiência transpessoal.

Pierre Weil trás, a princípio, o casamento da ciência moderna com as perspectivas espirituais, citando a Declaração de Veneza. Olhando superficialmente, ciência e tradição espiritual são opostos, e os baluartes da academia científica tradicional negam o lugar da tradição, negam o lugar da espiritualidade como uma forma ou caminho de conhecimento válido. Quando aprofundamos nossa visão, no entanto, percebemos muito mais a complementaridade entre os caminhos da ciência e da espiritualidade. O autor cita também o gigante Abraham Maslow, fundador da Psicologia Humanista e da Psicologia Transpessoal, o qual falava da necessidade de pensarmos as experiências de pico como dados científicos, o que incluiria a necessidade de aprendermos a estimular as intuições e visões das experiências culminantes para podermos submetê-las aos métodos experimentais, o que sem dúvida é importante, mas, o que é mais importante, a nosso ver, é a promoção de uma visão mais ampla de cura e de saúde.



Estados e Estágios de Consciência


Outro autor que gostaríamos de acrescentar neste momento, apenas para acrescentar mais um detalhe a esta rica discussão, é Ken Wilber. Em vários livros, por exemplo em seu “A Visão integral”, ele diferencia para nós os estados de consciência e os estágios de consciência. Os estados de consciência seriam transitórios, as experiências de pico das quais falava Maslow, no entanto eles são muito importantes no sentido de indicar o que há na outra margem do rio, o que nos espera na consciência ampliada. São momentos de vislumbre dos mais elevados potenciais da consciência. Já os estágios de consciência trariam a noção do patamar evolutivo na qual determinada consciência estaria. Assim, uma experiência culminante de um estado de consciência mais elevado teria sua interpretação diferente para cada estágio de consciência em que estaria aquele que a experimenta. Podemos ter estados de consciência ampliados com diversas técnicas, mas devemos nos ocupar em avançar nos estágios de consciência, evoluindo em termos de espiritualidade, de relacionamento amoroso, de abertura para o sagrado.

Ainda em “A Visão Integral”, Ken Wilber nos chama a atenção para o que ele aponta como a falácia pré-pós. Ela acontece porque quando falamos dos níveis mais leevados de consciência, podemos ter, a princípio, a falsa impressão de que eles são um retorno aos níveis mais primitivos de consciência, como a visão de mundo mágica dos humanos ancestrais e das crianças. No entanto, eles estariam em níveis pré-pessoais, enquanto que nos níveis pós-pessoais, transpessoais, há uma consciência diferenciada, mais ampla, mais abrangente, capaz de integrar os níveis pessoais e de ir além, os transcendendo. No taoismo expressa-se isso ao comparar a virtude do sábio com os desvarios de um tolo. A proposta da Psicologia Transpessoal, portanto, não é a de fazer a humanidade retroceder a níveis ancestrais ou arcaicos, mas sim promovemos a ideia do avançar a um novo estágio coletivo de consciência, mais amplo, mais integrado à natureza e ao cosmos.



Diferenças e aproximações entre Físicos e Místicos


Traremos para a discussão a contribuição de um dos pioneiros do campo Transpessoal e também da Parapsicologia, Lawrence LeShan, de seu livro “Physicists and mystics: similarities in world view” (apud Weil, 1992) . Ele realizou um teste misturando frases pronunciadas por físicos de renome e místicos que tiveram diversas experiências Transpessoais. Trazemos alguns exemplos:

1.     “(...) percebemos, cada vez mais, que nossa compreensão da natureza não pode partir de qualquer conhecimento definido; que ela não pode estar edificada sobre uma fundação rochosa, mas que todo conhecimento se encontra, por assim dizer, suspenso sobre um abismo infinito.
2.     Toda tentativa de resolver as leis da causalidade, do tempo e do espaço será vã, uma vez que tal tentativa só poderia ser feita pressupondo que a existência destes três fatores fosse garantida.
3.     Ao buscar compreender o continuum quadridimensional, é preciso um esforço no sentido de evitar uma conceitualização em termos sensoriais ou corporais. Ele não pode ser representado dessa forma, pois as imagens desse tipo são falsas e enganosas.
4.     Se retirarmos o conceito de absoluto do espaço e do tempo, isso não significa que o absoluto tenha sido banido da existência, mas, de preferência, que foi identificado com alguma coisa mais específica... essa coisa fundamental é o um sem segundo (múltiplo quadridimensional).
5.     A realidade última é unificada, impessoal, e pode ser captada se a buscarmos de forma impessoal, para além dos dados fornecidos por nossos sentidos.
6.     Quando se busca a harmonia na vida, jamais se pode esquecer que nós próprios somos, ao mesmo tempo, atores e espectadores.


No presente teste elaborado por Lawrence LeShan tomamos consciência da dificuldade que é diferenciar a visão de mundo que está sendo apontada pelas descobertas da Física Moderna e a visão dos místicos de diversas tradições. Diferenciar os discursos sem olhar o nome dos autores torna muito complicado para distinguirmos quem é místico e que é físico o que corrobora com a tese de Fritjof Capra, em seu “O Tao da Física”, da comum unidade que forma a visão da espiritualidade tradicional e da ciência embasada nas mais modernas descobertas do campo quântico de conhecimento. A propósito, os autores são em ordem: Albert Einstein, Vivekananda, Santo Agostinho, Max Planc, um preceito da doutrina do sufismo e Niels Bohr. O leitor pode ter uma ideia da complexidade do teste, composto ao todo por sessenta e duas frases. O próprio elétron é composto por onda e por partícula, e então questionamos como pode haver a crença pseudocientífica de que tudo é material. A realidade na qual vivemos é uma realidade energética e espiritual. É no caminho do autoconhecimento espiritual que podemos encontrar as respostas de nossas crises civilizacionais e aprender a viver com mais plenitude de Ser, com mais abundância de Vida, vibrando nas mais elevadas frequências, em consonância com a energia do Amor.



Psicologia Transpessoal e plenitude de Ser


Neste contexto, surge um novo ramo de Psicologia, a Psicologia Transpessoal. Segundo Pierre Weil, Maslow descobriu, por exemplo, que ao menos 70% de seus estudantes já haviam passado, ao menos uma vez, por uma experiência de pico, as quais os levou a descobrir os valores do Ser, tais como amor, beleza, integridade, a totalidade e a plenitude. É importante ressaltarmos que, no mundo em que estamos hoje, o consumismo é confundido com a plenitude, você estará pleno quando obtiver este ou aquele produto, e se você não o tem e todos o possuem, você está fora dos círculos sociais. Plenitude para a Psicologia Transpessoal não está ligada ao ter, mas sim ao Ser, à descoberta dos caminhos que nos levariam a realizar níveis mais elevados de nosso verdadeiro Ser. Maslow nos ensina que a busca pelo Ser é aspiração normal e saudável de todo ser humano. A privação desta dimensão, tão comum na sociedade atual, nos torna adoecidos tanto quando a ausência dos nutrientes essenciais em uma dieta. O Verdadeiro Ser que somos todos somente pode ser nutrido através dos laços de amor.

É preciso destacar que os santos ou místicos não obtiveram suas experiências místicas por serem considerados santos ou místicos a priori. O que aconteceu foi que eles seguiram metodologias de busca do conhecimento de si mesmo, e a partir daí obtiveram experiências que ampliaram suas visões de mundo e suas conexões com a realidade. Precisamos descartar a ideia de que estas experiências pertencem a um passado distante da nossa realidade e aprender que se nós também nos submetermos às tecnologias do sagrado, nós também teremos experiências místicas semelhantes, vivenciando os de estados ampliados de consciência, os quais ampliarão nossa visão e nosso modo de pertencer à realidade e ao universo, percebendo nossa realidade em uma profundidade maior do que a conseguimos em nossa consciência do ego e do corpo comum, material. A meta é que possamos viver mais amplamente nossa própria vida, com mais consciência e plenitude, com mais espiritualidade traduzida na forma de realização do amor.



Estados de Consciência e as frequências de ondas cerebrais


Em outro texto, “Transcomunicação: O Fenômeno Magenta”, Pierre Weil (2003) nos trás a importante compreensão da relação entre as diferentes frequências de ondas cerebrais e os níveis nos quais ocorrem os fenômenos da consciência ampliada, fazendo ainda uma interpretação em suas pesquisas sobre a paranormalidade. Ele aponta primeiramente a nossa consciência em vigília, correspondendo às frequências de ondas beta(13 a 21 ciclos por segundo), onde dificilmente poderemos encontrar fenômenos paranormais ou transpessoais ocorrendo; quando entramos em um estado sonolento, conhecido pelas frequências de onda alfa(7 a 12 ciclos por segundo), a consciência comum inicia a entrar em relaxamento e a imaginação ganha força, o que possibilita a emergência das primeiras manifestações para além da realidade comum, como alguns fenômenos da hipnose e dos sonhos; estas manifestações são intensificadas nas ondas teta(4 a 7 ciclos por segundo), onde ocorrem os grandes sonhos, a hipnose profunda, regressões a vidas passadas, fenômenos de traslocalidade e transtemporalidade, fenômenos paranormais ou fenômenos PSI, além de muitos outros. Podemos ainda alcançar um estado profundo de frequência chamado delta(0,1 a 4 ciclos por segundo), onde ocorre o sono profundo e a consciência está no espaço ao qual os tibetanos chamam de Clara Luz, a luz do espírito.

Nos primeiros anos de meditação e práticas espirituais, conseguimos atingir a frequência alfa de consciência. Os estudos do autor mostram que ao longo do tempo a tendência é que meditadores consigam alcançar espontaneamente os níveis mais profundos, chegando aos níveis teta e delta com cerca de vinte a quarenta anos de prática de meditação. No estado de superconsciência transpessoal, atinge-se a consciência delta, de sono profundo, contudo estando o praticante espiritual completamente desperto, como revelaram estudos feitos com yogues em estado de samadhi, o que leva à conclusão de estarmos falando de um estado misto e que engloba todos os outros estados. Além da superconsciência, os praticantes espirituais neste nível são a manifestação de amor verdadeiro e sabedoria infinita para além dos limites que conhecemos, além do ego.

Ressaltamos que poderosas curas podem ser realizadas com técnicas de psicoterapia experiencial que produzam ou facilitem estes estados de elevada conscientização, como a constelação familiar, o renascimento, a respiração holotrópica, a hipnose, as terapias regressivas e muitas outras vias. Além disso, segundo Pierre Weil (1992) estados de consciência ampliada podem ser atingidos com diversas disciplinas espirituais, meditações e oração, cantos e danças, algumas artes marciais pacíficas, métodos respiratórios, a transmutação energética do tantra, diversas formas de yoga, dentre muitos outros caminhos. O objetivo central, defendemos, é que possamos conseguir reestabelecer o natural fluxo de amor, que foi se perdendo ao longo de nosso processo de crescimento numa sociedade egocêntrica e que deslegitima a existência da consciência expandida e seus fenômenos. A nosso modo de ver, porém, é somente na consciência expandida, na medida em que nos conectamos com nosso Verdadeiro Ser e nos descobrimos conectados com todo o cosmos, é que podemos experienciar os mais elevados níveis de amor. O amor é, em nossa definição, o mais elevado estado de consciência transpessoal.



Características das experiências transpessoais


As vivencias transpessoais, atingidas pelos místicos das diversas tradições espirituais assim como por pessoas que vivenciaram os estados ampliados de consciência nas modernas buscas através de técnicas terapêuticas experienciais, podem ter características classificas e agrupadas através de diversos fatores, os quais podem ocorrer simultaneamente os em separado, sendo mais comum que várias delas apareçam em uma mesma experiência.

Pierre Weil (1992) aponta a transcendência do tempo e do espaço, a vivência de um luz intensa, o caráter inefável, intraduzível em palavras, a dissolução de dualidades como sujeito e objeto, interior e exterior, verdadeiro e falso, realidade e imaginação; podem ocorrer também manifestações parapsicológicas, modernamente conhecidas como fenômenos PSI, como clarividência, telepatia, psicocinese e experiências fora do corpo dentre outras. São possíveis também vivências regressivas de etapas passadas da vida, da vida intrauterina e até de vidas passadas, memórias de ancestrais, dentre outras; perda do medo da morte; mudanças nos sistemas de valores e comportamentos; convicção de haver experimentado a realidade tal como ela é, como se a verdadeira realidade houvesse sido tocada.

Em nossas buscas pessoais e participação em diversas formas de terapias experiências como sessões de hipnose, constelação, renascimento e regressões, nós presenciamos colegas vivenciando e até mesmo chegamos a vivencias diversos fenômenos como memórias de infância, memórias intrauterinas, vivências de vidas passadas, contatos com guias espirituais, contatos com animais de poder, experiências com elementos da natureza com fogo, água, terra, ar, experiências de curas ancestrais, vivências de fenômenos paranormais como telepatia e viagens fora do corpo, experiências com seres de outros níveis de realidade os quais acreditávamos que somente existissem na fantasia humana, além de várias experiências de conexão e consciência cósmica no qual todo o universo apareceu a nós como um Oceano de Amor, no qual estamos todos emersos.

Pierre Weil fala ainda de experiências como a do Místico são Francisco de Assis.

... Daí por poucos dias, estando São Francisco ao lado da dita cela e considerando a disposição do monte, e maravilhando-se das grandes fendas e aberturas de rochedos grandíssimos, pôs-se em oração; e então lhe foi revelado por Deus que aquelas fendas tão maravilhosas tinham sido feitas miraculosamente na hora da Paixão de Cristo quando, conforme o que disse o evangelista, as pedras se espedaçaram. E isto quis Deus que singularmente aparecesse sobre o monte Alverne, para significar que nesse monte se devia renovar a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo na sua alma, pelo amor e a compaixão, e, no seu corpo, pela impressão dos estigmas. Tendo tido São Francisco esta revelação imediatamente se encerrou na cela e todo se recolheu em si mesmo, e dispôs-se a compreender o mistério desta revelação. E doravante, São Francisco pela continua oração começou a saborear mais frequentemente a doçura da contemplação; pela qual ele muitas vezes ficava tão arroubado em Deus, que corporalmente era visto pelos irmãos elevado da terra e arrebatado fora de si.
... Pela qual coisa frei Leão, maravilhando-se muitíssimo, levantou os olhos e olhou o céu, e olhando viu vir do céu uma chama de fogo belíssima e esplendíssima, a qual, descendo, pousou na cabeça de São Francisco, e da dita chama ouviu sair uma voz a qual falava com São Francisco; mas frei Leão não entendia as palavras.
... Cristo, o qual aparecia, falou a São Francisco certas coisas secretas e altas as quais São Francisco jamais em vida quis revelar a ninguém, mas depois de sua vida as revelou segundo se demonstra adiante, e as palavras foram estas: Sabes tu, disse Cristo, o que fiz? Dei-te os estigmas que são o sinal de minha Paixão, a fim de que sejas meu gonfaloneiro.
... e assim paruciam as mãos e os pés pregados no meio com cravos parecendo recurvos e rebatidos, de modo que entre a curvatura e o rebite ... facilmente se poderia meter o dedo da mão como num anel ...
... Semelhantemente, no lado direito, apareceu a imagem de uma ferida de lança ..., a qual depois muitas vezes ... ensangüentava-lhe a túnica e o pano das bragas.


Como vemos, nesta experiência de São Francisco citada por Pierre Weil, o êxtase da experiência mística fez Francisco calar-se, por não conseguir expressá-la em palavras, e, quando falou, somente algumas partes de seu testemunho, associado à presença do Cristo, puderam ser reveladas. Luzes como fogo o cercavam e marcas em seu próprio corpo, semelhantes às marcas do Cristo, apareceram como sinais de sua experiência profundamente espiritual de níveis mais elevados da realidade. Vale lembrar a grande integração de São Francisco com a natureza, seu modo de experimentar tudo o que existe como sendo seu irmão ou irmã, como o irmão sol, a irmã lua e os irmãos animais, com os quais coversava. É impressionante a semelhança com a experiência da culturas nativas tradicionais que entraram em relação com tudo, vendo tudo o que existe como portador de consciência e de vida.

A expoente autora da Tanatologia, Elisabeth Kübler-Ross (2012), ao falar de experiências de quase morte em seu livro “O Túnel e a Luz”, conta aexperiencia daqueles que foram declarados clinicamente mortos mas que voltaram à vida. Muitos apresentam estórias com um padrão de regularidade espantoso que pode ser interpretado como uma possibilidade simbólica de compreensão da realidade que nos espera para além da morte física. Ainda que não possam ser utilizadas como uma prova da existência da vida além da vida, as EQM são uma importante fonte de estudos da experiência transpessoal, bem como um fonte de maravilhosa reflexão sobre o viver e sobre o morrer.


“Depois de nos encontrarmos com aqueles que amamos e com nossos próprios guias ou anjos da guarda, passamos por uma transição simbólica, frequentemente descrita na forma de um túnel, de um rio ou de um portal. (...) Depois de passarmos por essa forma de transição muito bonita e individualmente apropriada, chamada de túnel, aproximamo-nos de uma fonte de luz que muitos de nossos pacientes descrevem e que eu mesma vivenciei na forma de uma experiência transformadora da vida, incrivelmente bela e inesquecível, chamada consciência cósmica.”


A presença dessa luz é atribuída muitas vezes a seres espirituais como anjos, Cristo ou mesmo Deus, e em tradições orientais pode ser identificada como a Clara Luz da consciência de Buda. Depois da experiência com esta Luz de amor incondicional, uma revisão da vida se processa, e as pessoas voltam da EQM com seus valores modificados, afirmando que o mais importante na vida é o aprendizado e o amor.



Por uma visão holística da realidade


Para Pierre Weil, a mudança de paradigma científico que estamos vivendo nos dias de hoje deve ser acompanhada por um movimento holístico de caráter transdiciplinar e transreligioso. Nesse sentido, acreditamos e investimos na via da Psicologia Transpessoal por acreditarmos que ela fornece uma nova visão de realidade na qual a totalidade do Humano está sendo levada em consideração, incluindo os aspectos espirituais do seu Ser sem patologizá-los como faz a moderna tradição científica com bases positivistas. Não que a patologia não exista, ela existe sim, mas as experiências espirituais de místicos e sensitivos, além das experiências de cura da consciência ampliada não podem mais ser suprimidas com psicoinibidores e sim devem ser elaboradas em contextos adequados com terapeutas amorosos e bem treinados.

Acreditamos no ser humano espiritual, capaz de viver experiências transpessoais para além da realidade centradas nos medos do eu e sim transcentrada ou centrada em níveis que buscam a totalidade do Ser, em níveis mais elevados de amor, de plenitude e de abundância de vida. Este ser humano está conectado em todos os níveis com a realidade física e energética na qual está inserido ou, em outras palavras, não existe separação entre humano e cosmos, o ser humano e o universo formam uma totalidade em forma de campo e cabe a cada um de nós escolher, dentre os diversos níveis de energia deste campo, com quais queremos nos sintonizar.

Vivemos em uma sociedade doente e com diversas crises que não podem ser resolvids senão em um nível de consciência coletiva mais elevado. A doença coletiva é responsabilidade de cada um de nós, e ela é mantida quando escolhemos o medo, o apego e o ego. Saúde e cura são escolha nossa, na medida em que escolhemos caminhar para descortinar o véu que nos oculta nosso Verdadeiro Ser. O autoconhecimento é a chave, na medida em que embarcamos em uma viagem que somente diz respeito a cada um de nós, uma viagem em busca de cura para nós mesmos que nos trás novas formas de nos relacionar com o universo ao nosso redor, curando também a nossos semelhantes. Assim, defendemos que poderemos abrir nossos corações e nossas mentes para experimentar os níveis mais levados do transpessoal amor que habita em nosso íntimo e espera que o despertemos, pois amor é o que somos.



Referências


CAPRA, Fritjof. O Tao da Física. São Paulo: Cultrix, 2008.

KÜBLER-ROSS, Elisabeth. O Túnel e a Luz: reflexões essenciais sobre a vida e a morte. Campinas, SP: Verus Editora, 2012.

PIRES, Rogério. Ondas Cerebrais. Artigo disponível em: http://www.psicoterapiaholistica.org/biblioteca/Ondas%20Cerebrais.pdf. Acesso em 21/10/12 às 16h40min.

WEIL, Pierre. Antologia do Êxtase. São Paulo: Editora Palas Athena, 1992.

_______(et al). Transcomunicação: o fenômeno magenta. São Paulo: Cultrix, 2003.

WILBER, Ken. A Visão Integral. São Paulo: Cultrix, 2010.

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