segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Transformar o sofrimento em Realização!

Encerrando este longo ano de 2013, há um antigo conto samurai que gostaria de compartilhar com vocês para iniciarmos nosso diálogo de hoje.

Na velha China, contava-se que um samurai, depois de ter sido derrotado numa importante provação, vagou sem rumo pela floresta, apresentando ansiedade, pensamentos confusos, enfurecido e sem querer aceitar a derrota.

Em certo momento, ele parou frente a um lago que encontrou no seu caminho e lançou violentamente uma pedra contra as suas águas, que se agitaram violentamente. O samurai ainda com raiva e ressentido, percebeu algo e refletiu:

- “Mesmo ofendido e perturbado com a pedra a qual atirei, em instantes o lago recompôs sua serenidade, retornando a um estado de tranquilidade que talvez pareça maior que o inicial."
Guardando em seu coração o ocorrido, certa feita foi ter com seu velho mestre espiritual, com o qual pode compartilhar o ocorrido, ao que o mestre lhe respondeu: 

- “O Lago faz com que a pedra se perca na sua grandeza e profundidade, logo, é como se tivesse sido atingido por nada. O lago conserva em si o silêncio, e não as queixas. Eis o segredo de sua serenidade”. 
 
O Samurai curvou respeitosamente em gratidão para o mestre e declarou: 
- “Hoje aprendi um grande ensinamento com as águas silenciosas daquele lago”!


Certos momentos de nossa vida são desafiadores, e quando chegamos ao final do ano, tenho a certeza de que todos podem olhar para trás e perceber os muitos desafios os quais tiveram de enfrentar para chegar até aqui. Da mesma forma que o samurai, precisamos aprender a vivenciar momentos em que nossa mente possa silenciar através da total entrega, da música, da arte, da dança, da meditação, da oração, da contemplação da natureza, dos ensinamentos dos antigos mestres. Creio, porém, que o ensinamento mais precioso para o qual este velho conto aponta é o de que podemos transformar criativamente qualquer situação difícil em uma oportunidade de realização do nosso ser por inteiro, situação chamada pelo psicólogo Viktor Frankl de otimismo trágico. Frankl ressaltava que podemos transformar sofrimento em realização, na medida em que encontramos um sentido pelo qual viver.

Em nossa sociedade atual, muitas vezes somos puxados para fora de nós, para viver as necessidades de adaptação exterior. Porém, quando nos esquecemos de nossa alma, adoecemos. Fazemos isso muitas vezes procurando viver apenas o útil, o trabalho, a correria e todos os subprodutos de nossa mente lógica e racional. Esquecemos, no entanto, da nossa mente criativa, que está além do ego e da dimensão racional. Afastamo-nos daquilo que pode alimentar a alma sob o pretexto de que é inútil: é inútil a música, é inútil a poesia, é inútil a filosofia, é inútil a espiritualidade, é inútil a dança. E assim, aos poucos, vamos morrendo em vida, deixando de lado todas as coisas as quais mais amamos, as que alimentam nossa alma.

Jung afirmava que o ser humano de nosso tempo perdeu a capacidade de autorregulação psíquica, de naturalmente reequilibrar-se nas situações difíceis da vida. Queremos tudo para já, e, no entanto, a vida exige de nós que possamos aprender a paciência para deixar as sementes que plantamos amadurecer. Tudo que acontece sob o céu tem seu tempo e, quando aprendemos a nos sintonizar com as leis inconscientes da vida, como dizia Jung, podemos aprender a esperar o momento certo de tudo, e podemos aprender que os momentos difíceis da vida podem ser transformados em crescimento e realizações.

E o mais importante, talvez, seja encontrarmos um lugar em nós que independa de nossos momentos difíceis ou tranquilos, nosso centro. No contato com a nossa alma, aprendendo a escutar, a dialogar consigo mesmo, podemos aprender a guardar aquele silêncio do qual fala o mestre da nossa história, aprender a encontrar um sentido pelo qual viver, como dizia Frankl, transformando todas as dificuldades em incentivo para nossa realização. Podemos aprender a estar mais em contato conosco mesmos, descendo simbolicamente um tanto da cabeça para o coração, fazer a passagem da consciência de nosso eu limitado para nosso Ser ilimitado. Depois nos resta, mais uma vez, seguir nosso caminho. Aprendendo, ensinando, amando, caminhando, sendo o que se é.



Desejamos a você um excelente ano de 2014! 
Que seja repleto de realizações a partir de seu Verdadeiro Ser!
Que você possa seguir o fluxo de amor em seu coração!

domingo, 15 de dezembro de 2013

A Unidade Corpo e Psique



A mente de um sábio é aquela que vive na unidade, somático e psíquico, corpo e alma, numa sagrada ioga, numa unidade e totalidade. A palavra hindu ioga significa união, no ensinamento do Professor Hermógenes (s.d.). O mesmo podemos dizer de Tai Chi, termo chinês para união dos opostos. Muitos são os estudos da psicologia ocidental para estabelecer a relação entre mente e corpo, e escolas como a Bioenergética e a Gestalt apontam para a unidade psicossomática. Também estudos junguianos foram feitos no sentido de estudar a unidade entre corpo e psique.

O objetivo destas nossas breves considerações é estabelecer uma relação existente entre psique e corpo, tendo em vista que estas dimensões do ser humano são marcadamente constituídas quando ele encontra-se em relação, em sociedade. Assim, falamos que o ser humano possui uma multidimensionalidade que é corporal e biológica; social, cultural e histórica; psicológica, emocional e mental; e, também, simbólica, arquetípica, espiritual. Estamos propondo um ser bio-psico-socio-espiritual, acreditando que nenhuma destas dimensões pode ser excluída ao querermos analisar e compreender as multidimensões do fenômeno humano. Nós analisaremos esta multidimensionalidade a partir da interrelação corpo e espírito, formando estes dois, simbolicamente, uma totalidade, e, para isto, traremos considerações da Gestalt-terapia, da Psicologia Analítica e da Bioenergética.

A princípio, quando analisamos a unidade corpo-psique pela Gestalt-terapia, encontramos em PONCIANO (1994) que a relação terapêutica é uma relação que ocorre dentro da multidimensionalidade que são tanto o terapeuta como o cliente. Assim, terapeuta e cliente encontram-se tanto em suas dimensões corporais como psicológicas, trazendo também suas dimensões sociais e espirituais para a relação, uma totalidade humana indissociável. A relação se daria em todo um campo energético que envolveria dimensões visíveis e conscientes e também dimensões invisíveis e inconscientes. Para o autor, o corpo traria em si o inconsciente do paciente, através de uma linguagem corporal que expressaria aquilo que o cliente é, por mais que ele não tome consciência disso. Assim, para além de considerar o discurso, a fala, a dimensão consciente, a visão holística que busca a Gestalt-terapia pretende integrar também o corpo, na dimensão da terapia individual, e o grupo como um todo, na terapia de grupo, sendo que cada membro constituinte poderia servir de reflexo das dimensões inconscientes daquele cliente que está em terapia. O grupo funcionaria como um campo energético de multirrelações com o objetivo de trazer à luz da consciência aspectos até então inconscientes e dissociados. Nesta perspectiva, a doença seria a perda ou afrouxamento dos laços dinâmicos entre estas multidimensões do humano, e acura estaria na recuperação destes laços, o que faz do ser humano um amante, consciente ou inconsciente, de sua totalidade.

Para a Psicologia Analítica, desenvolvida por Carl Gustav Jung, corpo e psique são ambos dimensões do inconsciente. Segundo ZIMMERMANN (2009), o trabalho com a corporalidade pode ser uma forma de trazer à consciência aspectos do inconsciente, que se manifestam no corpo. Ao realizar um trabalho corporal como dança, Ioga, Tai Chi Chuan e tantas outras formas, são produzidos símbolos que tem como objetivo integrar consciente e inconsciente, corpo e psique, promovendo assim maior saúde e conexão com o processo de individuação, tornar-se um, integrar-se com a nossa totalidade. Quando isto não ocorre, o corpo expressa a dissociação e a doença na forma de sintomas. O corpo é capaz de carregar nossos estados afetivos, nossas vivencias, e conectar-se com o corpo é conectar-se também com o núcleo mais profundo da psique, ao qual Jung chamou de Self ou Si-mesmo. O Si-mesmo é psique e é corpo, e a integração do eu com o Si-mesmo, da nossa realidade mais superficial com nossas dimensões mais profundas, pode acontecer através deste diálogo do corpo com a psique, através da expressão corporal.

A Bioenergética é uma abordagem em Psicologia Transpessoal desenvolvida por Alexander Lowen, discípulo de Wilhelm Reich, a partir de estudos sobre a relação entre o corpo e a mente. Em seu “A função do orgasmo”, REICH (2004) postula que há no ser humano uma só energia, o orgônio, que se expressa na corporalidade e no psiquismo. Dizendo de outra forma, corpo e psique seriam expressões da mesma energia vital, a bioenergia. As emoções acumuladas, não vividas e não expressas, tenderiam a se acumular no corpo na forma de tensões, as chamadas couraças de caráter, que impedem o ser humano de se conectar com seu próprio fluxo de energia e de vida. O trabalho da bioenergética, segundo LOWEN (1984), seria combinar exercícios de movimento, meditação e respiração com o objetivo de dissolver estas tensões e restaurar o fluxo da vida, que acontece no corpo e se expressa como movimento, vibração, respiração profunda, flexibilidade, harmonia, leveza e graça. Este fluxo de bioenergia, ao ser restaurado, também encontra expressões cada vez mais elevadas na psique, se manifestando como maior criatividade, autoconhecimento, autoexpressão, afetividade, amor, prazer de viver, integridade e autorrealização.

Seja qual for a abordagem, muitos trabalhos nos mostram que corpo e psique são um só, que a totalidade humana pode ser almejada e passo a passo conquistada através da vivência corporal, com seus afetos, símbolos, com sua energia que pode fazer de nós seres humanos mais vibrantes e realizados, mais integrados e em conexão com a vida. 

Concluímos, então, incentivando nossos irmão de caminhada a cuidar do corpo, nosso templo, nossa casa, onde habita nossa energia de vida. Incentivamos práticas como a dança, as artes marciais, os esportes, principalmente em contato com a natureza, além de práticas respiratórias e meditativas como a Ioga e o Tai Chi Chuan. Aproveite: cuidar de si é cultivar a própria qualidade de vida!



Referências Bibliográficas
HERMÓGENES, José. Autoperfeição com Hatha Yoga. Rio de Janeiro: Record, s.d.
LOWEN, Alexander. Prazer: Uma abordagem criativa da vida. São Paulo: Summus, 1984.
PONCIANO RIBERIO, J. Gestalt-terapia, o processo grupal. São Paulo: Summus, 1994.
REICH, Wilhelm. A função do orgasmo. São Paulo: Brasiliense, 2004.
ZIMMERMANN, Elisabeth. Corpo e Individuação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Como uma prece...

Nesta postagem, gostaria de colocar algumas citações e frases que são como uma oração:


“Cinzenta, amigo, é toda teoria / E verde somente é a árvore/ De dourados frutos/ Que é a vida” (Goethe)

“Assim como é acima, abaixo; Assim com é fora, dentro.” (Tabula Smaradigna Hermetis)

“Conhece a ti memso” (oráculo de delfos)

“Rir muito e com freqüência; ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças; merecer a consideração de críticos honestos e suportar a traição de falsos amigos; apreciar a beleza, encontrar o melhor nos outros; deixar o mundo um pouco melhor, seja por uma saudável criança, um canteiro de jardim ou por uma redimida condição social; saber que ao menos uma vida respirou mais fácil porque você viveu. Isso é ter tido sucesso.” (Ralph Waldo Emerson)

“Amados, se Deus assim no amou, também nós devemos amar uns aos outros.” (I JO 1:11)

“E a tua vida mais clara se levantará do que o meio dia; ainda que haja trevas, será como a manhã”.
“E terás confiança, porque haverá esperança; olharás em volta, e repousarás seguro”.
(JÓ 11:17-18)

“Possa eu estar preparado para tomar nas mãos o sofrimento dos outros; possa eu dar a eles meu bem-estar e minha felicidade” (Livro Tibetano do Viver e do Morrer, p.282)

“E tudo quanto fizerdes, fazei de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens.” (Colossenses 3:23)

“Apaixonar-se por Deus é o maior dos romances; procurá-lO, a maior aventura; encontrá-lO, a maior de todas as realizações” (S. Agostinho)

“Em verdade eu te digo que aquele que Me vê em tudo e todo o universo em Mim, nunca Me abandonará e nunca será por mim abandonado. Para sempre estará ligado a Mim, pelos laços preciosos do AMOR”. (Bhagavad Gita, c.30)

Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda.” (C.G.Jung)

“Para nós, tratar com o inconsciente é uma questão vital – uma questão de ser ou não ser espiritual.” (JUNG, CW vol.IX/1)

“A verdade é uma só. Os sábios falam delas por muitas palavras.” (VEDAS).


UMA REFLEXÃO SOBRE A PACIÊNCIA

Um dia, o discípulo encontrou-se com seu mestre aos pés de um belo riacho. O mestre parecia mergulhado no silêncio, enquanto que a turbulenta alma do discípulo estava preocupada com o dia de amanhã, na incerteza do que poderá trazer o futuro. Decidiu interrogar ao mestre sobre qual conduta tomar para acalmar seu coração.

- Uma parte de nós deseja que as nossas questões se resolvam logo, que a vida ande para frente. Mas parece que o Universo anda em outro ritmo, bem devagar, no seu próprio tempo, o que faz com que criemos sofrimento com a impaciência. Então, Mestre, como ter mais paciência?

- A paciência é a confiança no Verdadeiro Ser. Na prática de tiro com arco, você pode visualizar um arqueiro que puxa a flecha, mas não a solta, pois deseja controlar os resultados. Assim tem sido na vida de muitas pessoas, e na sua também. Como a criança que não deixa a plantinha crescer por estar sempre abrindo o buraco para olhá-la, vocês não deixam a vida germinar, o que demanda tempo, pois não dão o espaço apropriado para que a velha semente possa morrer e para que a nova planta possa surgir. A vida surge da morte, e esse jamais poderá ser um processo indolor.

O Verdadeiro Ser vai surgindo reluzente na medida em que a escuridão e o ego vão morrendo. Mas, para o ego, abrir mão é morrer, e ele não fará isso. É somente no Verdadeiro Ser que podemos experimentar a paciência. E o caminho para se ter paciência é sentir gratidão por cada etapa do processo.

A mãe carrega com paciência o bebê no útero, e ainda assim ela vive saudavelmente o processo de espera, na medida em que sente gratidão por cada etapa. A árvore tem paciência, e somente produz frutos no momento propício, expressando sua gratidão pela vida. A natureza é sábia, pois é símbolo de harmonia e perfeição Daquela Inteligência Infinita que a criou, o Grande Mistério inominável. Mesmo os que não acreditam em um deus, devem observar que há na Vida uma Inteligência Suprema que nos ultrapassa. Observar o milagre da vida e sentir gratidão nos harmoniza novamente com o fluxo do Universo, e sentir gratidão por cada uma das mais simples manifestações da Natureza Sagrada nos faz sentir conectados com o que verdadeiramente somos, aqui e agora, pois nós somos um só com a Natureza Sagrada.

A paciência é como fruto desta sublime conexão, quando, com as mãos em prece, dizemos GASSHO, NAMASTÊ ou AMÉM, eu me entrego à Vontade que é maior que minha vontade, eu saúdo o que há de mais sagrado na vida, dentro, fora e através de mim, eu me entrego à não ação, a wu wei, pois esvazio-me de mim mesmo, e permito que somente a ação inspirada pelo Verdadeiro Ser possa surgir através de mim.

Cada um de nós é como um canal do Verdadeiro Ser, como o vazio do bambu, a serviço do amor e da vida. Podemos resistir ao fluxo de amor e nadar contra a corrente, feito ego impaciente, mas também podemos conscientemente nos entregar ao fluxo de TAO, ao fluxo de energia e de vida, e nos sentir gratos na medida em que participamos deste mistério que nos ultrapassa, sentir gratidão por sermos os canais da energia universal que nos quer utilizar sempre e cada vez mais para espalhar sabedoria, paciência, gratidão, cura, presença, todos os frutos, enfim, de uma vida com bases bem fundamentadas no transpessoal AMOR.


UMA REFLEXÃO SOBRE A SOLIDÃO

Certa vez, um discípulo caminhava pela floresta que conduzia ao templo de seu mestre. Sua alma estava dolorida pelo período de solidão ao qual enfrentava. Ao receber o discípulo, o mestre conduziu-o por uma meditação para suavizar e acalmar sua mente, e seguiu-se o diálogo:

- Mestre, parece-me que às vezes agimos baseado no medo da solidão. Atuamos utilizando máscaras, as quais estão mais de acordo com o que os outros esperam de nós do que o que realmente nos indica a voz de nossa intuição, o chamado de nosso Ser mais profundo. Como a sabedoria pode nos ajudar a atravessar o medo da solidão?


- Meu filho, a sabedoria de toda uma vida é como uma flor que nasce dos pântanos da alma. Enquanto a solidão alimenta-se e brota justamente da mesma substância que alimenta as nossas sombras interiores, a gratidão pela vida na contemplação do Ser verdadeiro transmuta em luz de amor todos os medos. Onde habita a gratidão e o amor, não pode haver espaço para o medo. O medo é fruto do egoísmo, a prisão do ego que nos acorrenta e nos impede de dar um passo no rumo de nossa felicidade. Quando estamos no espaço interior a partir do qual sentimos gratidão, estamos como fosse no olho do furacão. Há muito movimento, causado pela mente, pelo ego e pelas sombras. Há o movimento de nossa própria vida encarnados na matéria, que ruge qual a mitológica Babilônia, o grande furacão da inconsciência coletiva, também chamada Maya. Mesmo assim, em meio ao medo, em meio à incerteza ou em meio à dor, podemos conscientemente nos sintonizar com a gratidão, agradecendo os aprendizados do passado e do presente, e desenvolvendo confiança de que nos próximos passos a vida nos trará novos caminhos, afinal de contas tudo é mutação. A vida é rio que corre sempre em frente, então podemos expressar gratidão e fluir junto com o rio, observando sua passagem. As águas do rio não podem ficar presas àquela bela montanha ou àquelas belas pradarias que ficaram no passado, que ficaram para trás. Às vezes as águas do rio devem ser levadas às regiões áridas, representação daquilo que habita em nosso interior e não queremos enxergar. De qualquer forma, elas devem permanecer correndo no fluxo da vida, para desaguar no oceano e cumprir sua meta, culminando assim na autorrealização, no cumprimento de seu propósito mais profundo. A meta da vida é o aprendizado constante, através do desenvolvimento da consciência até que culminemos com nossa entrada consciente de volta a TAO, o que representa a salvação ou a iluminação, como mergulho de dissolução num Oceano de Amor que já está em nós, mas que ainda não conseguimos perceber. A gratidão, a compaixão e o amor é o caminho dos sentimentos nobres que nos sintonizam com o fluxo da Vida, e é a amorosidade de nosso ser essencial um caminho como bálsamo salutar que nos facilita o retorno ao fluxo de TAO, a ser aquilo que nós verdadeiramente somos.

sábado, 9 de novembro de 2013

NADA IRÁ NOS PREENCHER


Nada irá nos preencher. Sim, pois o preenchimento é interno. Pelo menos esta é a tese que quero apresentar neste texto de hoje. A plenitude a qual nós tanto aspiramos só pode vim de dentro de nós, da descoberta e do contato com nosso Ser interior. Muitas vezes tentamos mudar os outros, tentamos mudar a nós mesmos, tentamos mudar o que é. Eu também faço e fiz isso muitas e muitas vezes. Este tipo de atitude caracteriza, no entanto, uma não aceitação do que é, uma desconexão do fluxo da vida. Causa dor e sofrimento para nós e para os outros. E, paradoxalmente, a mudança somente acontece na plena aceitação, quando podemos silenciar nossa mente ou nosso ego e nos assentar na presença de nossa amorosidade essencial. Aceitar o que somos, aceitar este momento. Fluir com o que é. Amar o que é. Amar os outros e ter paciência com os seus limites. Amar o que somos e ter paciência com nossos limites.

Nada vai preencher este vazio que caracteriza nosso ego. Esta sede interior, que vem da desconexão com o verdadeiro Ser, não pode ser saciada com as águas do mundo fora de nós, mas somente com a aqua doctrinae dos alquimistas, a fonte de água viva dentro de nós. Na superfície da vida e do eu, tudo é mudança, tudo é passagem. No verdadeiro ser, nas profundezas do oceano de amor que nós verdadeiramente somos, tudo É, o constante, ilimitado, além do eu, além da forma. "Não se trata de estar amando alguém, mas sim de SER AMOR!" nos aponta o caminho o sábio Osho.



AS FERIDAS DA ALMA

Dentro de nós existe uma criança ferida. Muitas vezes temos vergonha de nossa imaturidade, mas, justamente quando não a percebemos, ela puxa nosso tapete, clamando nossa atenção. Esta criança ferida em nós exige atenção, respeito, dependência dos outros, ser importante ou indispensável. Às vezes, fugimos de nossa dor procurando construir uma auto-imagem idealizada de poder, de serenidade inabalável ou de bonzinho ou boazinha. O que acontece aí, na verdade, na linguagem do Pathwork de Eva Pierrakos, é que estamos procurando falsos substitutos para o amor. O que nossa criança quer mesmo é ser aceita, ser amada, e de alguma forma acreditamos que sendo "alguém melhor" seremos amados, mas não sendo o que eu sou.  

Como eu posso curar minhas feridas? Perguntei e a minha intuição respondeu: "Curando a ferida dos outros"...  É como diz aquela famosa lei: buscai e achareis. Quem fere, fere a si mesmo, quem cura, cura a si mesmo. O que você quer receber da vida, procure dar... Todo o universo é uma interconexão entre dar e receber. Não tenho certeza se esta é uma resposta certa ou definitiva, nem tampouco acredito que seja um caminho universal, mas acredito mesmo que o importante é escutar o chamado de nosso eu interior. Ele fala conosco justamente através de nossa intuição. Eu sei que este é meu chamado, para minha vocação de ser terapeuta... E o seu chamado qual é? Aposto que sua intuição já respondeu... Escute... o silêncio...



OLHAR PARA DENTRO

Nossa sociedade nos faz procurar fora de nós momentos de grandes realizações: reconhecimento, segurança, poder, cursos, viagens, aparências, títulos, o relacionamento com a pessoa ideal, etc. No entanto, o caminho para a saúde e a cura no sentido integral está em nos harmonizar com nossa alma na comunhão com o fluxo da vida, nos harmonizar com aquilo que nós verdadeiramente somos e viver o equilíbrio entre o que a vida exterior nos pede e ao mesmo tempo atender à vocação a qual nossa alma chama em nosso interior. É disso que trata toda a jornada de autoconhecimento: dentro de nós é possível retornar a ser o que se é.

Outro dia num sonho um mestre me disse que procurasse guardar silêncio. Justamente eu que tanto falo e escrevo? Justamente por isso, talvez. No silêncio, na meditação, na oração, encontramos a porta estreita que nos leva à comunhão com nosso verdadeiro Ser. Apenas no silêncio podemos encontrar as respostas para nossa alma, a diretriz do nosso caminho. Assim, no interior do templo, na silenciosa presença do Ser, poderemos nos reconectar a quem nós somos. É uma questão de parar de procurar fora, e passar a olhar para dentro de nós. "Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda" já dizia Jung. Dentro de nós estão todos os segredos da vida. Dentro de nós está todo o mistério, toda a magia. Dentro de nós está tudo o que procuramos fora, nossa realização, nossa totalidade, nossa plenitude. Assim, aprendiz do mestre silêncio, percebi o novo mito pelo qual eu vivo: o COSMOS interior, encontrar e realizar este universo no interior do que eu sou. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Uma hora você vai precisar de terapia

Publicado em nossa coluna REALIZAÇÃO HUMANA
Uma Parceria com Instituto Sherpa
http://www.institutosherpa.com.br/uma-hora-voce-vai-precisar-de-terapia.html#.UmFFcPlQGPw



Na nossa sociedade tem-se o costume ainda pouco saudável de se acreditar que só quem faz terapia é quem tem graves problemas, ou é louco ou é doente.

No entanto, em uma discussão com os amigos do Instituto Sherpa sobre este assunto, ficou claro nosso consenso de que não se trata apenas disso, que fazer terapia vai muito além dos limites do patológico e que é uma forma de promover autodesenvolvimento, qualidade de vida e de despertar recursos e estratégias interiores para que cada pessoa possa trilhar seu caminho de autorrealização.

Então decidi escrever este texto buscando esclarecer um pouco mais o assunto.

Sim, o acompanhamento de um bom terapeuta, seja em psicoterapia, seja em hipnoterapia, por exemplo, é muito importante em casos patológicos, alivio e cura de sintomas como fobias, síndrome do pânico e outras crises de ansiedade, quadros de depressão e até mesmo quadros graves como esquizofrenia. Até mesmo em momentos de estagnação, perdas e luto, mudanças, um guia bem qualificado pode ajudar a pessoa a encontrar o melhor de si mesmo, vivenciando um processo de cura. Casos de problemas de aprendizagem e dificuldades de relacionamento também podem ser trabalhados num processo desta ordem. Mas, para além de uma visão de saúde com o objetivo de curar doenças e sintomas, defendemos aqui uma visão de promoção de saúde, de autocuidado, de promover melhores níveis de vida para quem deseja aproveitar ainda mais as possibilidades do que a vida tem a oferecer.

“Terapia é um processo de aperfeiçoamento para todo ser humano, para desenvolver e despertar o melhor em nós.”

A meta principal deste texto é destacar que terapia não é só para doentes. Quer desenvolver sua criatividade? Podemos trabalhar com meditação e arte-terapia, desenvolvendo seus próprios recursos e despertando sua dimensão criativa. Quer mais sentido ou significado na sua vida? Um acompanhamento em Psicoterapia, com a Logoterapia, por exemplo, certamente vai lhe ajudar. E que tal viver em mais qualidade de vida, em mais plenitude? Um trabalho de Renascimento pode ser o ideal para você. Quer vivenciar sua plenitude de recursos, administrar e superar desafios na vida? Quer encontrar um caminho para, a partir de seus próprios recursos, transformar seus sonhos em realidade? Um acompanhamento em Hipnoterapia ou Hipnose clínica pode certamente te ajudar a despertar o melhor que já está em você.


Então, o mais importante é você perceber agora mesmo que uma vida de mais plenitude, de mais recursos, de mais realização está disponível para você agora mesmo. Terapia é um processo de aperfeiçoamento para todo ser humano, para desenvolver e despertar o melhor em nós. Um bom guia, um bom condutor, um bom Sherpa, pode levar você a trilhar estes caminhos para viver uma vida de mais plenitude e realização. Estamos aqui de mãos dadas com você para despertar e desenvolver nosso melhor potencial. Que uma vida de qualidade e excelência humana esteja disponível para você agora mesmo!

Cura-te a ti mesmo

A compreensão holística da saúde em Edward Bach




O Dr. Edward Bach foi um médico inglês à frente de seu tempo. Desenvolveu um sistema de cura baseado no potencial terapêutico de determinadas essências extraídas de flores de plantas. Seu sistema conta com 38 essências e mais uma combinação emergencial, o "rescue remedy", e é indicado para desequilíbrios de ordem emocional, principalmente medos, indecisões e inseguranças, falta de energia, desinteresse na vida, no momento presente, submissão, solidão, e isolamento.

O Dr. Bach tinha uma compreensão holística de saúde, percebendo que a personalidade e a emoção estariam relacionadas com as desordens físicas de seus pacientes. Ele escreveu seu famoso princípio "cura-te a ti mesmo", passando para as pessoas a mensagem de que a cura física e emocional estaria diretamente ligada ao propósito espiritual de nossa existência. Buscar nossa real vocação seria, para o dr. Bach, de fundamental importância para nossa saúde física e espiritual. A seguir, trazemos um texto do próprio dr. Bach, falando sobre sua visão holística em saúde, mais que atual, uma necessidade para nossa época, na qual estamos tão separados de nós mesmos, de nossa verdadeira natureza:

A saúde depende de estarmos em harmonia com nossas almas.

A saúde é nossa herança nosso direito. É a completa e total união entre alma, mente e corpo, e não é um ideal longínquo a ser alcançado, mas para um objetivo tão fácil e natural, é de se esperar que muitos de nós o negligenciem. 
Todas as coisas materiais são apenas a interpretação de coisas espirituais. A menor e mais insignificante ocorrência tem atrás de si um processo divino. Cada um de nós tem uma missão divina neste mundo e nossas almas usam nossas mentes e corpos como instrumento para a realização dessa missão. 
Uma missão divina não significa sacrifício nem afastamento do mundo, nem rejeição das alegrias provenientes do que é belo e natural. Ao Contrário, Significa uma alegria maior e mais completa, significa fazer o trabalho que amamos com todo nosso coração e nossa alma, seja ele plantar, cuidar da casa, pintar ou servir nossos irmãos. E esse trabalho, qualquer que seja ele, é comandado definitivamente por nossa alma, a obra que temos que realizar neste mundo, e a única na qual podemos ser verdadeiros, interpretando de modo natural a mensagem de nosso Eu Superior. Através de nossa saúde e felicidade, podemos julgar quão bem estamos interpretando essa mensagem. Há no homem perfeito todos os atributos espirituais e viemos a este mundo para manifestá-los, aperfeiçoá-los e fortalecê-los, de modo que nenhuma experiência, nenhuma dificuldade possa lhes enfraquecer e nos desviar da realização deste propósito. 
Escolhemos uma ocupação aqui na Terra, e as circunstâncias externas que nos darão as melhores oportunidades para que sejamos testados; viemos com nossa obra particular já realizada; viemos com o incrível privilégio de saber que todas as nossas batalhas estão ganhas antes de lutarmos; viemos sabendo que a vitória é certa, antes do teste, porque sabemos que somos filhos do Criador e, como tais, somos Divinos, inconquistáveis, invencíveis. Sabendo disso a vida é uma alegria, dificuldades e experiências podem ser encaradas como aventuras, pois temos apenas de perceber nosso poder, temos de ser verdadeiros em relação à nossa Divindade, para que tudo, todas as dificuldades se desfaçam, como a névoa sob a luz do sol. Deus deu realmente a Seus filhos, o domínio sobre todas as coisas.  
Nossas almas nos guiarão, se lhes dermos ouvidos, em todas as circunstâncias, em cada dificuldade. E a mente e o corpo assim dirigidos, transporão a vida irradiando felicidade e perfeita saúde, livres de todas as preocupações e responsabilidades, como uma criança confiante.

Como funciona o tratamento: os florais de Bach são administrados no formato de solução, devem ser ingeridos sob orientação do terapeuta. São divididos em grandes grupos, a depender dos tipos de sintomas: grupo do medo, da incerteza, solidão, hipersensibilidade, grupo da depressão, da preocupação excessiva, do desinteresse pelo presente e os florais compostos, como o rescue. Os florais atuam em nossos corpos mais sutis, promovendo uma mudança a princípio imperceptível, mas a médio prazo promovedora de saúde, equilíbrio emocional e qualidade de vida. É um ótimo complementar para processos terapêuticos. Consulte um terapeuta habilitado!




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